Depois de vencer sua própria decadência, Maradona tem se transformado em figura pop. Aparece em propaganda vestindo a camisa da seleção brasileira, tem programa de entrevista e até bate uma bolinha nos tais “Showballs”. Independentemente do marketing que gira em torno de tudo isso, é bom ver a recuperação do que é considerado pela maioria como um dos dois maiores jogadores de todos os tempos. Mas será que seria assim se ele na conseguisse levar a Argentina ao título mundial em 1986?
Até a Copa do México, Maradona não era unanimidade no posto de melhor jogador do mundo. Seu principal adversário era o francês Michel Platini, com Zico, Rummenigge e Boniek um nível abaixo, até porque tiveram seus auges quatro anos antes. O Mundial seria o desempate entre o argentino e o francês, até porque suas seleções também eram fortes.

O jogo que acabou com dúvida foi o Argentina 2 x 1 Inglaterra nas quartas-de-final. Maradona fez gol de mão e, pouco depois, driblou toda a defesa britânica para fazer seu segundo gol. Uma jogada que consolidou a posição do Diez como um dos gênios da história do futebol. O que poderia ser ligeiramente diferente se a marcação inglesa fosse eficiente naquela tarde na Cidade do México.
Se a Inglaterra tivesse vencido com um gol solitário de Lineker no final da partida, a Argentina sairia quase que anônima daquela Copa. Ficou em primeiro lugar em um grupo com a frágil Itália e as inexpressivas Bulgária e Coréia do Sul. Depois venceu um bagunçado Uruguai, que já caíra de seis contra a Dinamarca, e, no primeiro teste realmente difícil, teria caído diante dos britânicos.
Na Copa do México, os ingleses bateriam os belgas nas semifinais e perderiam para a Alemanha Ocidental na revanche de 1966, duas décadas depois. Isso até poderia aumentar os argumentos em favor de Karl-Heinz Rummenigge, mas o atacante já estava em fim de carreira, enfrentando vários problemas físicos. Platini também não brilhou como podia por jogar algumas partidas no sacrifício.
Por isso, o desempenho discreto dos argentinos não mudaria o fato de Maradona ser um dos grandes nomes do futebol mundial. Mas seria sua segunda experiência sem sucesso em Copas, depois do desastre que foi a campanha platina em 1982 (quando o craque, inclusive, foi expulso no jogo contra o Brasil). Pelo que já fazia no Napoli, Maradona tinha crédito.
De volta ao sul da Itália, o Diez eria motivação extra para ajudar o clube celeste a se estabelecer como um dos grandes da Europa. Seria a maneira de compensar seus azares em Copas do Mundo. O problema é que, por mais que o Napoli estivesse em sua melhor fase na história, ainda estaria longe de ser uma força continental. O máximo que Maradona conseguiria seria alcançar as quartas-de-final em uma Copa dos Campeões e um título da Copa da Uefa.
A imprensa falaria na possibilidade de ele sair de Nápoles para ir a uma grande equipe e conseguir o destaque que mereceria. No entanto, o argentino já estaria envolvido demais com a máfia napolitana e seria difícil se desvincular do clube partenopeo.
O Mundial de 1990 seria visto como decisivo para posicionar Maradona na história do futebol. O problema é que o rendimento do jogador já era afetado pelos problemas extracampo, incluindo drogas e máfia. A Argentina ficaria no Grupo D, ao lado de Iugoslávia, Emirados Árabes e Irlanda.
Com seu principal jogador no sacrifício e uma seleção que, como um todo, não passava de mediana, os argentinos ficariam em segundo lugar na chave, atrás de Iugoslávia. Nas oitavas-de-final, pegariam a Espanha e seriam dominados pelo adversário. Mas venceriam por 1 a 0, gol de Caniggia em um contra-ataque armado por Maradona.

Nas quartas-de-final, enfrentariam o Brasil, que vinha embalado após vencer a Unia Soviética na fase anterior. Mais confiantes, os brasileiros venceriam por 2 a 1, gols de Careca e Valdo, contra um de Burruchaga. Vendo seu sonho mundial ruir mais uma vez, Maradona choraria ao final da partida.
Para o Brasil, o futuro não seria muito melhor. Nas semifinais, o time de Lazaroni perderia por 3 a 1 para a Itália em Nápoles e teria de ver uma final entre Alemanha Ocidental e Itália. O vencedor se tornaria o primeiro a conquistar quatro títulos mundiais. Em um jogo emocionante, os alemães-ocidentais conseguiriam controlar o ímpeto e calor dos italianos para vencer por 2 a 1.
O mito em torno de Maradona perderia força. Apesar de todos reconhecerem seu enorme talento, ficariam no ar sempre frases como “mas ele nunca provou isso em Copa do Mundo”, “nem em um time como a Argentina ele conseguiu se destacar em Mundiais” ou “ele se prejudicou por jogar boa parte da carreira em um clube médio”. Depois da suspensão por doping e a revelação dos problemas extracampo que tinha na Itália, o foco mudaria um pouco e se comentaria até que ponto ele não teria prejudicado sua carreira e a seleção argentina por se envolver com as pessoas erradas.
Em 1994, como uma tentativa derradeira de se colocar como um dos grandes craques de todos os tempos, Maradona faria uma preparação específica para a Copa. Depois de duas grandes partidas da Argentina, haveria a sensação de que, finalmente, era o Mundial de Maradona. O resultado positivo em mais um exame antidoping apenas ajudaria a consolidar a imagem de craque rebelde que estragou sua própria carreira.
Com tudo isso, a figura de Maradona seria controversa. Para alguns, seria um dos maiores gênios da história do futebol. E teriam razão, por tudo o que o argentino teria feito por Boca Juniors, Barcelona e Napoli. Na Argentina, sua imagem de maior jogador da história não seria abalada, e talvez até fosse intensificada. Todo o drama envolvendo sua figura apenas aumentaria o mito, a imagem de vítima que cerca seu nome.
No entanto, os críticos teriam mais argumentos para diminuírem seus feitos. Afinal, ao contrário de Pelé, Beckenbauer, Garrincha, Cruyff e Puskas, Maradona nunca teria realizado uma grande campanha em Copas ou com seus clubes. E, talvez, ele fosse colocado ao lado de George Best e Platini.
Ubiratan Leal
Imagens: Newsfoxx (Argentina x Inglaterra) e As (Argentina x Brasil)
Obs.: Esse “artigo” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levado a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.