Pela primeira vez desde 1986, o Brasil se prepara para uma Copa do Mundo sem que haja pedidos por Romário. Enquanto a seleção de Parreira tem sua linha de frente decantada pelos torcedores, o atacante é cotado para defender o Miami, time da USL, liga de segundo escalão nos Estados Unidos. O que já não era sem tempo, pois, das Copas que Romário não jogou, apenas em 1998 ele realmente poderia ter acrescentado algo. Mas o que ele faria nos gramados franceses se não tivesse sido cortado?
Aos 32 anos, Romário estava no Flamengo e já não era um atacante dos mais confiáveis fisicamente. Tinha alguma mobilidade, mantinha parte de sua capacidade de arrancar em direção ao gol e não havia deixado de fazer gols como se fosse a coisa mais natural do mundo, mas se contundia com alguma facilidade. Na soma de virtudes e defeitos, ele ainda era um dos melhores atacantes do Brasil e formava, com Ronaldo, a afinada dupla Ro-Ro.
Se ele não tivesse se contundido nas vésperas do Mundial da França, seria titular no ataque, com Bebeto ficando no banco de reservas e Émerson passaria suas férias. E um setor ofensivo tão talentoso e conhecido despertaria um respeito até exagerado dos adversários, que logo atuariam de maneira mais acuada.
Contra a Escócia isso ficaria claro. O Brasil não jogou bem, mas teria certa facilidade para resolver a partida diante dos intimidados britânicos. Com um gol de César Sampaio, um de Ronaldo e um de Cafu, o Brasil venceria por 3 x 1 na abertura da Copa.
No jogo seguinte, contra Marrocos, a presença do atacante do Flamengo seria ainda mais importante. Aproveitando a inexperiência da defesa marroquina, Romário faria dois gols, Ronaldo um e Rivaldo outro na goleada por 4 x 0.
O resultado classificaria o Brasil, mas alguns problemas internos já estariam se manifestando. O grupo estaria se dividindo em dois, liderados por Dunga e Leonardo. Romário se alinharia com o volante, que teria mais força nessa disputa que minaria aos poucos o ambiente da seleção.
Contra a Noruega, Romário ficaria preso na marcação adversária e, com alguma insolência pelo fato de o Brasil já estar classificado, pouco produziria. Seria substituído por Bebeto aos 15 minutos do segundo tempo. O botafoguense colocaria a seleção em vantagem após aproveitar cruzamento de Denílson, mas Tore Andre Flo empataria no final. O 1 x 1 desclassificaria a Noruega, já que Marrocos venceria a Escócia na outra partida da terceira rodada do Grupo A.

Nas oitavas-de-final, o duelo sul-americano contra o Chile ficaria marcado pelo encontro das duplas de ataque Ro-Ro com Za-Sa (Zamorano-Salas). A expectativa de uma partida aguerrida se confirmaria apenas no início, quando o Chile dominaria e daria a sensação de que poderia protagonizar uma grande surpresa. Porém, as falhas defensivas de La Roja começariam a surgir e o Brasil construiria a vitória por 5 x 2 ainda no primeiro tempo, com mais um gol de Romário e dois de Ronaldo.
Contra a Dinamarca, Romário seria decisivo ao fazer 1 x 0 logo aos 7 minutos. Porém, seria anulado pela defesa escandinava, reclamaria de dores na coxa, seria substituído por Edmundo e a vitória por 3 x 2 só viria graças a uma grande atuação de Rivaldo, autor de dois gols. Até porque Ronaldo já manifestaria algum desconforto em seus joelhos.
A semifinal contra a Holanda seria cercada de grande expectativa. Romário prometia repetir a atuação de 1994, quando ajudou o Brasil a vencer os laranjas nas quartas-de-final. Porém, o Brasil estaria desfalcado de Cafu, que abriria espaço para a estréia de Zé Carlos. Novamente o atacante do Flamengo não jogaria bem, mas, com Ronaldo em noite inspirada, o Brasil sairia na frente e quase venceria. Kluivert empataria no final e levaria a partida para a prorrogação. Com Edmundo no lugar de Romário, o Brasil voltaria a pressionar, mas a decisão ficaria para as mãos de Taffarel, na disputa de pênaltis.
O Brasil caminharia de maneira trôpega no Mundial, mas chegaria à final depois de uma atuação convincente. Por isso, seria considerado favorito por muitos diante da França, que também não seria um poço de solidez, mas teria um conjunto melhor que os brasileiros e tinha o jogadores como Thuram, Blanc, Desailly e Zidane em grande fase.
Na manhã do jogo, Ronaldo teria convulsões na concentração e assustaria o elenco brasileiro. Enquanto o atacante seria levado para exames de emergência em Paris, o resto do time se prepararia para a partida imaginando que o ataque seria formado por Romário e Bebeto, dupla campeã em 1994.
Duas horas antes de o Brasil entrar em campo, Ronaldo apareceria no Stade de France se dizendo em condições de entrar em campo. O elenco da seleção se dividiria. O grupo de Dunga defenderiam a escalação do atacante da Internazionale, enquanto que os mais próximos a Leonardo prefeririam Edmundo ou Bebeto. No final, a força de Romário sobre Zagallo prevaleceria e Ronaldo entraria em campo. Mas, para aumentar a confiança do time, Romário assumiria a responsabilidade de decidir.
O time entraria em campo relativamente leve e aliviado. Romário demonstraria grande vontade e partiria para cima dos zagueiros franceses. Porém, Desailly e LeBœf fechariam muito bem a defesa francesa e os atacantes brasileiros pouco fariam no primeiro tempo. De cabeça, Zidane faria dois gols e colocaria os bleus perto do título. E o placar só não seria mais elástico devido a boas defesas de Taffarel e ao perdularismo da dupla de ataque gaulesa Guivarc’h e Dugarry.
No segundo tempo, Edmundo entraria em campo e, com três atacantes, o Brasil aumentaria a pressão. Romário aproveitaria uma bola espirrada para recolocar a seleção na partida. O assédio brasileiro se intensificaria ainda mais, porém, o time da França estaria muito bem postado. E, em um contra-ataque, Petit receberia um lançamento, driblaria Dunga e tocaria na saída de Taffarel. A França venceria por 3 x 1 e conquistaria seu primeiro título mundial.
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Pauta sugerida pelos leitores Victor Martins e, de certa forma, Kennito.
Ubiratan Leal
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