Hoje, o Rio de Janeiro completa 441 anos sem ter um futebol à altura de sua história e importância no cenário nacional. Não que o futebol carioca seja secundário. Apesar da crise entre os grandes, a importância e influência deles ainda é marcante. Mas é verdade que ver a torcida do Botafogo celebrar uma atuação de Dodô e o Flamengo usar Luizão para fazer homenagem aos 111 anos de fundação é triste. De qualquer forma, o Rio ainda tem um grande mérito raríssimas vezes lembrado: é a cidade brasileira com o maior número de clubes profissionais.
No total, 35 clubes do Rio de Janeiro disputaram alguma competição profissional nos últimos 10 anos. Porém, é de se considerar que muitos são clubes de atividade temporária ou intermitente, que se licenciam da federação com alguma constância. Se forem considerados apenas os que participaram dos torneios de 2005 e 2006, a relação cai para 20 (veja a lista no final do texto).
Por ser Distrito Federal até 1960 e formar um Estado (Guanabara) até 1975, a cidade do Rio de Janeiro desenvolveu seu futebol como algo à parte do interior. Assim, os clubes secundários do campeonato também eram da capital. Porém, a existência de “times de bairro” também era comum em outras capitais (sobretudo Salvador) até a década de 1960, o que mostra que há um fenômeno na sobrevivência de tantas equipes na antiga capital federal e que isso vai além do fato de haver um Estadual apenas para a cidade durante décadas.
O grande segredo do Rio de Janeiro é a mistura de uma geografia que isolou de certa forma os bairros de subúrbio do centro, combinada a uma sociedade que tem mais apego às suas comunidades do que, por exemplo, São Paulo. Foi assim que clubes que carregam o nome de seus bairros como Bangu, Campo Grande, Madureira, Olaria e Bonsucesso sobreviveram.

E, apesar do sucateamento ocorrido nos últimos anos, as equipes de subúrbio merecem respeito por sua história. O Bangu – que tecnicamente sempre esteve para os grandes do Rio como a Portuguesa em São Paulo ou o América em Minas Gerais e já foi considerado um clube médio – conquistou dois Estaduais e chegou à final do Campeonato Brasileiro, a maior glória de um pequeno do futebol carioca. O Olaria já disputou o Brasileirão na década de 1970 e, para citar algo batido, o São Cristóvão também tem um título estadual e revelou Ronaldo.
Outra coisa marcante no Rio de Janeiro é a possibilidade de vários clubes que teoricamente seriam amadores tentarem a vida no profissionalismo. Isso é em boa parte motivado pelo fato de o Estado ter poucas divisões e pouca extensão territorial, facilitando uma escalada rumo à elite e o custeamento de viagens.
A maioria desses clubes dura algumas temporadas e desaparece antes de ter uma chance contra os grandes. Porém, o processo é ininterrupto, com surgimento de novas equipes a todo momento e a idéia de que o futebol profissional é algo para todos, e não apenas para poucos clubes. E que o resultado e a glória nem sempre é o mais importante quando o assunto é um time da comunidade Uma grande lição que o futebol carioca dá ao Brasil, mas ninguém se preocupa em perceber isso.
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Veja a lista de clubes cariocas: Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, América, Bangu, São Cristóvão, Madureira, Portuguesa, Barcelona, Barra da Tijuca, Bonsucesso, Campo Grande, Ceres, CFZ do Rio, Estácio de Sá, Olaria, União Central, União de Marechal Hermes e Villa Rio estiveram em atividade desde 2005. Anchieta, Clube da Paz, Colégio, Copacabana, Desportivo La Coruña Brasil, Everest, Forças do Bem, Futuro Bem Próximo, IV Centenário, Jacarepaguá, Lucas, Pavunense, Profute, Raiz da Gávea e Universal estão parados ou fechados, mas chegaram a ter times desde 1996.
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Se for considerada a Grande Rio, estão em atividade Nova Iguaçu, Artsul, Condor, Duque de Caxias, Duquecaxiense, Mesquita, Miguel Couto e Tigres.
Ubiratan Leal
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