Em uma situação de crise, dilemas legais e possibilidade de favorecimento ou prejuízo para vários clubes, era de esperar que boa parte da imprensa esportiva aproveitasse para espalhar uma série de precipitações ou oportunismos que ajudariam a atrapalhar ainda mais a busca por soluções. Pois, em geral, se tem visto o contrário. Claro que sempre há infelizes exceções, mas mesmo os comentaristas mais exaltados têm procurado externar opiniões mais ponderadas e cuidadosas e os veículos mais ávidos por manchetes bombásticas se preocupam em investigar antes de publicar. Ainda bem.
O importante não são as opiniões em si, já que todos têm o direito de defender sua visão a respeito do problema. O importante é que minguaram as tentativas de gerar polêmicas baratas e irresponsáveis, como propor viradas de mesa sem que ao menos exista base jurídica para que tal medida seja adotada. Nesse momento, há um consenso de que determinadas atitudes não podem mais ser aceitas por serem ainda mais danosas ao futebol brasileiro.
Isso sido bastante importante. Até agora, é evidente como as posições defendidas pela imprensa têm pautado as ações do STJD, inclusive na mudança de postura em relação a três partidas que, em princípio, não seriam analisadas. E o acerto no tom não é exclusividade dos comentaristas. As equipes de reportagem também estão determinadas a investigar, tomando cuidado para não perder o foco da discussão.
Um bom exemplo já citado aqui no Balípodo foi a edição de domingo do jornal Lance, com várias páginas tratando do recém-divulgado escândalo. Com isso, já houve um aprofundamento das informações publicadas na revista Veja de sábado, que, claro, ainda não tinha condições de responder a todas as perguntas suscitadas pelo caso.
Não se pode dizer que a imprensa esportiva mudou. É cedo para isso. Até porque, no momento político que o Brasil vive, pode-se dizer que está “na moda” praticar jornalismo investigativo e isento de interesses. Resta torcer para que essa “moda” permaneça por muito tempo e que deixe algo plantado na tão heterogênea imprensa esportiva brasileira.
Ubiratan Leal
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