http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Porque a Série C deve ser tão temida | Página inicial | O River Plate, dois anos depois »

8/09/05

Brazil

A implosão do Santos

O Santos implodiu. Falar isso logo depois de uma derrota para o Corinthians por 1x7 parece incorrer no óbvio, mas esse processo se desenha há tempos e a goleada sofrida nesse domingo foi apenas uma conseqüência exagerada da série de equívocos cometidos na Vila Belmiro desde a saída de Robinho. E, por isso, um time que teria até condições de estar na luta pelo título caiu para oitavo lugar, com chances apenas teóricas de chegar à Libertadores. E que até já pensa na possibilidade de ficar de fora da Copa Sul-Americana.

O principal problema foi não saber como lidar com a perda de Robinho, tecnicamente o melhor jogador do elenco santista e uma referência para companheiros de time e para a torcida. Com a saída do atacante para o Real Madrid, o cenário santista era o seguinte: uma equipe boa para os padrões brasileiros, mas nada excepcional, dívidas milionárias e US$ 30 milhões a mais nos cofres.

Marcelo Teixeira não gastou nem um terço desse dinheiro, mas começou mal a administração desses recursos. Para montar bons times no Brasil são necessárias duas coisas: uma boa categoria de base e senso de oportunismo no mercado para pinçar jogadores úteis e acessíveis financeiramente. É a receita do Inter, que montou uma base de garotos e trouxe Jorge Wágner, Tinga e Fernandão. O mesmo vale para São Paulo, Goiás, Fluminense e até mesmo o Santos. Dinheiro em si não resolve, porque o futebol brasileiro não tem condições de manter gastos em nível europeu por muito tempo (o Corinthians-MSI não conta porque é uma situação fora da realidade e de objetivos duvidosos).

Por isso, o melhor para o Santos não era tentar contentar a torcida e fazer populismo trazendo jogadores de nome, mas de rendimento duvidoso, como Luizão e Cláudio Pitbull. Isso serviria apenas para torrar inutilmente parte do dinheiro de Robinho. Melhor seria manter a base, dar suporte para Ricardinho e Giovanni (essa sim uma contratação inteligente do Santos) e tentar manter o ritmo, ao lado de Fluminense, Corinthians, Internacional e Goiás. O planejamento, que vinha sendo razoavelmente mantido desde 2002, desapareceu. Marcelo Teixeira perdeu o foco e não conseguiu evitar que isso contaminasse o desempenho dos jogadores em campo.

O primeiro sinal foi a demissão nada justificável de Gallo. Apesar de alguns erros, o ex-meia fazia um bom trabalho e mantinha o time com um nível de competitividade aceitável. Considerando a experiência em decisão maior que a dos demais líderes, muitos ainda consideravam o Santos favorito. Porém, a chegada incompreensível de Nelsinho Baptista desestabilizou o elenco, que não entendeu as mudanças e foi obrigado a se adaptar a outro tipo de trabalho. Sem o grupo na mão, o novo técnico não encontrou a melhor formação e, pior, sequer conseguiu dos jogadores bons desempenhos individuais.

O gerenciamento do descontentamento pós-anulação dos jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho também foi problemático. A diretoria santista tinha todo o direito de se indignar e lutar pela manutenção da vitória sobre o Corinthians. Porém, o elenco se envolveu demais na polêmica, se preocupando mais na própria revolta e em esquentar o clima para o novo duelo com os corintianos do que em se preparar adequadamente. Tenso e desconcentrado em alguns momentos, o Peixe foi derrotado por 2x3 e perdeu completamente o rumo.

A torcida, inflamada, estava revoltada com o STJD e Luiz Zveiter. Porém, o Santos continuou patinando, mostrando desempenho pífio em várias partidas. Assim, os pontos perdidos na anulação do clássico contra o Corinthians deixaram de ser fundamentais para a saída do alvinegro praiano da disputa do título. E a indignação dos torcedores com a Justiça desportiva se transferiu para o próprio time.

Pressionada, desconcentrada e desmontada, a equipe não teria mais condições de recuperar seu futebol com facilidade. A diretoria, após tantos equívocos, não tinha mais autoridade para juntar os cacos. E a torcida ainda piora a situação invadindo o treino para “trocar uma idéia”, em uma atitude já vista em vários clubes, e que nunca teve conseqüências positivas.

A entrevista de Giovanni após a pressão da torcida no treino era o retrato do Santos. Atônito, quase mudo e sem a menor noção do que fazer para mudar o cenário. Entrando no gramado do Pacaembu com esse espírito, era difícil evitar a goleada.

Para 2005, o Santos ainda tem condições de ficar com uma vaga na Copa Sul-Americana. E, com os jogadores que tem, não seria difícil montar um time para disputar títulos no próximo ano. Mas, para isso, é preciso recuperar o foco e ter convicção suficiente do que faz para evitar as armadilhas que são as soluções imediatistas.

Ubiratan Leal

Deixe sua opinião (0)

Nedstat Basic - Free web site statistics