Após a vitória contra o Paysandu em Belém, o Internacional encostou na líder Ponte Preta e, pelo ritmo que vinha imprimindo, dava sinais de que assumiria a ponta em algumas rodadas e se colocaria entre os postulantes ao título. Pois a partir daí, o time perdeu três partidas seguidas, não vence há quatro partidas em casa, caiu para 8º (sem contar os jogos dessa quinta) e já perdeu o status de favorito. Na verdade, o colorado ainda tem uma das melhores equipes do Brasil, precisa apenas ser mais ambicioso para confirmar as expectativas criadas.
A seqüência negativa em casa é o principal sintoma. Independentemente de pressão da torcida e da estratégia de jogo do adversário (que pode, eventualmente, se retrancar e dificultar a vida do anfitrião), um time como o Internacional não pode ficar quatro partidas em casa sem vencer. E, pior, nos jogos contra Santos e Corinthians, em teoria dois concorrentes diretos ao título, o colorado não teve atitude, não se impôs. Em outras palavras, não mostrou que pode e sabe ser decisivo.
A passividade com que o campeão gaúcho encarou esses jogos incomodou. Era momento para o time ter acuado os adversários, mostrado que, no confronto direto, o Internacional merece ser respeitado e até temido. Isso é mais importante do que os pontos perdidos nesses jogos, mas até do ponto de vista psicológico. Imaginando que Corinthians, Internacional e Santos estejam lutando por algo – título ou vaga na Libertadores – até o fim do campeonato, o colorado terá dois confrontos diretos fora de casa, sendo que, no turno, não deu sinais de superioridade.
E não há motivos dessa falta de auto-estima por parte da equipe gaúcha. Os adversários estão longe de serem potências imbatíveis. Além disso, o colorado tem recursos técnicos mais do que suficientes para ficar entre os primeiros. Possui um meio-campo eficiente, um líder que assume a responsabilidade quando precisa (Fernandão) e atacantes rápidos e perigosos. E, melhor ainda, soube se reforçar muito bem no meio da campanha, com a contratação do bom Iarley, que ajudou a equilibrar ainda mais o setor criativo.
Aliás, a ausência de Iarley em algumas rodadas até poderia servir de desculpa ou justificativa para a queda de rendimento do clube. Mas se satisfazer com essa explicação é abusar da passividade. Primeiro, porque o colorado estava bem no campeonato antes da entrada do meia-atacante. Outro motivo é que um time que busca o título não pode mostrar-se tão dependente de um jogador.
Analisando do ponto de vista técnico e tático, o Internacional ainda tem problemas sérios na defesa. Clemer, apesar de experiente, é instável. Wílson e Índio formam um miolo de zaga lento e que, por isso, se torna vulnerável em jogadas rápidas. O próprio estilo mais ofensivo de toda a equipe jogar ajuda a expor a defesa ainda mais.
Por isso, os gaúchos até poderiam ir para cima e, ainda assim, perder do Santos em um contra-ataque e empatar com o Corinthians. Porém, a atitude mais corajosa e autoconfiante do colorado faria diferença. Um comportamento de quem quer ser campeão, não de quem se contenta em brigar pela Libertadores. E, se o próprio Internacional não acredita em si mesmo, será mais difícil que os concorrentes o façam.
Ubiratan Leal