Definir os critérios de desempate não é tão fácil, que devesse ser feito com um simples decreto da organização de um torneio. Pois, mais do que apontar qual clube leva vantagem em relação a outro após uma igualdade de pontos, denota a filosofia da entidade e pode até pautar a forma de atuação dos clubes durante a competição, principalmente nas rodadas finais. E nem sempre essas conseqüências são as desejadas por quem definiu tais critérios. Por isso, o Balípodo aponta os prós e contras de cada método para desempatar equipes.
Saldo de gols
Como é: dá preferência à equipe que conta com maior diferença entre o número de gols marcados e de gols sofridos.
Quem usa: é o preferido pela Fifa em suas competições. Também é o mais importante na Bundesliga.
Vantagens: incentiva as equipes a buscarem o gol mesmo quando a vitória está garantida ou quando a derrota é certa.
Desvantagens: abre a possibilidade de uma equipe desinteressada “entregar” ou se deixar golear nas rodadas finais para favorecer um ou outro time.
Vitórias
Como é: leva vantagem a equipe com maior número de vitórias durante a competição
Quem usa: sistema preferido por boa parte do futebol brasileiro em geral, sobretudo as comeptições da CBF (Campeonato Brasileiro das Séries A e B).
Vantagens: em teoria, incentiva as equipes a buscarem a vitória (e se arriscarem a perder algumas partidas) ao invés de se contentarem com vários empates. Outro aspecto positivo é evitar que um clube desinteressado tenha influência muito grande em favor de um adversário ainda na disputa.
Desvantagens: a introdução do sistema de três pontos por vitória é um meio mais eficiente de induzir os times a lutar pela vitória. Além disso, ao dar o mesmo peso a qualquer tipo de vitória, o critério não incentiva um time com o triunfo assegurado a continuar atacando, o que faz com que um acúmulo de 1x0 não seja de todo mal. Por fim, costuma se inócuo em certames com poucas partidas disputadas, como em quadrangulares.
Confronto direto
Como é: dá vantagem ao time que teve melhor desempenho no confronto com a equipe que está em igualdade de pontos. Caso sejam mais de duas equipes, alguns torneios prevêem a “classificação avulsa”, em que é computado apenas os desempenho dos três ou quatro (ou até mais) clubes empatados.
Quem usa: é o critério preferido pela Uefa. Também é utilizado na Liga Espanhola e na Superliga de Portugal. Na Itália, é o segundo critério mais importante.
Vantagens: a equipe eliminada dificilmente pode acusar uma terceira de facilitar a trajetória do rival, pois terá caído por causa de seu próprio desempenho.
Desvantagens: em torneios de um turno apenas, o método é injusto, pois uma das equipes jogou em casa no único confronto direto (a não ser que se trate de um clássico regional). A “classificação avulsa” é difícil de entendimento imediato do público.
Jogo-extra
Como é: decide-se em campo quem fica com a vantagem. Pode ser em uma partida em campo neutro ou duas, em ida e volta.
Quem usa: Campeonato Italiano
Vantagens: a decisão fica para os competidores em igualdade, com pouca possibilidade de que outras equipes possam influenciar (os tais “resultados arranjados”). Outro aspecto positivo é que é algo injusto dar vantagem a um time em relação a outro por causa de um gol ou uma vitória após permanecerem em igualdade de pontos em mais de 30 rodadas.
Desvantagens: se o regulamento previr partida única em campo neutro, sempre há a possibilidade de eventuais injustiças ou que eventos de uma partida isolada (erro de arbitragem, por exemplo), seja definitivo. Se a decisão for em duas aprtidas, quem atuar a aegunda em casa terá vantagem. No caso de a definição do segundo mandando se der por algum outro critério de desempate (saldo de gols, vitórias...), ainda há algum sentido. Entretanto, normalmente essa definição é por sorteio. Por fim, pode haver dificuldade de encontrar datas para realizar o desempate.
Gols prós
Como é: sempre aparece como critério secundário e, em geral, dá vantagem à equipe que fez mais gols caso haja empate em saldo de gols
Quem usa: quase todas as entidades que não usem confronto direto ou jogo-extra como primeira instância.
Vantagens: em tese, induz as equipes a sempre buscarem o gol, por mais que a partida esteja definida.
Desvantagens: como só é empregado como segundo ou terceiro critério de desempate, raramente é utilizado e acaba não influenciando no comportamento das equipes durante o campeonato.
Gols fora de casa
Como é: sempre é critério secundário, muito utilizado em em mata-mata ou após igualdade das equipes no critério de confronto direto.
Quem usa: competições interclubes da Europa, Copa do Brasil e, agora, a Conmebol.
Vantagens: dá mais emoção e faz com que o visitante não se contente em segurar o 0x0 em um mata-mata.
Desvantagens: não é um critério exatamente técnico, pois, em teoria, a equipe que perde por 1x2 não é melhor que a derrotada por 0x1. Outro problema é que, caso um time vença em casa sem sofrer gols e saia na frente no jogo de volta, como visitante, pode resolver prematuramente a eliminatória e transformar o restante da segunda partida em formalidade.
Gols contra
Como é: método raro de desempate, dá vantagem à equipe que sofreu menos gols durante o torneio.
Quem usa: é utilizado apenas eventualmente, sobretudo no Brasil.
Vantagens: é um critério técnico válido para as entidades que gostam de colocar várias possibilidades antes de ter de partir para sorteio ou jogo-extra.
Desvantagens: é raro encontrar pessoas simpáticas a um critério que privilegia as defesas mais fechadas e, em teoria, induz os times a preferirem evitar gols do que amrcar. Também é um critério sem o menor sentido em competições que já empregam saldod e gols e gols prós. Afinal, se a diferença entre gols feitos e sofridos é a mesma e o número de gols prós também é igual, a lógica matemática mostra que a quantidade de tentos contra será a mesma. E tem federação no Brasil que até hoje não percebeu isso.
Goal average
Como é: dividir o número de gols feitos pelos sofridos.
Quem usa: está em desuso, mas já foi muito comum na Europa.
Vantagens: em tese, dá vantagem a quem buscar sempre aumentar o marcador, mesmo em jogos já decididos. Mais ou menos como no saldo de gols.
Desvantagens: é confuso e exige o uso de calculadora. Mas o pior é que quase sempre dá vantagem à equipe que marca e sofre poucos gols do que à equipe que marca e sofre muitos gols. Por exemplo, o Athletic de Bilbao foi campeão espanhol de 1984 com o mesmo número de pontos e saldo de gols do Real Madrid. Os merengues haviam feito (e sofrido) um gol a mais, mas perdiam no goal average.
Renda/público
Como é: classifica-se a equipe com melhor média de renda e/ou público.
Quem usa: já foi empregado no Brasil durante a década de 1970.
Vantagens: aumenta a média de público do torneio.
Desvatagens: favorece os ricos, não tem nenhum valor técnico, permite que uma equipe rebaixada se classifique, dá margem para que clubes façam promoções que alterem artificialmente sua média de renda e/ou público, não induz de forma alguma que um time busque mais gols e vitórias e não inibe eventuais arranjos de resultados. E, convenhamos, é esdrúxulo.
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Para não dizer que esse site fica em cima do muro, o Balípodo se coloca em favor do jogo-extra (em dois jogos, sendo que o mandante do segundo é definido por saldo de gols) em torneios de pontos corridos e do saldo de gols em campetições curtas, como Copa do Mundo. Em mata-mata, o número de gols fora de casa é válido após o saldo de gols.
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Caso o leitor tenha se lembrado de algum outro critério ou de vantagens e desvantagens não apontadas aqui, sinta-se livre para se manifestar nos comentários.
Ubiratan Leal