Na final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Flamengo, o narrador Galvão Bueno foi alvo de xingamentos, ameaças e outras coisas pouco agradáveis de parte da torcida azul que estava no Mineirão. Por esse motivo, ele não foi a Belo Horizonte transmitir o decisivo Cruzeiro x Paysandu, o que, claro, reduziu a qualidade de seu trabalho. Mas já surge uma alternativa mais barata para se transmitir jogos “no estádio” sem sofrer ameaças ou arcar com os custos de passagem aérea e hospedagem de narrador e comentarista. É a videoconferência chegando no futebol.
O sistema é um meio termo entre a transmissão nas cabines e a feita do estúdio, diante de um aparelho de televisão. Nesse método, o narrador e o comentarista ficam no estúdio, mas vêm tudo o que acontece em campo por um monitor de computador com câmera ligado na internet. E quem olhar a cabine poderá ver a equipe de transmissão em um monitor instalado no estádio. “Essa tecnologia permite uma transmissão menos fria que a tradicional feita do estúdio, pois, de alguma forma, estamos dentro do estádio”, comenta um narrador de rádio que utilizou a tecnologia de forma experimental.
Em comparação com a transmissão diante do vídeo, a videoconferência tem a vantagem de permitir que a visão de narrador e comentarista não se limitem às câmeras da transmissão. Como a visão deles é feita pela câmera instalada no monitor, é possível virar o monitor para ver um detalhe do campo ou do estádio sem prejudicar a imagem que chega aos telespectadores. Para isso, basta haver um produtor na cabine em contato com a equipe de transmissão, direcionando a câmera do computador sempre que for requisitado.
Na verdade, as melhorias nas condições de segurança dos jornalistas é uma questão secundária. O grande benefício é mesmo financeiro. Sem ter de bancar a ida de narrador, repórter e comentarista para outra cidade, as emissoras de televisão economizarão um bom dinheiro, medida importante em um período de crise financeira nos meios de comunicação.
Ubiratan Leal
Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência