Pelo segundo ano consecutivo, a revista Placar publicou uma edição dedicada apenas aos campeonatos europeus. A iniciativa é louvável e indica uma tentativa de aproveitar o aparente aumento de interesse do torcedor brasileiro pelo futebol do Velho Continente. Não consegue ter a mesma profundidade de publicações européias, mas, dentro de certos parâmetros, até que cumpre seu papel.
A principal diferença nesse aspecto é o nível de conhecimento do brasileiro a respeito dos campeonatos europeus. O interesse é cíclico e, mesmo em um momento de alta como o atual, não dá para dizer que o torcedor daqui entende as minúcias e nuances do futebol de lá. É uma pena, nem tanto pelo fato de a revista não ter um padrão de detalhamento tão grande quanto outras européias, mas porque talvez essa realmente tenha sido a melhor opção editorial.
O objetivo da edição especial parece ter sido fazer uma apresentação dos campeonatos, clubes e jogadores. Muito pouco de esquemas táticos, explicação a respeito do mercado de transferências entre temporadas ou análises dos clubes pequenos. O importante é situar o leitor sobre os torneios antes (ou durante) de assistir aos jogos pela televisão.
Cada campeonato – Espanhol, Italiano, Inglês, Alemão, Português, Francês e Liga dos Campeões – tem um texto de apresentação, um depoimento de algum brasileiro que joga no país em questão, e matérias sobre as equipes. As favoritas receberam duas páginas, as fortes, uma, e as demais, apenas um quadrinho resumido.
Essa é uma falha que poderia ser mais bem dimensionada. Claro que Milan, Juventus, Barcelona, Bayern de Munique, Porto ou Arsenal devem ter mais espaço, mas, no fundo, muitos torcedores já conhecem essas equipes. O que não ocorre com os pequenos. Por exemplo, em um Arsenal x Crystal Palace, o telespectador até conhece um pouco os gunners, mas tem pouca idéia da situação do pequeno clube do sul de Londres. E o Guia dos Europeus acaba não ajudando muito nesse aspecto.
Pelo menos, a revista parece ter acertado em um aspecto. Sem concorrentes – o que não ocorre na publicação de guias do Campeonato Brasileiro –, a Placar não precisou adiantar o lançamento da edição para chegar antes nas bancas e ganhar mercado. Assim, preferiu esperar um pouco e sair com os torneios em andamento. Pode parecer ruim à primeira vista, mas essa decisão evitou que o Guia dos Europeus saísse com informações muito defasadas e sem registrar as últimas – e muitas vezes mais importantes – movimentações de mercado.
No todo, a revista tem o mérito de atender ao amante do futebol europeu que não tem acesso a publicações inglesas, italianas, alemãs ou espanholas. E, por mais que falte alguma profundidade, serve de referência.
Ubiratan Leal
Imagem: Placar