Como já foi apontado por Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil, o campeonato está “nivelado pelo meio” (termo meu, o comentarista já disse não gostar desse tipo de expressão). Não está ruim como, por exemplo, em 1990, mas falta um time que todos reconheçam como forte. Da maneira como está, permanecer entre os primeiros não representa mérito algum.
O equilíbrio faz com que se perca e ganhe com naturalidade, o que é visto pelo torcedor como algo negativo, como se os erros das derrotas tivessem peso maior que os acertos das vitórias. O torcedor fica sem confiança em seu clube e não sente motivação para acompanhá-lo. A média de público desaba e a sensação de que o campeonato está ruim cresce. O são-paulino não vê valor na liderança compartilhada de seu clube ao final do turno, pois os co-líderes seriam equipes vulneráveis. Ao contrário do Cruzeiro e do Santos de 2003.
E não é só em campo que há nivelamento. No aspecto administrativo, ninguém tem se destacado também. Afinal, entre os três líderes no final do primeiro turno, o Santos começou o torneio tentando se implodir, a Ponte Preta não pára de trocar (a contragosto) de técnico e o São Paulo não sabe mais como domar a oposição interna e as exigências da torcida. Até o São Caetano tem dado sinais de instabilidade ao ver o surgimento de um rival local, o Santo André. Há bons sinais vindo de Figueirense e Goiás, mas nada que possa servir como modelo de gestão, como se via de forma exagerada o Cruzeiro de Luxemburgo.
Por isso, dar muitas perspectivas para os segundo turno é arriscado. Até porque qualquer um pode reverter a situação atual sem muita dificuldade. Se o Fluminense resolver seu dilema filosófico, pode perfeitamente dar um salto e brigar por uma vaga na Libertadores. O mesmo pode ocorrer com o Cruzeiro caso se lembre do que fez em 2003. Ou Ponte Preta, Goiás e Juventude, se provarem que a desconfiança de que não terão fôlego é infundada. Ou Coritiba e Corinthians, se mantiverem a reação do final do turno... Até para os que têm as piores perspectivas – Flamengo, Paysandu, Guarani, Botafogo e Paraná – vale a idéia de que uma pequena melhora já pode ser suficiente para ganhar algumas posições nesse campeonato.
Nesse torneio que une equilíbrio, emoção e baixo nível técnico, o torcedor e a imprensa precisam de um mapa. O que só virá quando houver uma hierarquia, uma definição clara da relação de forças entre os clubes. Algo que mostre com clareza quem luta pelo título, quem está no bloco intermediário e quem deve fugir da Série B.
Isso acontecerá em algum momento. Pelo que se viu até agora, os que mostram mais força para lutar pelo título por mais 23 rodadas são Santos, Palmeiras, São Paulo e Atlético-PR. Têm elencos mais equilibrados e estão em uma fase mais favorável. De comum, só isso. Pois esse campeonato tem sido pródigo em unir clubes em realidades diferentes.
Ubiratan Leal
Imagens: Terra