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9/07/04

Histórias

Décadas de 1990 e 2000

1991
A Copa América de 1991, disputada no Chile, foi bastante diferente da anterior. Após a péssima campanha na Copa da Itália, o Brasil implementou um profundo processo de renovação. Paulo Roberto Falcão foi designado como técnico na busca da CBF por um Beckenbauer (campeão pela Alemanha Ocidental) brasileiro.

Durante quase um ano, ele não convocou jogadores que atuassem na Europa. Para a Copa América, chamou apenas quatro: Taffarel (Parma-ITA), Mazinho (Lecce-ITA), João Paulo (Bari-ITA) e Branco (Genoa-ITA). Vendo 13 anos depois, é possível perceber com clareza como aquela era uma seleção experimental. Goleiros: Taffarel, Sérgio (Santos) e Ronaldo (Corinthians); laterais: Mazinho, Branco, Cafu (São Paulo) e Lira (Goiás); zagueiros: Cléber (Atlético-MG), Ricardo Rocha (São Paulo), Wilson Gottardo (Flamengo) e Márcio Santos (Internacional); volantes: Mauro Silva (Bragantino), Valdir (Atlético-PR) e Márcio (Corinthians); meias: Luís Henrique (Bahia), Neto (Corinthians) e Raí (São Paulo); atacantes: Renato Gaúcho, João Paulo, Careca Bianchesi (Palmeiras), Mazinho Oliveira (Bragantino) e Sílvio (Bragantino).

Porém, não foi apenas o Brasil que resolveu radicalizar. O Uruguai tentou incentivar o crescimento de novos jogadores e deixou de lado a geração relativamente vitoriosa da década anterior. Todos os charrúas convocados atuavam em clubes locais, como Peñarol, Nacional, Defensor, Danubio, Bella Vista e até Liverpool (de Montevidéu). Passos parecidos deu o Paraguai. De fato, das principais forças do continente apenas Colômbia e Chile estiveram com suas seleções principais.

Isso porque a idéia de privilegiar os jogadores “nacionais” também acometeu a Argentina. Vice-campeã mundial no ano anterior, a seleção platina teve mais sorte nas apostas que fez. No grupo convocado por Alfio Basile estavam atletas como Batistuta, Latorre (que acabou sumindo anos depois), Basualdo, Astrada, Darío Franco, Simeone e Goycochea. O único “estrangeiro” foi Caniggia, da Atalanta-ITA.

Com esse time, a Argentina surpreendeu, apresentando um futebol ofensivo e envolvente, claramente em um nível acima das demais seleções sul-americanas. Assim, os gauchos não tiveram dificuldades em ficar em primeiro lugar no Grupo 1, com vitórias convincentes sobre Chile, Paraguai, Peru e Venezuela. Em casa, tentando apagar a má imagem deixada nas Eliminatórias para a Copa de 1990 e enfrentando adversários enfraquecidos, os chilenos conseguiram um segundo lugar no grupo.

A outra chave foi mais equilibrada. O Brasil não encontrava seu melhor jogo desde a chegada de Falcão. Como o Uruguai também não vinha bem, as seleções médias do grupo conseguiram equilibrar. Na primeira rodada, a Colômbia venceu o Equador (1 x 0) e Uruguai e Bolívia empataram (1 x 1). Em seguida, os charrúas voltaram a empatar (1 x 1 com o Equador), enquanto o Brasil sofria para bater a Bolívia por 2 x 1. Na terceira rodada, mais equilíbrio: Colômbia 0 x 0 Bolívia e Brasil 1 x 1 Uruguai.

A relação de forças grupo só ganhou desenhos mais claros nas duas últimas rodadas. O Equador venceu a Bolívia por 4 x 0 e mostrou o futebol que surpreendeu o continente dois anos antes. Enquanto isso, o Brasil perdeu para a Colômbia (2 x 0) após uma atuação nula.

Na última rodada, a Colômbia estava praticamente classificada, com 5 pontos. Brasil, Uruguai e Equador vinham com 3 e a Bolívia, já eliminada, com dois. Na primeira partida da rodada decisiva, o Uruguai finalmente saiu do 1 x 1 e venceu inesperadamente a Colômbia por 1 x 0. Com esse resultado, o Brasil teria de vencer o Equador por dois gols de diferença. Empate ou vitória brasileira por um gol classificaria o Uruguai. O Equador passaria se vencesse por qualquer placar.

Foi um jogo emocionante. Sem padrão de jogo suficiente, o Brasil tentou compensar na correria e na determinação. Conseguiu fazer 1x0 logo aos 8 minutos, com Mazinho Oliveira. Muñoz empatou aos 12 minutos e esfriou o ânimo brasileiro. No segundo tempo, Márcio Santos recolocou o Brasil na frente aos 9 minutos. A partir daí, a partida seguiu no clima desesperado. Com menos talento, mas melhor conjunto, o Equador conseguia barrar o ataque brasileiro e até ameaçar o gol de Taffarel. Até os 44 minutos, quando Luís Henrique aproveitou um contra-ataque e fez o gol da classificação brasileira.

Com esse resultado, o Brasil ficou em segundo lugar no grupo e estreou no quadrangular final justamente contra a Argentina. A expectativa era a de grande domínio platino, mas foi a melhor partida do Brasil sob o comando de Falcão. Logo a 1 minuto, Franco colocou a albiceleste na frente. Branco empatou em seguida. O jogo seguia equilibrado, mas o melhor conjunto argentino ficava evidente no aproveitamento das jogadas. Aos 39 minutos, Franco fez o segundo gol e Batistuta ampliou no início do segundo tempo. Ainda assim, o Brasil teve forças para diminuir com João Paulo e chegou perto de um empate.

Esse foi o jogo do título, pois, com a queda de rendimento da Colômbia, os argentinos não tiveram grandes dificuldades em administrar a diferença de pontos para os brasileiros. Empataram com o Chile em 0 x 0 e garantiram o título com um 2 x 1 sobre os colombianos. O Brasil venceu suas partidas restantes por 2 x 0 e assegurou o vice-campeonato. Mas essa melhora de desempenho nas últimas três partidas não foi o suficiente para salvar o emprego de Falcão, substituído temporariamente por Ernesto Paulo e definitivamente por Carlos Alberto Parreira ainda em 1991.

Argentina 1991.jpg

FICHA TÉCNICA
Argentina 2 x 1 Colômbia
Quadrangular final da Copa América 1991
Data:
21 de julho de 1991
Local: estádio Nacional (Santiago)
Público: 50 mil
Árbitro: Juan Francisco Escobar (Paraguai)
Argentina: Goycochea; Basualdo, Vázquez, Ruggeri e Altamirano; Simeone, Franco, Astrada e Leo Rodríguez (Giunta); Caniggia e Batistuta
Colômbia: Higuita; Cabrera, Perea, Escobar e Osorio; Alvarez, Pimentel, Rincón (Valenciano) e Valderrama; De Ávila e Usuriaga (Redín)
Gols: Simeone (11/1º), Batistuta (19/1º) e De Avila (25/2º)

1995
Em 1995, a Copa América tomou seu formato atual. Com o convite a países de outros continentes, foi possível montar um torneio com 12 seleções. Assim, elas foram divididas em três grupos de quatro equipes, com as duas primeiras de cada chave, mais as duas melhores terceiras, passando para as quartas-de-final. Para o torneio organizado pelo Equador, foram convidados os dois melhores times do resto da América: México e Estados Unidos.

No Grupo A estiveram Equador, Uruguai, Venezuela e Estados Unidos. Com uma seleção em crescimento, a torcida a favor e a altitude de Quito, os donos da casa conseguiram passar sem perder um ponto sequer. O Uruguai venceu os Estados Unidos e ficou com o segundo lugar. A Venezuela teve um papel digno, ao empatar com charrúas e norte-americanos. No entanto, a goleada sofrida para o Equador (1 x 6) tornou o saldo de gols vinotinto muito ruim, o que foi decisivo para a desclassificação. Ainda assim fizeram o artilheiro da competição, Dolguetta, com 4 gols. Os estadunidenses fizeram apenas um ponto e terminaram na última colocação do torneio todo.

Houve muito mais equilíbrio nas outras duas chaves. A B foi a considerada mais forte da competição, com um grande (Brasil) e três forças intermediárias do continente (Paraguai, Chile e Peru). Novamente os brasileiros priorizaram jogadores que atuavam no futebol doméstico. No caso, era uma forma de poupar a equipe principal para as Eliminatórias a serem disputadas no mês seguinte.

O único “estrangeiro” do grupo foi Taffarel, então terceiro goleiro do Parma. Mas, ao contrário do que ocorreu em 1991, já havia um grupo com jogadores mais experientes e de qualidade conhecida (mesmo nas limitações). Goleiros: Taffarel, Carlos (Portuguesa) e Zetti (São Paulo); laterais: Cafu (São Paulo), Roberto Carlos (Palmeiras) e Luís Carlos Winck (Grêmio); zagueiros: Antônio Carlos (Palmeiras), Válber (São Paulo), Henrique (Corinthians) e Paulão (Grêmio); volantes: César Sampaio (Palmeiras), Luisinho (Vasco); meias: Marco Antônio Boiadeiro (Cruzeiro), Palhinha (São Paulo), Zinho (Palmeiras), Marquinhos (Flamengo) e Edílson (Palmeiras); atacantes: Edmundo (Palmeiras), Müller (São Paulo), Viola (Corinthians), Almir (Santos) e Elivélton (São Paulo).

Na estréia, o Brasil sentiu a altitude de Cuenca e ficou em um pálido 0 x 0 com o Peru, enquanto o Paraguai venceu o Chile por 1 x 0. Na segunda rodada, os brasileiros voltaram a jogar mal e perderam por 3 x 2 para o Chile, com dois gols do atacante Zambrano e um do meia Sierra. A dupla são-paulina Müller e Palhinha fizeram os gols verde-amarelos. O Paraguai empatou com o Peru em 1 x 1 e continuava na liderança. Completando a chave, o Peru venceu o Chile por 1 x 0 e garantiu a classificação. O Brasil dependia de uma vitória, e a conseguiu com uma boa apresentação. Edmundo e Palhinha (duas vezes) marcaram nos 3 x 0 e os brasileiros asseguraram o segundo lugar, atrás dos peruanos. O Paraguai passou na repescagem.

No Grupo C, Argentina e Colômbia estrearam com vitórias (1 x 0 na Bolívia e 2 x 1 no México respectivamente). Depois disso, apenas empates. Pelo número de gols marcados, os cafeteros ficaram em primeiro e os mexicanos em terceiro.

As quartas-de-final começaram com uma vitória fácil do Equador sobre o Paraguai: 3 x 0, sendo que Chilavert ainda defendeu um pênalti. No mesmo dia, a Colômbia tinha extrema dificuldade para passar pelo Uruguai tendo de contar com a disputa de pênaltis para ir às semifinais. A surpresa da fase foi o México, que massacrou o Peru por 4 x 2 (os aztecas fizeram 4 x 0 e administraram a vantagem no segundo tempo).

O jogo mais aguardado foi o clássico entre Brasil e Argentina. Sem a altitude, era esperado que o desempenho brasileiro melhorasse. Isso até aconteceu, mas a verdade é que a partida decepcionou. Müller colocou os verde-amarelos na frente no primeiro tempo, mas Leo Rodríguez empatou na segunda parte. Nos pênaltis, as duas seleções forma impecáveis nas cinco cobranças regulares. Mas os platinos tiveram mais sorte na primeira rodada de desempate. Goycochea defendeu a cobrança de Boiadeiro e Borrelli ratificou a classificação argentina.

Na primeira semifinal, o México mostrou que encontrara seu melhor futebol e venceu de forma incontestável o Equador, 2 x 0 em um belo jogo. Para chegar à final, argentinos e colombianos tiveram de passar por nova rodada de pênaltis (após um 0 x 0). E, mais uma vez, Goycochea defendeu a sexta cobrança (dessa vez, de Aristizábal) e Borrelli fez o gol do triunfo platino.

O Equador tinha convicção de que chegaria à sua primeira final continental (e mostrou futebol que justificasse essa expectativa). Após a derrota para os mexicanos, a seleção da casa não teve entusiasmo na disputa do terceiro lugar e perdeu para a Colômbia por 1 x 0 em Portoviejo.

Na final, Argentina e México fizeram uma boa partida. Tecnicamente superiores, os sul-americanos tinham a iniciativa do ataque, mas os norte-americanos tinham uma equipe bem armada e também eram perigosos. Os gols aconteceram em um intervalo de 11 minutos. Aos 18 do segundo tempo, Batistuta colocou a Albiceleste na frente. Quatro minutos depois, Galindo empatou para os aztecas, mas Batigol voltou a marcar aos 29 minutos. O segundo gol desanimou os mexicanos, que partiram para tentativas menos organizadas de ataque. Em vão. O título era argentino pela 14ª vez.

Argentina 1993.jpg

FICHA TÉCNICA
Argentina 2 x 1 México
Final da Copa América 1993
Data:
4 de julho de 1993
Local: estádio Monumental Isidro Romero Corbo (Guaiaquil)
Público: 40 mil
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (Brasil)
Argentina: Goycochea; Basualdo, Ruggeri (Cáceres), Borrelli e Altamirano; Zapata, Simeone, Redondo e Gorosito (Leo Rodríguez); Batistuta e Acosta
México: Jorge Campos; Ramón Ramírez, Suárez, Ramírez Perales e Gutiérrez (Flores); Patiño (Luis García), Ambriz, García Aspe e Galindo; Hugo Sánchez e Zaguinho
Gols: Batistuta (18/2º), Galindo (22/2º de pênalti) e Batistuta (29/2º)

1995
Em 1995, o Uruguai recebeu a Copa América pela 7ª vez. Nas seis anteriores, a seleção da casa ficou com o título. Para manter o aproveitamento, os uruguaios deixaram de lado a política de privilegiar jogadores que defendessem clubes do país. Com a experiência e talento de Francescoli, Rubén Sosa, Poyet, Fonseca, Martinez e Bengoechea, os charrúas eram novamente candidatos ao título.

Mostraram isso logo na primeira fase, vencendo o Grupo A com relativa facilidade. Bateram paraguaios e venezuelanos e empataram com os mexicanos. O segundo lugar ficou com os guaranies, enquanto os aztecas passaram na repescagem.

O outro favorito ao título estava no Grupo B. Campeão do mundo no ano anterior, o Brasil trouxe parte da base da Copa dos Estados Unidos e acrescentou com alguns jogadores do futebol doméstico, possíveis integrantes do grupo do Mundial de 1998. Dessa vez, o número de atletas “estrangeiros” era maior. Zagallo convocou os goleiros Taffarel (Atlético-MG), Dida (Cruzeiro) e Danrlei (Grêmio), os laterais Jorginho (Kashima Antlers-JAP), Roberto Carlos (Palmeiras), Rodrigo (Vitória) e Leonardo (Kashima Antlers), os zagueiros Aldair (Roma-ITA), Ronaldão (Shimizu-JAP), André Cruz (Napoli-ITA) e Narciso (Santos), os volantes Dunga (Jubilo Iwata-JAP), César Sampaio (Yokohama Flügels-JAP) e Leandro (Vasco), os meias Juninho (São Paulo), Zinho (Yokohama Flügels), Beto (Botafogo) e Souza (Corinthians), e os atacantes Edmundo (Palmeiras), Túlio (Botafogo), Ronaldo (PSV Eindhoven-HOL) e Sávio (Flamengo).

Mesmo sem um futebol brilhante, o Brasil confirmou as expectativas e terminou em primeiro lugar, com vitórias sobre Equador, Peru e Colômbia. A Colômbia ficou com o segundo lugar e o Equador, pior terceiro colocado, não passou de fase.

Do Grupo C veio a maior surpresa da Copa América de 1995. A Argentina – que unia a experiência de jogadores como Batistuta, Simeone, Chamot e Balbo com os promissores Zanetti, Ayala, Ortega e Gallardo – começou bem, com vitórias sobre Bolívia (2 x 1) e Chile (4 x 0). Enquanto isso, os Estados Unidos lutavam pelo segundo lugar com os bolivianos, com vantagem para os andinos após a vitória no confronto direto (1 x 0, gol de Etcheverry).

Na última rodada, a Bolívia empatou com o fraco Chile e conseguiu a classificação (mesmo que pela repescagem). Para ficar com o segundo lugar, só precisavam que os argentinos empatassem com os norte-americanos. No entanto, os platinos entraram em campo com uma equipe mista, visando poupar os titulares para as quartas-de-final. A soberba custou caro. Os Estados Unidos se aproveitaram para aplicar uma inesperada goleada. Os 3 x 0 – gols de Klopas, Lalas e Wynalda – alçaram os estadunidenses no primeiro lugar da chave, colocando os argentinos no caminho do Brasil.

Nas quartas-de-final, a Colômbia passou pelo Paraguai apenas nos pênaltis. O Uruguai teve mais facilidade e se impôs diante da Bolívia por 2 x 1. Em um clássico da América do Norte, os Estados Unidos empataram com o México em 0 x 0, mas ganharam nos pênaltis por 4 x 1.

O jogo mais aguardado foi o clássico Brasil x Argentina, pela segunda vez seguida visto nas quartas-de-final do torneio. O favoritismo era brasileiro, mas Balbo fez 1 x 0 para os platinos no primeiro minuto de jogo. Edmundo empatou pouco depois, mas Batistuta fez 2 x 1 para o gauchos ainda no primeiro tempo. O Brasil partiu em busca do empate, mas não conseguia passar pela defesa adversária.

Até que Túlio recebeu um lançamento um pouco mais longo que o necessário. Só dominaria a bola se usasse o braço. Foi o que botafoguense fez de forma descarada, mas ignorada pelo árbitro peruano Alberto Tejada. O atacante aproveitou e tocou no canto de Cristante, para protestos dos argentinos. Esse empate levou o jogo para os pênaltis e, com duas defesas de Taffarel, os verde-amarelos garantiram um lugar nas semifinais.

O primeiro finalista foi o Uruguai, que usou a pressão da torcida para encurralar a Colômbia e vencer por 2 x 0. O Brasil, com um gol de Aldair aos 13 minutos, bateu os Estados Unidos em um pavoroso 1 x 0. Na disputa do terceiro lugar, a Colômbia goleou os norte-americanos por 4 x 1.

A final foi realizada em um estádio Centenário lotado. O jogo foi nervoso e o 1 x 1 do tempo normal (gols de Túlio e Bengoechea) foi justo. Nos pênaltis, Alvez defendeu a cobrança de Túlio e o título ficou mais uma vez para o Uruguai. Taffarel, além de não defender pênalti algum (o que não é obrigação dele), foi responsabilizado por falhar no golpe de vista do gol charrúa e ficou afastado da seleção até 1997.

Uruguai 1995.jpg

FICHA TÉCNICA
Uruguai 1 x 1 Brasil (5 x 3 nos pênaltis)
Final da Copa América 1995
Data:
23 de julho de 1995
Local: estádio Centenario (Montevidéu)
Público: 60 mil
Árbitro: Arturo Brizio Carter (México)
Uruguai: Alvez; Méndez, Herrera, Moas e Silva (Adinolfi); Dorta (Bengoechea), Gutiérrez, Poyet e Francescoli; Fonseca (Martínez) e Otero
Brasil: Taffarel; Jorginho, Aldair, André Cruz e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Juninho (Beto) e Zinho; Edmundo e Túlio
Gols: Tulio (30/1º) e Bengoechea (6/2º)
Cartões amarelos: Herrera, Poyet, Méndez, Roberto Carlos, Zinho, Juninho e Dunga
Pênaltis: Francéscoli (gol), Roberto Carlos (g), Bengoechea (g), Zinho (g), Herrera (g), Tulio (defesa), Gutiérrez (g), Dunga (g) e Martínez (g)

1997
Em 1997, a Copa América entrou na fase atual, em que é vista como um incômodo para os participantes, que preferem levar uma seleção reserva ou mista para a competição. No caso dessa edição, disputada na Bolívia, o principal motivo eram as Eliminatórias para a Copa de 1998 que estavam em fase decisiva. Nem os Estados Unidos aceitaram o convite, cedendo sua vaga à Costa Rica.

Por isso, havia um favorito muito claro. O Brasil, poupado do torneio classificatório devido ao título em 1994, esteve com sua equipe principal, necessitada de jogos oficiais e competitivos na preparação para o Mundial da França. Foram chamados os goleiros Taffarel (Atlético-MG) e Carlos Germano (Vasco), os laterais Cafu (Palmeiras), Roberto Carlos (Real Madrid-ESP), Zé Maria (Parma-ITA) e Zé Roberto (Real Madrid), os zagueiros Aldair (Roma-ITA), Márcio Santos (Atlético-MG), Célio Silva (Corinthians) e Gonçalves (Botafogo), os volantes Mauro Silva (La Coruña-ESP), Dunga (Jubilo Iwata-JAP), César Sampaio (Yokohama Flügels-JAP) e Flávio Conceição (La Coruña), os meias Giovanni (Barcelona-ESP) Leonardo (Paris Saint-Germain-FRA) e Djalminha (Palmeiras) e os atacantes Ronaldo (Barcelona), Romário (Flamengo), Denílson (São Paulo), Paulo Nunes (Grêmio) e Edmundo (Vasco).

Com esse time, o Brasil foi primeiro colocado no Grupo C, vencendo a Costa Rica por 5 x 0, o México por 3 x 2 (após estar com um 0 x 2 contra) e a Colômbia por 2 x 0. O segundo lugar ficou com os mexicanos, que venceram os colombianos e empataram com os costarriquenhos. Os cafeteros passaram na repescagem.

Se alguma equipe poderia atrapalhar a caminhada verde-amarela, era a Bolívia. O time verde não era nenhum esquadrão, mas era a única seleção titular além da brasileira, havia um forte incentivo da torcida local (até porque a classificação para a Copa já estava perdida) e a altitude de La Paz. Por isso, não foi surpreendente a conquista do primeiro lugar do grupo B, à frente (pela ordem) de Peru, Uruguai e Venezuela.

A Argentina era cabeça-de-chave do Grupo B e foi representada por uma equipe de alguma qualidade, mas muito jovem e inexperiente. Acabou empatando com Paraguai e Equador e terminou em segundo lugar na chave. Os equatorianos surpreenderam e ficaram com o primeiro. O Paraguai passou na repescagem, enquanto o Chile era eliminado com uma campanha pífia: três derrotas em igual número de jogos.

Com o segundo lugar na primeira fase, a Argentina acabou enfrentando o Peru nas quartas-de-final. Com um time um pouco mais organizado, os peruanos venceram por 2 x 1. Pelo mesmo placar, a Bolívia passou pela Colômbia. O México empatou com o Equador no tempo normal (1 x 1), mas venceu nos pênaltis. Por fim, o Brasil não teve grandes problemas para bater o Paraguai por 2 x 0.

Em uma partida conturbada e equilibrada, a Bolívia venceu o México por 3 x 1 de virada e garantiu a presença em sua primeira final continental (o título de 1963 foi conquistado em um torneio de pontos corridos). Já o Brasil fazia uma apresentação perfeita e aplicava um contundente 7 x 0 no Peru.

Na final, o Brasil mostrou sua superioridade e passou pela Bolívia, pela torcida boliviana e pela altitude de La Paz sem grandes problemas. Fez 1 x 0 no final do primeiro tempo, tomou o empate em uma falha de Taffarel, mas garantiu o título com Ronaldo e Zé Roberto. Pelo terceiro lugar, o México venceu o Peru por 1 x 0.

Brasil 1997.jpg

FICHA TÉCNICA
Bolívia 1 x 3 Brasil
Final da Copa América 1997
Data:
29 de junho de 1997
Local: estádio Hernando Siles Suazo (La Paz)
Público: 46 mil
Árbitro: Jorge Nieves (Uruguai)
Bolívia: Trucco; Peña, Castillo, Óscar Sánchez e Sandy; Cristaldo, Baldivieso, Soria e Erwin Sánchez; Etcheverry e Moreno (Coimbra)
Brasil: Taffarel; Cafu, Gonçalves, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, Flavio Conceição (Zé Roberto), Denilson e Leonardo (Mauro Silva); Ronaldo e Edmundo (Paulo Nunes)
Gols: Edmundo (40/1º), Erwin Sánchez (45/1º), Ronaldo (34/2º) e Zé Roberto (45/2º)
Cartões amarelos: Mauro Silva, Cristaldo e Erwin Sánchez

1999
Na Copa América de 1999, no Paraguai, a quantidade de seleções titulares aumentou, mas algumas aproveitaram que faltavam três anos para a Copa seguinte para renovar o time. Por exemplo, a Argentina esteve com jovens promissores como Riquelme, Samuel, Sorín e Aimar. A única seleção que claramente esteve com uma equipe reserva foi o Uruguai, que radicalizou na renovação e usou a base vice-campeã mundial de juniores em 1997. Porém, mais estranho que a seleção uruguaia cheia de garotos foi ver o Japão disputando a Copa América como convidado ao lado do México.

Os asiáticos foram os últimos colocados do Grupo A, vencido pelo Paraguai com dificuldade. Vistos como favoritos e com sua seleção principal, os guaranis não conseguiam convencer, empatando com a Bolívia e vencendo o Peru com um gol do jovem Santa Cruz nos minutos finais.

No Grupo B, o Brasil de Vanderlei Luxemburgo venceu todos seus adversários – Venezuela, México e Chile – e ficou com o primeiro lugar. Os mexicanos asseguraram a segunda vaga, enquanto os chilenos passaram na repescagem.

A última chave era, em teoria, a mais equilibrada, com Colômbia, Argentina Uruguai e Equador. No entanto, os colombianos estavam em grande fase e venceram todos os jogos. Contra a Argentina, um surpreendente 3 x 0 que ficou famoso pelo fato de o centroavante platino Palermo ter perdido três pênaltis (vale lembrar que o colombiano Ricard perdeu um). Os garotos uruguaios passaram com aperto, com duas derrotas e uma vitória por 2 x 1 sobre o Equador.

As quartas-de-final só tiveram partidas emocionantes. Após estar perdendo por 3 x 1, o México alcançou o empate com o Peru no último minuto. Nos pênaltis, Soto e Reynoso chutaram para fora e os peruanos foram desclassificados. No mesmo dia, o Paraguai não deveria ter dificuldades para passar pelo Uruguai. Benítez colocou o time da casa na frente, mas Zalayeta empatou em um chute de fora da área no início do segundo tempo. Nos minutos finais, a Albirroja pressionou, mas o goleiro charrúa Carini garantiu o empate e, depois, a vitória celeste nos pênaltis. Pela primeira vez desde que a Copa América voltou a ter sede única, a seleção da casa não chegava entre os quatro primeiros colocados.

As outras duas vagas nas semifinais foram conseguidas com viradas. Após estar perdendo por 0 x 1 e 1 x 2, o Chile de Zamorano venceu a Colômbia, considerada uma das favoritas após a goleada sobre a Argentina. O último jogo foi mais um Brasil x Argentina. Ao contrário do que ocorrera em 1995, o Brasil foi melhor e venceu com autoridade. Sorín colocou os gauchos na frente, mas Rivaldo e Ronaldo marcaram os gols da vitória verde-amarela. A 13 minutos do fim, Dida defendeu um pênalti, cobrado por Ayala.

As duas surpresas das quartas-de-final se enfrentaram por um lugar na decisão. Com muita determinação, o Uruguai novamente segurou um empate em 1 x 1 contra o Chile. E, como ocorrera contra o Paraguai, Carini defendeu uma cobrança na disputa de pênaltis e deu a vitória aos charrúas. O adversário dos celestes foi o Brasil, que venceu sem grandes problemas o México por 2 x 0.

Na final, por mais esforçados e talentosos que fossem os jovens uruguaios, seria difícil resistir a um ataque com Rivaldo, Ronaldo e Amoroso. O 3 x 0 foi relativamente normal, mas não tirou o mérito da equipe do Uruguai, da qual se esperava muito pouco. Pelo terceiro lugar, o México bateu o Chile.

FICHA TÉCNICA
Brasil 3 x 0 Uruguai
Final da Copa América 1999
Data:
18 de julho de 1999
Local: estádio Defensores del Chaco (Assunção)
Público: 30 mil
Árbitro: Óscar Ruiz (Colômbia)
Brasil: Dida; Cafu, João Carlos, Antônio Carlos e Roberto Carlos; Flávio Conceição, Émerson, Rivaldo e Zé Roberto; Amoroso e Ronaldo
Uruguai: Carini; Del Campo, Picún, Lembo e Bergara (Guigou); Coelho (Alvez), Fleurquín, Vespa (Pacheco) e Callejas; Magallanes e Zalayeta
Gols: Rivaldo (20 e 27/1º) e Ronaldo (1/2º)
Cartões amarelos: Flávio Conceição, João Carlos, Callejas, Vespa e Guigou

2001
A última Copa América foi a mais problemática da história. Com graves problemas internos e uma guerrilha que já ocupara boa parte de seu território, a Colômbia não era vista com bons olhos pelos vizinhos que lá deveriam disputar o torneio continental.

A Conmebol sabia disso e tentou contornar, mas a falta de decisões mais incisivas (para qualquer dos lados) tornou o problema ainda pior. Menos de duas semanas antes de seu início, o torneio foi adiado por tempo indeterminado e a Colômbia perdeu o direito de recebê-lo. Alguns países (como o Brasil) se apresentaram como substitutos, mas, dois dias depois, a confederação sul-americana voltou atrás e confirmou a Colômbia como sede. Porém, a competição foi remarcada para 2002, o que traria um sério problema de calendário em um ano de Copa do Mundo.

Em 5 de julho de 2001, a Conmebol confirmou a tabela original da Copa América, com início marcado para 11 de julho!!! Com tudo sendo decidido em cima da hora e com dúvidas a respeito das garantias de segurança oferecidas pelos colombianos, o Canadá (convidado por ser campeão da Copa Ouro) desistiu e foi substituído pela Costa Rica. Um dia antes da abertura da competição, a Argentina também anunciou sua retirada do torneio. Às pressas, a organização chamou Honduras.

Também no improviso foi a seleção brasileira convocada por Felipão. Mais preocupado em fazer a equipe deslanchar na complicada campanha das Eliminatórias, o técnico gaúcho chamou um grupo heterogêneo, sem conjunto e com alguns jogadores que nunca mais teriam chances na seleção.

No gol, estiveram na Colômbia Marcos (Palmeiras) e Dida (Milan). Os laterais foram Beletti (São Paulo), Roger (Grêmio), Alessandro (Atlético-PR) e Júnior (Palmeiras). O miolo de zaga contou com Cris (Cruzeiro), Roque Júnior (Milan-ITA), Luisão (Cruzeiro) e Juan (Flamengo). Os volantes foram Eduardo Costa (Grêmio), Émerson (Roma-ITA), Fábio Rochemback (Barcelona-ESP) e Fernando (Juventude). O meio-campo foi formado por Juninho Paulista (Vasco), Juninho Pernambucano (Lyon-FRA) e Alex (Palmeiras). Para o ataque, Felipão convocou Geovani (Barcelona), Guilherme (Atlético-MG), Denílson (Bétis-ESP), Ewerthon (Corinthians) e Jardel (Galatasaray-TUR).

Com a Argentina fora e o Brasil retalhado, o favoritismo caiu sobre a Colômbia. E isso foi confirmado na primeira fase, com vitórias sobre Chile, Equador e Venezuela. Com dois triunfos, os chilenos ficaram com o segundo lugar do grupo.

O momento mais insólito da primeira fase foi o grupo C, com centro-americanos dois convidados de última hora tomando o controle da festa. Na primeira rodada, vitórias esperadas de Uruguai e Costa Rica sobre Bolívia e Honduras (duplo 1 x 0). As surpresas vieram logo depois. A Costa Rica empatou com o Uruguai (1 x 1) e Honduras bateu a Bolívia (2 x 0). E ficaria ainda mais estranho no final, com os ticos goleando os bolivianos por 4 x 0 e os hondurenhos vencendo os charrúas por 1 x 0. Assim, a dupla da América Central terminou com as duas vagas do grupo na segunda fase. O Uruguai conseguiu um lugar pela repescagem.

No Grupo B esteve o Brasil. Em uma atuação horrível, perdeu para o México na estréia. No entanto, as vitórias sobre Peru (2 x 0) e Paraguai (3 x 1), combinadas com a derrota mexicana diante dos peruanos (0 x 1) colocaram os verde-amarelos em primeiro lugar.

Nunca a Copa América foi tão pouco sul-americana. Dos oito quadrifinalistas, três eram filiados à Concacaf. E os norte e centro-americanos continuaram em evidência. Na maior zebra da Copa América, Honduras desclassificou o Brasil em Manizales. Além disso, o México também passou, após um 2 x 0 sobre o Chile. A América do Sul teve de contar com o Uruguai, que surpreendeu ao bater a Costa Rica por 2 x 1, e com a Colômbia, que goleou o Peru por 3 x 0 e se destacava cada vez mais como principal candidato ao título. Talvez o único.

Nas semifinais, os mexicanos garantiram sua segunda classificação à final do torneio com um triunfo por 2 x 1 sobre o Uruguai. Enquanto isso, a Colômbia tinha dificuldades diante da ousada Honduras, mas se garantiu com um 2 x 0. Os hondurenhos tiveram seus esforços premiados com um lugar no pódio. Empataram em 2 x 2 com o Uruguai no tempo normal e foram vitoriosos nos pênaltis, 5 x 4.

A final foi nervosa, com a Colômbia tomando a iniciativa desde o início mas encontrando certa dificuldade em vencer a defesa mexicana. O único gol da partida foi marcado de bola parada. Ivan Córdoba fez de cabeça após cobrança de falta na intermediária. Com esse resultado, a Colômbia conseguia seu primeiro título da Copa América, sem tomar um gol sequer durante toda a competição.

Colombia 2001.jpg

FICHA TÉCNICA
Colômbia 1 x 0 México
Final da Copa América 2001
Data:
29 de julho de 2001
Local: estádio El Campín (Bogotá)
Público: 47 mil
Árbitro: Ubaldo Aquino (Paraguai)
Colômbia: Óscar Córdoba; López, Iván Córdoba, Yepes e Bedoya; Ramírez, Grisales, Vargas e Hernández (Molina); Aristizábal (Castillo) e Murillo
México: Óscar Pérez; Alberto Rodríguez (Zepeda), Valdez, Mercado e Ramón Heriberto Morales; Johan Rodríguez (Osorno), Torrado, Ramón Carlos Morales e Juan Pablo Rodríguez; Arellano (Victorino) e Borgetti
Gol: Iván Córdoba (20/2º)
Cartões amarelos: Bedoya, Vargas, Molina, Torrado e Ramón Carlos Morales
Cartões vermelhos: Juan Pablo Rodríguez e Torrado

Ubiratan Leal

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