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9/07/04

Histórias

Décadas de 1950 e 1960

1953
Em 1953, o Paraguai foi designado como país-sede do Campeonato Sul-Americano. No entanto, os guaranies alegaram falta de infra-estrutura para receber o torneio em seu território. Assim, decidiram ceder o direito ao Peru. E, mesmo com as desistências de Argentina e Colômbia, foi um torneio cheio de surpresas.

Na abertura, a Bolívia venceu a seleção da casa por 1x0. Dias depois, os bolivianos tomariam de 8 x 0 do Brasil, só para se ter uma idéia do fraco nível da equipe verde. Na terceira rodada, o Chile venceu os uruguaios (campeões mundiais em 1950, mas estavam com um time reserva) por 3 x 2 e o Paraguai empatou com o Equador, pior equipe do campeonato.

Com o equilíbrio, o Brasil acabou se destacando e, mesmo perdendo por 1 x 0 para os peruanos, chegou à última rodada com a liderança isolada, dependendo apenas de uma vitória diante do Paraguai. Nilton Santos colocou o Brasil na frente, mas López empatou para os paraguaios no segundo tempo. O empate seguia até que, no último minuto, León virou o jogo para os guaraníes. Com isso, Brasil e Paraguai se igualaram na liderança com 8 pontos.

O problema é que, com 7, estava o Peru, que faria a partida decisiva contra o já eliminado Uruguai. Sorte do Brasil que a seleção da casa decepcionou e foi goleada por 3 x 0. Assim, brasileiros e paraguaios teriam de fazer um jogo-desempate.

A partida se definiu praticamente no primeiro tempo. No intervalo, a Albirroja vencia por surpreendentes 3 x 0. O Brasil diminuiu em 20 minutos, com dois gols de Baltazar. Mas não conseguiu o empate. Curiosamente, em um torneio que desistiu de sediar, o Paraguai conquistou seu primeiro título continental.

FICHA TÉCNICA
Paraguai 3 x 2 Brasil
Sul-Americano 1953
Data:
1º de abril de 1953
Local: estádio Nacional (Lima)
Público: 30 mil
Árbitro: Charles Dean (Inglaterra)
Paraguai: Riquelme; Olmedo e Herrera; Gavilán, Leguizamón e Hermosilla; Berni, A.López (Parodi), Fernández, Romero (Lacasa) e Gómez (González)
Brasil: Castilho; Djalma Santos, Haroldo e Nilton Santos (Alfredo Ramos); Bauer, Brandãozinho e Didi; Julinho, Pinga (Ipojucan), Baltazar e Cláudio
Gols: López (14/1º), Gavilán (17/1º), Fernández (41/1º) e Baltazar (11 e 20/2º)

1955
Dois anos depois, a competição voltou ao Chile. Os chilenos aproveitaram a oportunidade para montar uma de suas seleções mais fortes, a única que conseguiu fazer frente à Argentina no torneio (Brasil, Bolívia e Colômbia desistiram de participar e o Uruguai levou um time misto). Por mais que o Peru tenha se esforçado, foi um dueto entre chilenos e argentinos.

Com campanhas tão semelhantes até a última rodada (3 vitórias e um empate) o confronto direto poderia ser definitivo. Foi o que aconteceu. Com um gol de Micheli (artilheiro da competição) aos 14 minutos do segundo tempo, os platinos venceram por 1 x 0 e ficaram com mais um campeonato continental.

Argentina 1955.jpg

FICHA TÉCNICA
Chile 0 x 1 Argentina
Sul-Americano 1955
Data:
30 de março de 1955
Local: estádio Nacional (Santiago)
Público: 65 mil
Árbitro: Washington Rodríguez (Uruguai)
Argentina: Musimessi; Dellacha e Vairo; Lombardo, Balay e Gutiérrez; Micheli (Vernazza), Cecconatto, Borrello, Labruna e Cucchiaroni
Chile: Escuti; Almeida e Álvarez; Cortés, E.Robledo e Carrasco; Hormazábal, Ramírez Banda, J.Robledo, Muñoz (Díaz Carmona) e Meléndez (Espinoza)
Gol: Micheli (14/2º)

1956
Não demorou muito para os sul-americanos medirem forças novamente. Em 1956, a Conmebol decidiu organizar um torneio “extraordinário”, sem Bolívia, Colômbia e Equador. Para efeitos históricos, tem valor semelhante aos demais. A única diferença é que o campeão dessa edição não ficou com a copa América.

Foi um torneio relativamente fácil para o Uruguai, pois Argentina e Brasil foram inconstantes demais, a ponto de o vice-campeonato ter ficado com o Chile. Os chilenos, inclusive, conseguiram uma maiúscula vitória por 4 x 1 sobre os brasileiros na primeira rodada. Para o Brasil, essa derrota foi seguida por boas atuações, como a vitória por 1 x 0 sobre a Argentina e um empate em 0 x 0 com o Uruguai (única partida que os cisplatinos não venceram). Não foi o suficiente para trazer o título, mas mostrou que a equipe de Gilmar Djalma Santos, Jair da Rosa Pinto, Mauro Ramos, Zito, Baltazar e Canhoteiro merecia respeito e que os 1 x 4 da estréia foram circunstanciais.

Uruguai 1956.jpg

FICHA TÉCNICA
Uruguai 1 x 0 Argentina
Sul-Americano 1956
Data:
15 de fevereiro de 1956
Local: estádio Centenario (Montevidéu)
Público: 80 mil
Árbitro: Cayetano de Nicola (Paraguai)
Uruguai: Maceiras; Martínez e Brazionis; Andrade, Carranza e Miramontes; Borges (Pírez), Ambrois, Míguez, Escalada (Auscarriaga) e Roque
Argentina: Musimessi; Dellacha e Vairo; Lombardo, Mouriño e Gutiérrez; Pentrelli, Sívori, Grillo, Labruna e Zárate
Gol: Ambrois (23/1º)

1957
No ano seguinte, com a Copa América novamente em disputa, o Brasil tinha essa base ainda mais desenvolvida, com a chegada de Pepe, Garrincha (ainda reserva), Didi, Joel, Dino Sani e Evaristo de Macedo. A seleção confirmou o favoritismo e impôs goleadas como 7 x 1 no Equador e 9 x 0 na Colômbia. No entanto, derrotas nos clássicos (2 x 3 contra o Uruguai e 0 x 3 contra a Argentina) continentais foram fatais.

Com isso, abriu-se espaço para um título categórico da Argentina. Os platinos estavam muito melhores que os adversários, tanto que haviam vencido o Uruguai por 4 x 0 e a Colômbia por 8 x 2 e conquistaram o campeonato com antecipação, fato raro. Sem motivos para grandes esforços, perderam o aproveitamento de 100% na última partida, ao perder para os anfitriões peruanos por 2 x 1.

Argentina 1957.jpg

FICHA TÉCNICA
Argentina 3 x 0 Brasil
Sul-Americano 1957
Data:
3 de abril de 1957
Local: estádio Nacional (Lima)
Público: 55 mil
Árbitro: Robert Turner (Inglaterra)
Argentina: Domínguez; Dellacha e Vairo; Giménez, Rossi e Schadlein; Corbatta, Maschio, Angelillo, Sívori e Cruz
Brasil: Gilmar (Castilho); Djalma Santos, Édson, Zózimo e Olavo; Roberto Belangero, Didi e Zizinho (Dino Sani); Joel, Evaristo (Índio) e Pepe
Gols: Angelillo (23/1º), Maschio (42/2º) e Cruz (45/2º)

1959
Em 1958, a seleção argentina chegou ao mundial da Suécia como favorita e caiu pateticamente, perdendo de humilhantes 6 x 1 para a Tchecoslováquia e ficando atrás da Irlanda do Norte na primeira fase. Os platinos foram recebidos com hostilidade em Buenos Aires e uma crise se instalou no futebol local.

Isso teve grande reflexo na formação gaucha no Sul-Americano de 1959, realizado em Buenos Aires. Com exceção do atacante Corbata, nenhum dos campeões continentais de 1957 esteve em campo. E, como prova de sua capacidade de renovação, a Argentina foi a única seleção que acompanhou a caminhada do Brasil de Pelé, Zagallo, Gilmar, Bellini, Djalma Santos, Garrincha, Didi e Paulo Valentim. As demais equipes (lembrando que Equador e Colômbia desistiram) ficaram para trás.

Na partida final, disputada no Monumental de Núñez, os platinos precisavam apenas de um empate, pois o Brasil deixara um ponto contra o Peru (2 x 2). Aos 40 minutos, Pizzuti aumentou a vantagem da Albiceleste, mas Pelé (artilheiro e eleito melhor jogador do torneio) empatou no início do segundo tempo. A partida continuou equilibrada, mas terminou dessa forma. Argentina campeã.

Argentina 1959.jpg

FICHA TÉCNICA
Argentina 1 x 1 Brasil
Sul-Americano 1959
Data:
4 de abril de 1959
Local: Monumental de Núñez (Buenos Aires)
Público: 85 mil
Árbitro: Carlos Robles (Chile)
Argentina: Negri; Griffa (Cardoso) e Murúa; Lombardo (Simeone) e Mouriño; Nardiello, Pizzuti, Sosa, Callá (Rodríguez) e Belén
Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Coronel; Dino Sani e Didi; Garrincha, Paulo Valentim (Almir), Pelé e Chinesinho
Gols: Pizzuti (40/1º) e Pelé (13/2º)

1959
Por conta da desorganização interna da Conmebol, decidiu-se organizar uma outra edição do Sul-Americano ainda em 1959. Nessa não foi posta em jogo a Copa América. Foi uma competição esvaziada, com apenas cinco equipes: Argentina, Brasil, Equador (país-sede), Paraguai e Uruguai. Para piorar, a seleção brasileira não foi com a equipe principal. Quem esteve em Guaiaquil com a camisa verde-amarela foi um combinado pernambucano, formado por seis jogadores de Náutico e Santa Cruz e quatro do Sport Recife.

Dessa vez, não houve grandes emoções. O Uruguai disparou na liderança e não foi alcançado. Chegou a golear a Argentina por 5 x 0, devolvendo os 1 x 6 de 1955. Com o título assegurado, empatou na despedida contra o lanterna Paraguai, perdendo o primeiro ponto no torneio. O Brasil fez uma campanha regular, com vitórias sobre Paraguai e Equador e derrotas para Uruguai e Argentina.

FICHA TÉCNICA
Uruguai 5 x 0 Argentina
Sul-Americano 1959
Data:
16 de dezembro de 1959
Local: estádio Modelo (Guaiaquil)
Público: 50 mil
Árbitro: José Gomes Sobrinho (Brasil)
Uruguai: Sosa; Troche e Silveira; Méndez, González e Mesías; Pérez, Bergara, Douksas, Sasía e Escalada
Argentina: Negri; Griguol e Murúa; Arredondo, Guidi e Betinotti (Rattín); Boggio, Pizzuti, Sosa (Ruiz), Sanfilippo (Rodríguez) e Belén
Gols: Silveira (9/1º de pênalti), Bergara (15/1º), Sasía (25/1º), Silveira (10/2º de pênalti), Bergara (19/2º)
Expulsão: Pizzuti

1963
A partir daí, a Conmebol decidiu organizar o Campeonato Sul-Americano a cada quatro anos. A primeira edição com essa nova periodicidade foi organizada na Bolívia em 1963, sem a participação de Uruguai e Chile. Como os jogos foram em La Paz e Cochabamba, esse foi o primeiro Sul-Americano disputado na altitude, o que ajudou a inverter a relação de forças do continente.

Com uma equipe fraca (a base era o Guarani, mas até Taubaté e Comercial-SP cederam jogadores), o Brasil não resistiu e perdeu para Argentina, Paraguai e Bolívia (essa última, em um épico 5 x 4 para os verdes). A Argentina também rateou, com derrotas para Bolívia e Peru.

Assim, o Sul-Americano de 1963 se tornou uma inesperada corrida entre Bolívia e Paraguai pelo título. Os bolivianos empataram na estréia contra o Equador em 4 x 4 e venceram os demais jogos. Enquanto isso, o Paraguai só perdera pontos contra os donos da casa (0 x 2). Na última rodada, o Paraguai teria de vencer a Argentina e torcer por um infortúnio boliviano. O empate em 1 x 1 praticamente desclassificou os guaranies, que dependiam de uma derrota boliviana para forçar um jogo-extra. Mas, como já mencionado, a Bolívia bateu o Brasil por 5 x 4 e conquistou seu primeiro – e único – título continental.

Bolivia 1963.jpg

FICHA TÉCNICA
Bolívia 5 x 4 Brasil
Sul-Americano 1963
Data:
31 de março de 1963
Local: estádio Félix Capriles (Cochabamba)
Público: 25 mil
Árbitro: Ovidio Orrego (Colômbia)
Bolívia: A.López; Cainzo e Espinoza; Ramírez, Camacho e Vargas; Blacutt, Alcócer, Ugarte, García e Castillo
Brasil: Silas; Cláudio, Jorge (Massinha) e Procópio; Geraldino, Hilton Vaccari e Tião; Almir, Flávio, Marco Antônio e Oswaldo
Gols: Ugarte (15/1º), Camacho (25/1º), Marco Antônio (26/1º), Almir (28/1º), Ugarte (13/2º), García (17/2º), Flávio (18 e 21/2º) e Alcócer (41/2º)

1967
Em 1967, o Sul-Americano voltou ao Uruguai. O Brasil desistiu, mas a Venezuela marcou sua estréia. Para evitar um inchaço na competição, a Conmebol organizou pela única vez uma fase eliminatória. Em jogos de ida e volta, o Chile eliminou a Colômbia e o Paraguai desclassificou o Equador.

A fase final foi no sistema tradicional, em pontos corridos em turno único. Os uruguaios puderam ver a única vitória da Venezuela na história da competição, um contundente 3 x 0 sobre a Bolívia. Aliás, os bolivianos se mostraram frágeis fora de casa, colhendo apenas um ponto em cinco partidas.

Na outra ponta da tabela, argentinos e uruguaios comandavam. A decisão foi entre ambos. Por conta de um empate com o Chile, os charrúas necessitavam da vitória. E ela veio com um gol de Pedro Rocha aos 29 minutos do segundo tempo.

Uruguai 1967.jpg

FICHA TÉCNICA
Uruguai 1 x 0 Argentina
Sul-Americano 1967
Data:
2 de fevereiro de 1967
Local: estádio Centenario (Montevidéu)
Público: 65 mil
Árbitro: Mario Gasc (Chile)
Uruguai: Mazurkiewicz; Baeza, Varela e Cincunegui (Forlán); Paz, Mujica, Pérez e Rocha; Oyarbide (Vera), Salvá (Techera) e Urruzmendi
Argentina: Roma; Calics, Marzolini e Acevedo; Rattín, Albrecht e Bernao (Raffo); González, Artime, Sarnari (Rojas) e Mas (Carone)
Gol: Rocha (29/2º)

Ubiratan Leal

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