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« Chiclayo | Página inicial | Lima »

7/07/04

Variedades

Cuzco

Cuzco é considerada pelos próprios peruanos como a cidade mais bonita do país. E não seria exagero dizer que se manteria entre as cinco primeiras se a lista se estendesse a toda a América do Sul. Pois, por mais que muitos só vejam Cuzco como o ponto de partida para as visitas a Machu Picchu, a cidade reúne como poucas outras vestígios de culturas pré-colombianas e hispânicas.

É difícil precisar quando a cidade surgiu, até porque Cuzco é considerada por muitos a cidade continuamente habitada mais antiga das Américas. A versão lendária é que Manco Capac, o primeiro inca, e sua mulher, Mama Ocllo emergiram das águas do Lago Titicaca e a fundaram. Pesquisas arqueológicas dão conta que Qosqo (nome original, em quéchua, que significa “umbigo do mundo”) teria sido criada no século XII, mas não excluem a possibilidade de civilizações pré-incas terem ocupado o vale do rio Huatanay.

Desde sua origem (não importa se a mitológica ou a histórica), Cuzco foi a capital do Império Inca, o que lhe garantiu um grande desenvolvimento urbanístico a mais de 3.300 m de altitude. O protagonismo cuzquenho foi abalado com a chegada dos espanhóis em 1533. Os colonizadores destruíram grande parte da cidade, edificando templos católicos e casarões barrocos sobre as fundações incas (que ainda podem ser vistas). Mesmo assim, a cidade ainda era influente militar e economicamente, por mais que a capital política tivesse sido transferida para Lima.

Por isso, a história colonial de Cuzco também é rica, principalmente em igrejas e conventos católicos. As mais importantes estão na Praça de Armas (foto), centro da cidade desde o período inca. Lá estão as deslumbrantes Catedral (foto no alto, erguida sobre o Palácio de Wiracocha com estilo renascentista e quadros de influência indígena) e Companhia de Jesus (em estilo barroco e construída sobre o palácio de Huayna Capac). Também é necessário mencionar a igreja da Mercê, de Santa Catalina e a de São Francisco e o Convento de Santo Domingo.

Mas o visitante não deve reservar todo seu tempo para a cidade, pois algumas das principais atrações estão nos arredores. A mais conhecida é o Vale Sagrado dos Incas, que abrange os povoados de Pisaq, Ollantaytambo, Urubamba, Calca e Yucay e está repleto de ruínas e edificações históricas. Claro, nada que se compare com Machu Picchu.

A “cidade perdida dos incas” é tão misteriosa que muitos colocam em dúvida se seria realmente inca. Para os ocidentais, Machu Picchu só se tornou uma realidade em 1911, quando o norte-americano Hiram Bingham a descobriu, mas já era conhecida – ainda que como lenda – entre os quéchuas. Dividida em áreas religiosa, agrícola e urbana, a cidade não foi conhecida pelos colonizadores, o que ajudou na preservação de boa parte das edificações. Há acesso ferroviário, mas muitos aventureiros preferem caminhar três dias na trilha original dos incas pelas paisagens que proporciona.

Mesmo com tanto apelo turístico, Cuzco não fazia parte dos planos da Conmebol como sede da Copa América. O que seria algo desproporcional, pois jogos na cidade atrairiam torcedores-turistas ao evento e marcaria mais o caráter peruano da competição. Por isso, o presidente Alejandro Toledo pressionou para que a rodada de abertura fosse realizada na cidade. O pedido foi negado. Cuzco acabou incluída na tabela como sede de apenas um jogo, a amistosa e inútil disputa do terceiro lugar.

O mais curioso é que o futebol de Cuzco também merecia algum respeito. O mais tradicional clube da cidade, o Cienciano, surpreendeu ao conquistar a segunda edição da Copa Sul-Americana, eliminando Santos e River Plate pelo caminho. Além disso, o estádio Inca Garcilaso de la Vega tem boa capacidade (42 mil).

Ubiratan Leal

Imagens:: Bruno Furnari/Darkoom People e La Tercera

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