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« Peru | Página inicial | Chiclayo »

7/07/04

Variedades

Arequipa

Os brasileiros que decidirem acompanhar de perto a seleção na primeira fase da Copa América não ficarão ociosos entre um jogo e outro. Não faltam atrações e coisas para fazer em Arequipa, segunda maior cidade peruana e principal centro econômico do sul do país, e na região. A terra do escritor Mário Vargas Llosa tem várias particularidades em relação ao resto do Peru, o que ajudou a criar um sentimento de regionalismo muito forte, escancarado pela comum expressão “República de Arequipa”.

Não há como passar pelo principal centro urbano do sul do Peru sem observar o belíssimo o vulcão El Misti, com 5.821 m de altura. Imponentemente próximo à cidade, pode ser escalado por turistas sem grandes problemas (desde que com a ajuda de guias, claro). A presença de vulcões – além do El Misti, vale citar o Chachani, o Pichu Pichu e o Coropuna – é tão forte que teve influência na arquitetura de toda a cidade.

O sillar (pedra sabão branca), mineral proveniente das lavas vulcânicas, é muito comum na região e foi largamente utilizado na construção de edificações em Arequipa. Com isso, a capital do departamento homônimo tem um visual alvo, o que lhe valeu o apelido de “a cidade branca”.

Além das casas brancas, a cidade tem atrações como o movimento da Praça de Armas (foto), arborizada, ponto de encontro da cidade e endereço da bela catedral, construída em estilo neo-renascentista em 1612 (e reconstruída duas vezes após terremotos). Por causa da beleza histórica, Arequipa foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Entre um passeio e outro, o torcedor brasileiro (e o chileno, paraguaio e costarriquenho) pode aproveitar a culinária arequipenha, considerada a melhor do Peru. Os pratos mais tradicionais são rocoto relleno (espécie de pimenta recheada), locro de papas (sopa com queijo e batata), adobo (sopa picante com carne de porco e cebola), ají de camarones (ensopado de camarões com nozes e pimenta), cuy chactado (cuy, um roedor comum no Peru, frito na pedra e servido com temperos fortes), ocopa arequipeña (batata com molho à base de alho, ovos e cebola), e chicha de jora (bebida de origem inca à base de milho), entre outros.

Mesmo com tudo isso, a principal atração do turista que passa por Arequipa está a cinco horas de carro da cidade. O Cañón del Colca (foto no alto), com 3,4 mil m de profundidade, é o maior cânion do mundo, com o dobro de altura do Grand Canyon norte-americano. Além do abismo, é possível ver lhamas e condores pelo caminho. Ainda que as aves andinas prefiram voar apenas no início da manhã.

O curioso é que, mesmo com tanta importância histórica e política (Arequipa é o centro da esquerda peruana), o futebol da cidade é desproporcionalmente pequeno em comparação com o de Lima. Há duas equipes arequipenhas na Primeira Divisão. O Melgar, clube mais tradicional da cidade, foi campeão nacional em 1981. O nome é homenagem ao poeta Mariano Melgar, nascido na cidade.

O outro representante da “República de Arequipa” na elite é o Atlético Universidad, recém-promovido e ligado à Universidad Nacional de San Agustín (Unsa), instituição proprietária do estádio Monumental de la Unsa, onde se realizarão as partidas do Brasil na primeira fase da Copa América. O estádio é o maior a ser utilizado na competição (ao lado do Nacional de Lima, ambos com 45 mil lugares) e praticamente não sofreu intervenções para receber a competição. Passou apenas por pequenas reformas e teve instalado um telão-placar eletrônico.

Ubiratan Leal

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