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19/07/04

Cultura & Mídia

A Copa América merecia mais TV aberta


Nessa quarta-feira, o Brasil pega o Uruguai pelas semifinais de uma Copa América que tem se revelado muito boa, levando em conta a história recente do torneio, até agora. Favorita após a goleada sobre o México (já era antes, mas muita gente levou a sério demais a derrota para o Paraguai), a seleção brasileira tem um adversário que surpreende por mostrar um futebol muito diferente do visto nas Eliminatórias. No entanto, poucos torcedores brasileiros tiveram a oportunidade de ver esse Uruguai de Jorge Fossati em campo. Porque, fora os jogos do Brasil, a TV aberta ignorou o torneio.

Claro que esse é um assunto complicado, pois, mais do que da vontade do telespectador ou do idealismo de fanáticos, a transmissão depende de contratos. A Globo comprou com exclusividade para a TV aberta como forma de evitar concorrência nas partidas da seleção de Carlos Alberto Parreira e deixou sua irmã Sportv com os direitos na TV paga.

Sem espaço na grade de programação (invenção dos anos 60* que até hoje dificulta a transmissão de jogos de futebol em horários decentes para o torcedor) e sem a menor afeição aos riscos de transmitir um Peru x Venezuela ao invés da “Tela Quente”, a emissora carioca não ousa mostrar os jogos que não sejam do Brasil. Com horários mais maleáveis e a missão de priorizar as transmissões ao vivo, a Sportv passa tudo. Menos mal que alguém o fez, mas ainda sobrou muita gente sem acesso a essas partidas.

Ciente das limitações contratuais e eventualmente de restrições impostas pela própria CBF ou Conmebol, isso pode ser apenas um exercício de lamentação solitária. Mas seria muito legal se alguma outra emissora aberta transmitisse os jogos das outras seleções. Nem que fosse apenas um dos jogos de cada rodada dupla. Talvez a Rede TV! achasse um espaço entre o “Jornal da TV!” e o “Superpop”. Ao menos como algo temporário, por três semanas, para reforçar o caráter esportivo que o canal quer se dar.

Quem também poderia fazer uma força é a Record, que teria um bom pretexto para diminuir (mesmo que temporariamente) o tempo da novela “Metamorphosis” (fracasso de audiência) e encaixar um jogo de futebol sobre os demais programas. Da Bandeirantes não se pode exigir muito, infelizmente, pois a programação do horário nobre já está comprometida com uma igreja evangélica. Era uma vez o “canal do esporte”.

Salvo os jogos do Brasil, a Copa América não merece a mesma atenção da imprensa que a Eurocopa. Pelo menos enquanto não for levada mais a sério por seus próprios participantes e organizadores. Ainda assim, é um torneio cuja transmissão em TV aberta seria mais do que bem-vinda. Talvez isso ajudasse o torcedor a saber porque o Uruguai evoluiu. Ou, pelo menos, a ver jogos disputados e agradáveis como Peru 2x2 Bolívia, Peru 2x2 Colômbia e Argentina 4x2 Uruguai.

*Em geral, a criação da grade de programação é creditada a José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e/ou Walter Clark, ambos na Globo. Mas há os que defendem que o verdadeiro criador foi Édson Leite, da TV Excelsior ou que o conceito foi importado dos Estados Unidos.

Ubiratan Leal

Imagem: Olé

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