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8/06/04

Histórias

Suécia 1992

Entre o final da década de 1980 e início da de 1990, a Europa passou por enormes transformações políticas, com países se desmembrando, outros se unificando e alguns que já existiam sendo admitidos na Uefa. No entanto, a Eurocopa de 1992 não refletiu isso completamente, pois a fase eliminatória teve início no final de 1990, quando muitas mudanças ainda não estavam consolidadas. De novidade, apenas a unificação das Alemanhas e o aparecimento futebolístico de Ilhas Faroe e San Marino. No máximo, a mudança de nome da Tchecoslováquia, que agora era chamada de Tcheco-Eslováquia, já prenunciando a divisão do país. Pelo menos assim era no princípio, pois a política do continente foi decisiva no torneio de futebol, organizado na Suécia.

O curioso é que o primeiro jogo das Eliminatórias teve como protagonista um representante dessa nova Europa. Sem estádio com condições de abrigar um jogo internacional em seu território as ilhas Faroe mandou sua partida contra a Áustria – seleção que acabara de disputar o Mundial de 1990 – em Landskrona, Suécia. E o bizarro aconteceu, com a vitória dos escandinavos por 1 x 0. Esse resultado abalou a confiança dos austríacos, que terminaram as Eliminatórias com apenas 3 pontos, o mesmo número das Ilhas Faroe (que empatou com a Irlanda do Norte em Belfast). Nesse grupo, Dinamarca e Iugoslávia só tiveram um ao outro como rival. Com uma excelente geração – campeã mundial sub-21 em 1987 – os eslavos superaram a guerra civil que ocorria no seu país e ficaram um ponto a frente dos dinamarqueses, garantindo a vaga.

Esse equilíbrio foi visto em praticamente todos os grupos. No 2, por exemplo, a Escócia se classificou com 11 pontos, dois a mais que a Bulgária, penúltima colocada. Entre as duas seleções ficaram Suíça e Romênia. Com aperto semelhante a Inglaterra se garantiu apenas no último jogo, ao empatar na Polônia e acabar com as chances da dona da casa e da Irlanda. A nova Alemanha unificada ficou em uma chave teoricamente fácil, com Bélgica, Gales e Luxemburgo. No entanto, os britânicos estavam em boa fase e só caíram por um ponto. Também no último jogo veio a qualificação da Holanda, perseguida o tempo todo por Portugal e Grécia.

Apenas duas equipes passaram sem problemas maiores, o que foi surpreendente pelos adversários que tinham. A França, que sequer disputara a Copa de 90, enfrentou as fortes Espanha e Tcheco-Eslováquia no grupo 1. Os franceses estavam invictos desde as Eliminatórias para o Mundial e carregavam um certo favoritismo, mas ninguém poderia imaginar que os bleus venceriam todas as oito partidas disputadas. Foi um massacre. A Tcheco-Eslováquia até fez um papel digno, vencendo cinco das seis partidas que restaram. Os espanhóis ficaram tão para trás que a partida contra a Albânia, que fecharia o grupo, nem foi realizada por falta de relevância.

A outra seleção que manteve uma margem de segurança boa em relação aos adversários foi de um país que estava deixando de existir. A União Soviética superou os problemas do país – instabilidade política e desmembramento de repúblicas – e não deu muitas chances à Itália, que mal conseguia evitar o avanço de Noruega e Hungria.

Tudo estava definido e as seleções já se preparavam na Suécia quando o Conselho de Segurança da ONU decidiu impor várias restrições à Iugoslávia/Sérvia, como punição à atitude do governo de Belgrado diante do desejo independentista de eslovenos, bósnios e croatas. Diante dessa orientação, a Uefa decidiu excluir a seleção iugoslava da Eurocopa. Para não deixar um buraco na tabela, a Dinamarca, segunda colocada no grupo da Iugoslávia nas Eliminatórias, foi chamada às pressas, quando faltava uma semana para o início do torneio.

A abertura da Euro 92 era muito esperada. A anfitriã Suécia enfrentaria a França do treinador Michel Platini, tida como principal candidata ao título e com uma série invicta de três anos. Foi algo surpreendente o domínio sueco, que resultou em um gol no primeiro tempo. Os franceses lutaram muito para conseguir o empate na etapa final. No outro jogo, os desfalcados ingleses se equivaleram aos ainda surpresos dinamarqueses e 0 x 0 foi justo.

Com todos juntos na tabela, Inglaterra e França fizeram um clássico de poucos riscos, deixando a decisão para a última partida. Novo 0 x 0. No outro dérbi regional do grupo, Dinamarca e Suécia fizeram um jogo aberto e 1 x 0 (gol de Brolin) foi um placar numericamente baixo. A chave chegou à terceira rodada sem definição. Quem vencesse se classificaria. A Inglaterra começou bem e dava sinais de que confirmaria seu favoritismo mas se perdeu no segundo tempo e permitiu a virada sueca. Enquanto isso, a França decepcionava mais uma vez. Para uma seleção que chegara como favorita, jogar mal duas partidas e perder a terceira para uma improvisada Dinamarca não era justificável. Platini (que fez um bom trabalho apesar da Euro 92) reconheceu isso e se demitiu, encerrando sua carreira de treinador.

Na outra chave, a Holanda começou sua campanha vencendo uma aguerrida e marcadora Escócia com dificuldades, apenas 1 x 0. A outra favorita do grupo, a Alemanha, teve imensos problemas contra a Comunidade de Estados Independentes (CEI, ex-União Soviética). Com uma marcação forte e contra-ataques rápidos, os ex-soviéticos dominaram boa parte do jogo e mereceram sair na frente, gol de pênalti de Dobrovolski. A Alemanha aprtiu para uma pressão desesperada, baseada principalmente em cruzamentos à área. Nenhum foi bem sucedido, mas, nos descontos, Hassler cobrou com perfeição uma falta e empatou a partida.

Os alemães se recuperaram contra os escoceses em uma partida relativamente aberta e divertida de se assistir. Apesar do desnível técnico, a Escócia não se intimidou com os campeões mundiais e não mereceu perder por 2 x 0. Em Gotemburgo, a CEI mostrava mais uma vez sua força defensiva e segurava um 0x0 com a Holanda. Na partida mais esperada do grupo, os laranjas finalmente desenvolveram todo seu jogo, controlando a Alemanha e vencendo por 3 x 1, garantindo também o primeiro lugar no grupo. Com esse resultado a CEI só precisaria vencer a Escócia para se classificar e deixar os campeões mundiais de fora. No entanto, a estratégia defensiva dos ex-soviéticos caiu com o gol escocês aos 6 minutos. Tendo de atacar, a CEI ficou perdida e acabou goleada: 3 x 0.

Foi apenas a primeira semifinal que os alemães mostraram um pouco do futebol que os levou ao título na Copa de 90. Ainda assim, tiveram dificuldades contra uma empolgada e bem montada Suécia. No final, um emocionante 3 x 2 para a Alemanha em Estocolmo. A outra vaga na final foi definida em uma partida ainda mais equilibrada. Com grande atuação de Brian Laudrup, os dinamarqueses foram melhores que a Holanda no primeiro tempo e fizeram 2 x 1. Na segunda metade da partida, os laranjas pressionaram e só não viraram devido às defesas de Schmeichel. Nos pênaltis, o goleiro da Dinamarca voltou a se destacar, defendendo a cobrança de Van Basten e garantindo sua surpreendente seleção na final.

Dinamarca 2x0 Alemanha 1992.jpg

Na decisão, a Alemanha tomou a iniciativa, mas também parou em Schmeichel. Até que, aos 18 minutos, a Dinamarca aproveitou um contra-ataque para se colocar na frente. Os alemães intensificaram ainda mais a pressão, mas não conseguiam organizar ataques bem organizados, mostrando os mesmos defeitos de toda a campanha naquela Eurocopa. O gol só voltou a sair aos 33 minutos do segundo tempo, em outro contra-ataque dinamarquês. Com 2 x 0 a favor, os escandinavos só tiveram de controlar o jogo nos minutos finais para comemorar um título inesperado e que só foi possível com a punição política da Iugoslávia.

FICHA TÉCNICA
Dinamarca 2 x 0 Alemanha
Final da Eurocopa 1992
Local:
estádio Nya Ullevi (Gotemburgo-SUE)
Público: 37 mil
Árbitro: Galler (Suíça)
Dinamarca: Schmeichel, Sivebaek (Christiansen), Nielsen, Olsen, Piechnik, Christofte, Jensen, Vilfort, Larsen, Povlsen e Brian Laudrup
Alemanha: Illgner, Helmer, Reuter, Kohler, Buchwald, Brehme, Hässler, Sammer (Doll), Effenberg (Thon), Riedle e Klinsmann
Gols: Jensen (18/1º) e Vilfort (33/2º)

Ubiratan Leal

Imagem: BBC Sport

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