http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Esse Porto não é um vintage, mas entusiasma | Página inicial | Guias do Brasileirão »

21/04/04

Brazil

Os caminhos levam para o norte


Desde 1971, quando foi oficialmente instituído o Campeonato Brasileiro, o centro de gravidade do futebol do país nunca esteve tão baixo. Afinal, com as quedas de Bahia e Fortaleza em 2003, os únicos times do Norte-Nordeste que permanecem na elite são Vitória e Paysandu. Agora, com 10 nortistas e nordestinos juntos na Série B, configurou-se o momento ideal para retomar um pouco o espaço entre os grandes clubes do Brasil. É questão de saber aproveitar a oportunidade.

Antes de tudo, é importante parar para descobrir o que aconteceu. Em 1997, o Nordeste deu início à onda de campeonatos regionais. É verdade que o Rio-São Paulo já era disputado nessa época, mas esse tipo de torneio só foi encarado com seriedade no Brasil após a iniciativa dos nordestinos. E, no fundo, os nordestinos foram os que mais souberam desenvolver esse conceito, aproveitando as rivalidades entre os Estados, o relativo equilíbrio de forças para organizar um torneio emocionante, com bons públicos e, principalmente, rentável.

Porém, isso não elimina o fato de que o desempenho dos clubes da região não melhorou muito em competições nacionais. Sport, Bahia e Paysandu – que é da região norte e não se beneficiou com o Campeonato do Nordeste – tiveram alguns bons momentos em 2000, 2001 e 2003, respectivamente, mas foi só. Mostra de que o problema dos nortistas e nordestinos não é apenas financeiro, hipótese reforçada pelo fato de o Vitória manter uma relativa estabilidade devido à infra-estrutura, não apenas ao dinheiro da televisão e do público.

Aí é que está o ponto chave. O Campeonato do Nordeste se ensaiava como algo importante não apenas pelo dinheiro, mas porque, pela própria organização da liga, induzia os clubes a se organizarem também, tratando o futebol de forma mais profissional. Ao implodirem o regional em 2003, os nordestinos sinalizaram novamente para o velho modelo, desperdiçando recursos. Tanto que é sintomático o fato de o Vitória ser o maior incentivador do torneio, bancando politicamente a esvaziada edição do ano passado.

Por exemplo, em 2003, o Fortaleza teve a segunda melhor média de público do Campeonato Brasileiro e não montou uma equipe forte, tanto que foi rebaixado. Com boa receita e elenco fraco, como explicar o prejuízo de R$ 650 mil no final do ano? Obviamente, os recursos foram direcionados de forma equivocada, o que nem um belo campeonato regional é capaz de consertar.

Remo, São Raimundo e Paysandu sequer puderam contar com o regional, pois a Copa Norte não chegou a se consolidar em nenhum momento pela falta de representatividade de alguns clubes e as distâncias enormes, que encareceram o torneio.

Os clubes que já estavam na Série B na temporada passada sofreram com a forte concorrência de Palmeiras e Botafogo. Ainda assim, essa justificativa não pode ser encarada como definitiva. O alviverde paulista e o alvinegro carioca tiveram pouca influência no desaire de Santa Cruz, Ceará, América-RN, CRB e São Raimundo. Aliás, apenas Sport, Náutico e Remo podem lançar mão desse argumento.

Como no caso do Fortaleza, os nortistas e nordestinos da Segundona perderam por problemas internos. De América potiguar, CRB e São Raimundo não se podia esperar muito, pois não entraram no torneio com reais pretensões de promoção. Os demais pecaram pela impaciência, falta de uma política bem definida e de um pouco de sorte em alguns momentos.

O principal passo seria voltar a administração para a vocação do futebol das duas regiões. Se, em Santa Catarina, os clubes se aproveitaram do empresariado local e da possibilidade de se trabalhar em longo prazo para crescer, no Norte-Nordeste os clubes devem voltar-se a seus fanáticos, fiéis e numerosos torcedores.

Como fazer isso? Atraindo torcedores aos estádios, incentivando o surgimento de ídolos que sejam referência para a torcida (como Kuki, do Náutico, Edílson e Vampeta, do Vitória, e Sérgio Alves, do Ceará) e, principalmente, criando um clima que dificulte a vida de qualquer visitante. Situações como a do Fortaleza e do Paysandu em 2003, que perderam vários pontos bobos em casa, não podem ser aceitas.

Outro aspecto a se pensar é em aproveitar a capacidade grande que as duas regiões têm em revelar jogadores. É sintomático que muitas revelações do futebol paulista e carioca sejam nordestinas ou nortistas de nascimento. Se o jovem nasceu em Pernambuco ou no Sergipe, por exemplo, porque não é revelado por um clube da região? Será que, se houvesse condições propícias em seu Estado, ele não preferiria ficar perto da família ao invés de arriscar uma viagem ao Sudeste? É só ver o trabalho do Vitória para aprender o caminho.

Com a renda respeitável da torcida nortista e nordestina, além do custo reduzido de jogadores jovens, não seria difícil de os clubes da metade de cima do mapa do Brasil voltarem a se enfiar entre os grandes.
A Série B do Brasileiro começou há um mês, mas dá para perceber bons sinais vindos do Norte-Nordeste. Aparentemente, muitos aprenderam com o Vitória e até com Palmeiras e Botafogo, colocando em campo equipes relativamente planejadas e com bom balanço de experiência e juventude.

Em Pernambuco, o clube que, até o momento, parece mais bem encaminhado é o Náutico. O alvirrubro promoveu muitas mudanças na virada do ano, mas se ajeitou rapidamente no estadual e parte como um dos favoritos à Segundona. O Santa Cruz, atual ponteiro (pode perder a liderança nesse fim-de-semana para Paulista, Brasiliense ou Avaí), ainda está um pouco abaixo. Se beneficiou de algumas facilidades na tabela, tanto que, mesmo mantendo a liderança, perdeu o apoio da torcida após o empate em casa contra o enfraquecido Londrina. Depois da derrota de terça para a Anapolina a situação pode ficar mais delicada no Arruda.

O caso mais complexo é o do Sport. O leão perdeu o rumo depois da Série B do ano passado, fazendo campanha regular no estadual e começando a Série B de forma ciclotímica. Estreou com uma goleada pouco convincente (existe isso?) sobre o Caxias e logo depois levou um absurdo 7x1 do Marília. A demissão da comissão técnica e de sete jogadores é uma mostra de como o clube da Ilha do Retiro está sem rumo definido. Pela tradição até pode subir. Mas não é o que o cenário atual indica. E justamente no ano do 99º aniversário, com os preparativos para as comemorações do centenário em andamento desde 13 de maio.

O Bahia, sem dúvida o mais vitorioso clube dos nordestinos que estão na Série B, anunciou um plano de investimentos mais contidos, buscando revelar jogadores e apostar em um ou outro atleta mais experiente. Se o discurso for realmente um sinal de que a diretoria entendeu o motivo do rebaixamento, os tricolores de Salvador podem ficar com mais esperanças. Por hora, Galeano já saiu (não fará tanta falta) e os resultados iniciais são apenas regulares, mas ainda há um pouco de tempo para Oswaldo Alvarez acertar o time.

No Ceará, o Fortaleza tem um time ajustado, mas já dispensou quatro jogadores por deficiência técnica ou indisciplina e perdeu o técnico Givanildo para o Paysandu. Ainda assim, o tricolor parece ter condições de passar por isso. O Ceará montou o time durante o estadual, mas os resultados não são ruins até agora. Pode incomodar, mas, como o Sport, não pode ser considerado favorito por enquanto.

Entre os clubes do Norte-Nordeste, um dos que parecem ter um plano mais consistente é o Remo. Os azulinos mantiveram a base que foi bem na Segundona de 2003 (os paraenses foram os terceiros na primeira fase e os únicos a acompanharem a caminhada de Botafogo e Palmeiras por um tempo considerável) e conquistou o estadual de maneira contundente. Talvez 2004 seja um grande ano para a torcida do Remo, pois, além de seu time estar forte, o Paysandu se enfraqueceu muito e está cotado ao rebaixamento. Na realidade, o bicolor se encorpou e valorizou em 2003 por causa da Libertadores. Sem a competição continental, o clube belenense sofreu o natural processo de se redimensionar. No entanto, pode ter exagerado um pouco e se enfraquecido demais.

Há ainda três clubes do Norte-Nordeste na Série B. Mas as ambições de América-RN, CRB e São Raimundo são inversas às de seus conterrâneos. Até segunda ordem, esses clubes se preocupam mais com o fundo da tabela do que com o topo. Participando de torneios estaduais sem tanta projeção (e dinheiro), os elencos são modestos. E, como caem seis times, é estatisticamente provável que algum nortista ou nordestino caia. O que não elimina o fato de que 2004 é o ano em que o futebol do Norte-Nordeste tem boas condições para se reeguer.

*

Ah, apesar das boas perspectivas dos nortistas e nordestinos e de ser uma medida economicamente boa (pedido da televisão), é difícil concordar com partidas sendo disputadas no Norte e Nordeste às 11h da manhã de domingo.

Ubiratan Leal

Imagens: Lancenet, Fortaleza, Correio da Bahia, Santa Cruz e CRB

Deixe sua opinião (0)

Nedstat Basic - Free web site statistics