http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Os caminhos levam para o norte | Página inicial | O jogador mais importante de um time? »

23/04/04

Cultura & Mídia

Guias do Brasileirão


O Campeonato Brasileiro começou, diversos times que se deram mal nos primeiros meses de 2004 resolveram se reformular às pressas, outro tanto estava desaparecido por atuar em Estaduais anônimos e poucos sabem em que estágio técnico estão. Para ajudar os torcedores a conhecer realmente os participantes desse torneio, o jornal Lance e a revista Placar lançaram seus Guias do Brasileirão. Um momento já tradicional na modorrenta área esportiva do mercado editorial brasileiro.

No conceito, as duas revistas são muito parecidas. Contém, em geral, quatro páginas para cada clube, sendo as duas primeiras com uma pequena matéria de apresentação do time e uma série de dados estatístico-históricos (alguns de interesse puramente enciclopédico) e as restantes reservadas para a apresentação dos jogadores, com foto, ficha técnica e participação em edições anteriores do torneio. Na segunda parte, um guia das equipes que disputarão a Série B.

O maior risco – admitido pelas duas publicações – de se editar um guia desse tipo é que o futebol brasileiro não trabalha com hora marcada. Os estaduais terminam com atraso (caso claro do Gaúcho e do Cearense), técnicos são demitidos desde as primeiras rodadas e, pior, o prazo para contratação de jogadores vai campeonato adentro. Para terem mais vendagem, as editoras tentam colocar suas revistas nas bancas o quanto antes. Como resultado, normalmente um guia chega ao leitor com defasagem de informação, sem jogadores que contratados em cima da hora e treinadores dispensados. Por exemplo, as duas revistas colocam os atualmente desempregados Mário Sérgio e Givanildo de Oliveira como técnicos de Atlético-PR e Fortaleza.

De fato, os dois guias se assemelham muito em virtudes e defeitos. Ambos priorizam dados técnicos nem sempre muito importantes, como a colocação do clube em cada uma das edições do Brasileiro ou o histórico de confrontos com cada equipe do torneio. Essas informações se limitam ao campo da curiosidade pura, pois não fazem muito sentido no futebol brasileiro, em que o retrospecto dos times é distorcido pelos regulamentos esdrúxulos adotados entre os 1971 e 1987 (além da Copa João Havelange em 2000). Sem contar que os Estaduais tornam a idéia de histórico de confrontos no nacional algo irrelevante, pois um gremista quer saber se bate o colorado em todos os tempos, não apenas em um torneio.

Enquanto isso, os textos ficam enfraquecidos. Com bons e maus momentos para cada, Lance e Placar ficam parelhos na média. A análise é rasa, se resumindo a dizer a expectativa básica do clube no campeonato e a apresentar o time, com os jogadores que ficaram, os que saíram e os que chegaram. Em geral, sempre com um “final feliz”, dando a sensação de que, por menos que o torcedor confie no time, pode ser que dê certo. Só em casos extremos, como Paraná e Corinthians, é que se passa uma mensagem de perigo.

Um item que, felizmente, ganha espaço nos guias é a descrição do esquema tático. Mesmo que feito de forma simplificada, é uma informação que se torna recorrente nos últimos anos. Muitos desenhos táticos têm prazo de validade, pois pode mudar assim que o treinador for demitido. Mas é algo importante. E, nesse ponto, o Lance está na frente. Além de mostrar a distribuição dos atletas em campo (coisa que a Placar também fez), o guia do jornal mostra dicas do comentarista Paulo Vinícius Coelho, apontando o ponto forte e o fraco de cada equipe. Essa análise também poderia ser feita com mais profundidade, mas satisfaz.

O Lance também vence em outros aspectos. Pelas dimensões do guia, o diário pôde colocar 24 jogadores com foto e ficha técnica por equipe, contra 18 da Placar. Para compensar, a revista abriu, em cada time, um espaço com dados resumidos do restante do elenco.

Outra diferença em favor do Lance é uma preocupação maior com o torcedor que vai ao estádio, algo raro na imprensa brasileira. O jornal apresenta o estádio de cada clube, com uma ficha resumida e cotação para gramado, segurança para as torcidas local e visitante e conforto. Além disso, abriu um espaço chamado “Guia do Torcedor”, em que informa o preço do ingresso, promoções para torcedores que vão ao estádio e programas de sócio-torcedor. Essa iniciativa merece todos os elogios e deve ser ampliada, com instruções sobre como chegar (transporte público, vias de acesso e estacionamento) e entrar (portões de visitantes e anfitriões) em cada estádio.


A Placar, por sua vez ganha na precisão estatística. Há uma seção dedicada exclusivamente a isso, com curiosidades e dados históricos. Alguns interessantes, outros, nem tanto. Mas isso cabe ao leitor julgar. De qualquer forma, denota uma preocupação maior da revista da editora Abril em abordar a curta história do torneio. O Lance o faz de forma meio torta. Para alguns clubes, ela dá mais duas páginas, contando a trajetória nos 33 anos de Brasileirão. Se já não bastasse excluir os pequenos (ué, torcedor de clubes menores não podem ter interesse nesse tipo de informação?), o critério do Lance foi de atender apenas aos simpatizantes dos quatro grandes de Rio de Janeiro e de São Paulo. Assim, o atual campeão Cruzeiro não teve espaço para contar sua história no Brasileiro.

Mas onde realmente o guia da Placar tem clara vantagem é na cobertura da Série B. As duas publicações empatam em quase todos os quesitos, com texto de apresentação, desenho tático simplificado e ficha técnica do clube. Mas a revista da Abril deu uma segunda página aos times da Segunda Divisão apenas para mostrar a cara e a carreira dos jogadores dessas equipes. Em um torneio com tantos jogadores desconhecidos que podem despontar, é algo elogiável, que valoriza a Série B mesmo sem Botafogo e Palmeiras.

No final das contas, ambos sofrem com a desorganização do futebol brasileiro, mas são bons guias. Podiam ser melhores, com mais espaço para a história do Brasileirão (são apenas 33 anos de disputa, não custa nada) e aprofundar a análise dos times, deixando um pouco de lado algumas estatísticas que podem ser curiosas em um primeiro momento, mas dificilmente terão valor de consulta. Também poderiam informar quando se encerra o contrto de cada jogador e qual a multa para eventuais rescisões, dados importantíssimos para saber quem pode sair no meio do campeonato.

Agenda
Outra publicação que foi lançada com o objetivo de acompanhar o torcedor durante todo o Campeonato Brasileiro (e outros torneios pelo ano) é a “Agenda Futebol 2004”, da editora Conrad. É uma proposta interessante e diferente do que se encontra normalmente no Brasil.

Essa publicação não é e nem pretende ser um guia do Campeonato Brasileiro, como as edições especiais do Lance e da Placar. Não apresenta os times, não dá escalação, não diz quem chegou e quem foi embora de cada clube. Afinal, como o nome diz, é uma agenda, mas uma em que os compromissos (jogos) estão preenchidos a cada dia.

Além de indicar os jogos a cada semana como uma tabela, inclui curiosidades e dados estatísticos a respeito de cada confronto ou fase dos torneios (Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores, Eliminatórias da Copa e Eurocopa). Assim, sempre que tiver futebol, o torcedor pode ver alguma informação histórica a respeito dos jogos do dia.

É uma idéia diferente e ainda não dá para saber se funcionará. Mas merece algum crédito. O mercado editorial brasileiro, sobretudo em esportes, precisa de novidade.

Mais informações
Todas as publicações citadas podem ser facilmente encontradas em bancas de jornal. O Guia do Brasileirão 2004 da Placar custa R$ 8,95, o do Lance está R$ 7,90 e a Agenda Futebol 2004 sai por R$ 12,90.

Ubiratan Leal

Imagens: Placar e Lancenet

Deixe sua opinião (0)

Nedstat Basic - Free web site statistics