Semifinais do Campeonato Goiano. O Goiás vai a Catalão e toma 3x0 do Crac. A situação dos alviverdes só não é pior porque o saldo de gols não é contado nessa fase do torneio. Ainda assim, mostra a evolução do alvi-celeste do sudeste goiano, um clube já acostumado a oscilar. Mas será que, dessa vez, o Crac se estabelece como uma força permanente no interior de Goiás?
Tradição é o que não falta ao Crac. O clube – de nome oficial Clube Recreativo e Atlético Catalano – é o mais antigo ainda na ativa no futebol do Estado. Foi fundado em 13 de julho de 1931, antes até dos grandes de Goiânia, como Atlético (1937), Goiânia (1938) e Goiás e Vila Nova (ambos 1943). Ainda assim, os catalanos demoraram para disputar o Estadual.
Quando foi criado, o Campeonato Goiano era, no fundo, um torneio da região metropolitana de Goiânia, com os clubes da capital e de cidades próximas, como Anápolis, Campinas, Pires do Rio, Inhumas, Nova Veneza e Buriti Alegre. Assim, o Crac só estreou na elite goiana em 1966.
O curioso é que, no ano seguinte, o alvi-celeste já igualava o feito do Anápolis (campeão em 1965) e se tornava o segundo clube do interior a conquistar o título estadual. Em uma competição realizada em pontos corridos, os catalanos venceram 9 partidas, empataram 6 e perderam 3. Ficaram apenas um ponto adiante de Atlético e Vila Nova.
A campanha foi memorável. O Crac ficou invicto nas seis primeiras rodadas, inclusive goleando o Atlético, então o grande rival do poderoso Goiânia, por 4x1. Após a derrota contra o Anápolis, os alvi-celestes ficaram mais 7 partidas sem perder. Chegaram às três últimas rodadas com 22 pontos, contra 20 do Vila Nova e 19 de Atlético e Anápolis. Uma vantagem mais que administrável.
No entanto, o Crac perdeu para o Goiânia, que surpreendentemente lutava para não cair, por 1x0. Na rodada seguinte, caiu novamente diante do Anápolis, dessa vez em Catalão. A vantagem evaporara-se. Agora, o Atlético estava um ponto adiante. O Vila Nova perdera a oportunidade e estacionara nos 21, junto com o Anápolis.
O interessante é que a tabela marcava justamente um Atlético x Crac na última rodada. Uma final não-prevista para o Goiano de 1967. O jogo era na capital e, diante da fase em que as duas equipes estavam, o Atlético era favorito. Até porque dependia apenas de um empate. Mas os catalanos venceram por 1x0 e conquistaram o título.
No entanto, o Crac não se estabeleceu entre as forças de Goiás. Em 1969, ainda conseguiu o vice-campeonato. Em 1971, o time já estava na Segunda Divisão, de onde só sairia em 1981. A partir daí, os catalanos revezavam temporadas na elite e no andar de baixo.
Um sinal de esperança apareceu em 1997. O alvi-celeste foi campeão do primeiro turno da primeira fase, garantindo um lugar nas semifinais. Na partida de ida, derrota de 3x2 para a Jataiense em Jataí. Na volta, um suado 4x3. Foi necessário o desempate em jogo extra: 5x2 e os catalanos estavam na final após 28 anos. Na final, o Crac até segurou o Goiás, quarto colocado no brasileiro do ano anterior, com um empate em 1x1. No Serra Dourada, vitória definitiva dos alviverdes por 4x1.
Depois disso, houve um período complicado para os catalanos. O time permaneceu na elite até 1999. Voltou em 2002, mas fez nova visita à Segundona local em 2003. O clube já acumulava uma dívida de R$ 600 mil (bastante para um clube de pequeno porte).
Foi quando a prefeitura local resolveu investir no time da cidade. Ajudou diretamente em boa parte do saneamento financeiro do clube e ajudou a atrair empresas. A equipe se reforçou com jogadores como o atacante Sandro Goiano, destaque do CRB na Série B do Brasileiro, e o goleiro Hélder, ex-Marília.
O Crac começou muito bem no Goianão 2004. Disparou na liderança do Grupo 2 e praticamente garantiu um lugar nas semifinais. No entanto, perdeu ritmo nas últimas rodadas e foi ultrapassado pelo Vila Nova. A vaga estava garantida (o terceiro colocado do grupo, o Goiatuba, fez 19 pontos, metade dos catalanos), mas o adversário na fase seguinte seria o líder da outra chave, o Goiás.
Como já dito na abertura desse texto, o Crac enfiou 3x0, o mesmo placar do confronto em Catalão na primeira fase. Uma vitória simples do Goiás leva a partida para a prorrogação. Mas, independentemente do resultado de domingo no Serra Dourada, os catalanos podem comemorar. Talvez o Crac, finalmente, tenha um projeto que o coloque em definitivo como uma das forças do rico interior de Goiás.
Ubiratan Leal
Imagens: Portal Catalão, Escudettos e Goiasnet