http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Por que perder tempo com a lista do Pelé? | Página inicial | E se desse Glória x Glória no Gauchão? »

8/03/04

Brazil

Aumentar os ingressos é um contra-senso


Acompanhe o raciocínio. Os clubes de futebol aumentam o preço dos ingressos. Dos atuais R$ 10 (atuais para quem não é de São Paulo, onde já se paga R$ 20) para R$ 30 ou 40 por torcedor. Eventualmente pode-se fazer alguma promoção. Com isso, reduz-se a quantidade de torcedores uniformizados pobres e os estádios ficam cheios de torcedores de classe média e alta, mais pacíficos e consumistas. As rendas dos jogos aumentam e os clubes ficam com mais dinheiro. É simples, mas de uma falta de profundidade atroz.

O princípio dessa sucessão de acontecimentos não se sustenta. É baseada no modelo inglês, mas simplificada até não fazer mais sentido algum. O pior é que já há uma movimentação grande para que o aumento de preço nos ingressos de futebol seja implementado. No Campeonato Paulista, o valor mínimo passou para R$ 20, mas as organizadas boicotaram as partidas e o Ministério Público investiga se tal aumento não seria abusivo. Mesmo assim, isso não deve parar. Para o Campeonato Brasileiro, os torcedores terão de pagar ao menos R$ 15 para acompanhar seus times de perto. Está no regulamento.

Antes de qualquer consideração conceitual, é importante lembrar dois pontos ignorados por dirigentes e marqueteiros. Considerar pobre todo torcedor organizado é bobagem. Uma grande quantidade de associados dessas agremiações é integrante da classe média e está dentro do mercado A e B que, em tese, poderia pagar R$ 30 por jogo. “Em tese” porque os defensores dessa medida parecem ignorar que a classe média brasileira está apertada.

Para levar a mulher e um filho – ou deixar a mulher em casa e levar dois rebentos – ao estádio, um pai de família gastaria R$ 90 por jogo apenas em ingressos. Considerando que um clube atua em casa uma vez por semana, ir ao estádio em todas as partidas representaria uma despesa mensal de R$ 360. Se incluirmos na conta o gasto em transporte (e ninguém pode desprezar o custo da gasolina hoje), estacionamento e alimentação, os valores pulam para cerca de R$ 500 ao mês.

É muito dinheiro para uma família típica da classe média brasileira que, para manter os filhos no colégio particular, já cancelou a assinatura da TV a cabo, abandonou os planos de comprar uma casa na praia (ou no interior, dependendo de onde for essa família imaginária) e tirou a criançada do curso de inglês.

Ou seja, cobrar R$ 30 por ingresso é tornar o estádio de futebol um lugar para passeios esporádicos de famílias de classe média (ocasiões especiais como a comemoração do aniversário do filho fanático) e contar apenas com a assiduidade da camada mais abastada financeiramente da população. O ingresso-família poderia até ajudar, mas não se pode perder de vista que parte dos “torcedores comuns” vai sozinha ou com amigos ao estádio. E, com ingressos a R$ 30, a despesa mensal seria de R$ 200, um montante razoável.

O mais engraçado é ouvir os defensores da política de preços altos afirmarem que o futebol não pode custar menos que o teatro. Provavelmente essas pessoas só vão ao teatro (se é que vão) em óperas ou outras produções elaboradas e caras, pois a maioria das peças é de graça ou tem ingressos por valores em torno de R$ 10 e 15.

Sem contar que o princípio da comparação é pouco inteligente. Em geral, uma pessoa vê apenas uma vez cada peça. Assim, o teatro até poderia cobrar ingressos mais caro, pois seu público só fará aquele desembolso uma vez. Mesmo que ele vá ver outras produções, dá uma média de duas peças caras por mês. Um clube de futebol não pode depender de espectadores bissextos. No esporte em geral, o importante é levar o torcedor à arquibancada todo jogo.

Por fim, vale dizer que encarecer a entrada do futebol é tentar combater a lei da oferta e da procura. Não há procura por ingressos no Brasil – é só olhar os vazios nas arquibancadas – e a lógica econômica seria reduzir o preço ou melhorar o serviço para tornar esse “produto” mais atrativo comercialmente. O Estatuto do Torcedor melhorou bastante as condições dos estádios, mas ainda não é suficiente para valer um aumento de preços.

Na realidade, o ingresso até está caro. As pessoas que vão ao estádio com freqüência sabem o quanto R$ 10 ou 15 por jogo (mais estacionamento, gasolina ou ônibus e alimentação) pesam no final do mês.

Ubiratan Leal
Imagem: A Notícia

Deixe sua opinião (0)

Nedstat Basic - Free web site statistics