Entre os brasileiros a Libertadores é sonho de consumo, uma quase-obsessão, desde que o São Paulo foi bicampeão em 92 e 93. Depois, disso, Grêmio, Cruzeiro, Vasco e Palmeiras já conquistaram a América do Sul. Mas não há comemoração brasileira desde 1999, com o título alviverde. E é esse pequeno tabu que Santos, São Paulo, Cruzeiro, São Caetano e Coritiba tentarão quebrar.
Grupo 1
Grupo relativamente complicado, com 3 clubes se destacando na luta por duas vagas e um quarto que pode atrapalhar. Mesmo assim, é possível apontar um ligeiro favoritismo para o América do México. Apesar de só ter conseguido seu lugar na competição sul-americana na repescagem da Interliga mexicana (pequeno torneio de qualificação para a Libertadores), as águilas contam com um elenco mais experiente que seus adversários, com os chilenos Navia e Ricardo Rojas (ambos medalhistas nas Olimpíadas de 2000) e o meia da seleção azteca Pardo. Mas a estrela é o habilidoso e espalhafatoso artilheiro Cuauhtémoc Blanco, destaque do México nas duas últimas Copas do Mundo. No banco, outro nome de projeção internacional: o treinador holandês Leo Beenhakker. Para completar, o América conta com a segunda maior torcida do México e com a altitude quando mandar seus jogos.
Um pouco atrás vem o São Caetano. O Azulão foi bem sucedido nas contratações de pré-temporada e tem condições de montar um time mais forte – no papel – que o vice-campeão continental de 2002. Não é um esquadrão, longe disso. Mas a estrutura de um grupo que conta com Sílvio Luiz, Gilberto, Ânderson Lima, Marcinho, Warley, Dininho e Lúcio Flávio é mais que razoável para os padrões sul-americanos (mais baixos que os brasileiros). O problema é que talvez leve um tempo para a equipe se ajeitar em campo, o que já fica claro com o início da campanha azul no Paulistão. Outro fator que pode pesar contra é a falta de apoio dos torcedores locais.
A terceira força do grupo é o Peñarol. Segundo maior vencedor da história da Libertadores (ao lado do Boca Juniors, ambos com 5 títulos), o clube evoluiu na última temporada, tirando a hegemonia do rival Nacional no Uruguai. Com a aposentadoria de Bengoechea e a saída de Chilavert (é incrível, mas ele foi bem em 2003), os manyas contarão com uma equipe majoritariamente jovem, cujos destaques são o veterano atacante Cedrés, o goleiro Elduayen, o zagueiro Bizera e o meia Rodríguez. Porém, a maior esperança dos aurinegros é o atacante Carlos Bueno, considerado o melhor jogador em atividade no Uruguai em 2003.
Tecnicamente, não há dúvidas de que os bolivianos do The Strongest são os mais fracos do grupo. Foram derrotados com facilidade por Corinthians e São Paulo em 2003 (Libertadores e Sul-Americana, pela ordem). Ainda assim, os paceños eliminaram o San Lorenzo da Argentina na Sul-Americana, o que não é um título mundial, mas também não pode ser descartado completamente. Atuais bicampeões nacionais, os tigres têm como principais jogadores o goleiro Soria, o zagueiro Soliz, o meia Jiguchi e o brasileiro Coelho. No banco o argentino Nestor Clausen, campeão mundial em 1986. Com isso, a maior esperança dos torcedores está os efeitos da altitude de La Paz. Se bem que nem essa altitude fez diferença contra Corinthians e São Paulo...
Grupo 2
O Grupo 2 se ensaia como um dos mais fracos da Libertadores. Tanto que o pouco tradicional Once Caldas pode até ser apontado como favorito à vaga automática. O time de Manizales não conta com grandes estrelas. Por isso, aposta no conjunto armado por Luís Montoya e no oportunismo do atacante argentino Sérgio Galván. Pode ser suficiente para a primeira fase. Ficar entre os 8 primeiros seria lucro.
Um pouco atrás vem o Vélez Sársfield. O clube quase foi campeão argentino no Clausura 2003 com uma equipe renovada, mas desfez parte do time e andou pelo meio da tabela no Apertura. Agora, trata de se rearrumar para tentar repetir o feito de 10 anos atrás, quando foi campeão mundial de clubes. As referências, por enquanto, são o volante Fabián Cubero e o atacante Zárate, com passagem pelo Real Madrid B. Isso enquanto o Vélez não confirmar o que pode ser a maior contratação do ano no clube de Liniers: o goleiro Chilavert (foto). O paraguaio está mantendo a forma no clube e pode realmente ser contratado. Sinal de que o Vélez não deve assustar tanto esse ano.
Já sem muitas chances, vem o Fénix. O time uruguaio deixou uma impressão muito ruim na Libertadores passada, quando, comandados pelo atual técnico da seleção caleste, Juan Ramón Carrasco, mostrou uma fragilidade crônica nos dois confrontos contra o Corinthians. E daí pode-se ter duas conclusões a respeito da segunda classificação seguida dos violetas para a Libertadores: os clubes uruguaios estão fracos demais ou a inexperiência internacional pesou nas partidas contra os paulistas. Os poucos torcedores do clube esperam que a segunda opção seja a verdadeira, por mais que a primeira pareça fazer muita lógica. Estrelas? No máximo, Pilipauskas e Saralegui, ambos com passagens pela seleção do Uruguai. Mais conhecido que esses é o técnico do time, o ex-atacante Alzamendi.
Depois de três anos sem disputar uma Libertadores, é difícil saber as reais condições das equipes venezuelanas. Até porque, nesse período, o futebol da seleção vinotinto cresceu muito e, espera-se, que o algo parecido tenha ocorrido com os clubes. É mais ou menos assim que chega o Unión Atlético Maracaibo para o torneio sul-americano. Consciente de que poucos esperam algo, mas em um grupo que permite algum sonho, os venezuelanos contrataram. Chegaram os argentinos Riep e Martínez, o brasileiro Da Silva e os venezuelanos Jiménez e Cásseres (esse último da seleção pré-olímpica do país). Com Morán, Álvaro, Maldonado e o folclórico goleiro Dudamel, todos da seleção local, o UA Maracaibo pode surpreender.
Grupo 3
O Cruzeiro nem precisava, mas teve sorte na distribuição dos grupos. Os adversários não são dos mais fortes e o início da caminhada mineira não deve ter grandes sobressaltos. Os azuis souberam se reforçar, trazendo Rivaldo e mantendo Alex. Perderam força no ataque com a saída de Aristizábal, mas têm paciência para montar o time aos poucos. Por isso que as derrotas nas primeiras rodadas do Campeonato Mineiro não devem preocupar. O Cruzeiro, se fizer tudo certo deve lutar pelo título continental.
Pouco conhecido no Brasil, o Santos Laguna, de Torreón, merece cuidado. Junto com Toluca, Monarcas Morelia e Pachuca, formam um grupo de pequenos clubes do interior que vêm dominando o futebol mexicano nos últimos anos. Isso não significa que os guerreros tenham uma equipe simples e com poucos jogadores de destaque. Na frente, os alviverdes contam com os gols de Jared Borghetti, principal artilheiro mexicano nos últimos anos, acompanhado pelo chileno Ruiz. Na defesa, a segurança do goleiro argentino Lucchetti e da dupla de zaga Caniza (da seleção paraguaia) e Jorge Campos (não é aquele, mas também tem passagens pela seleção mexicana). Pode incomodar bastante.
Azarão no grupo, a Universidad Concepción do Chile padece pela inexperiência internacional. O clube, foi montado com jogadores de pouca projeção e surpreenderam ao chegar à final do Torneo Apertura de 2003 e às quartas-de-final do Clausura. O nome mais importante do clube é o do treinador Fernando Díaz, de apenas 44 anos.
Com pouquíssimas hipóteses está o Caracas. Atuais hexacampeões venezuelanos, os rojos del Ávila têm como destaques os meias Jorge Rojas e o colombiano Rentería. No entanto, nenhum dos dois (o primeiro por suspensão, o segundo por contusão) jogará na estréia, contra o Cruzeiro no Mineirão.
Grupo 4
O terceiro representante brasileiro, o São Paulo, também deve passar sem problemas. Os adversários são equilibrados entre eles, mas em um nível bem abaixo do tricolor. Como Luís Fabiano resolve na frente e Rogério Ceni segura atrás, os são-paulinos só precisam, na verdade, de estabilidade interna, com a redução das cobranças da torcida e o fim das brigas políticas no clube. Em teoria, o São Paulo está abaixo de Santos, Cruzeiro, River Plate e Boca Juniors, mas pode ir bastante longe.
O Cobreloa não deve incomodar o São Paulo, mas deve ficar com a segunda solocação no grupo com certa tranqüilidade. Atual bicampeão chileno, os laranjas contam com a altitude de Calama, a segurança do veterano goleiro Tapia, o jogo aéreo com o zagueiro Fuentes e a técnica do meia Dinamarca. Em 2003, o Cobreloa chegou às quartas-de-final, só caindo diante do Boca Juniors.
Os dois clubes restantes não parecem representar grande perigo. A Liga Deportiva Universitária (LDU) de Quito conta com as duas principais armas dos equatorianos nos últimos 15 anos: a altitude e Alex Aguinaga. Mas nem o fora-de-série e veterano meia deve ser suficiente para conduzir a LDU para a segunda fase. Também está no clube o paraguaio Paredes.
O Alianza Lima é o atual campeão peruano. No entanto, é muito difícil saber como o time chegará à Libertadores. Afinal, os futebolistas entraram em greve em novembro do ano passado, paralisando o Torneo Clausura. Para a confusão não ficar maior, o Alianza, líder até então, foi considerado campeão. Em janeiro, clube venceu clássico contra o Sporting Cristal (campeão do Apertura no primeiro semestre) para definir o campeão de 2003. Mas não é possível tirar conclusões dessa partida.
Grupo 5
Apesar de ter dois dos maiores campeões da história do futebol da América do Sul, dificilmente um dos integrantes do Grupo 5 terá um grande sucesso. O Independiente só está no torneio continental pelos critérios esquisitos do futebol argentino. Os diablos foram campeões do Apertura 2002 e garantiram sua vaga. Mas foi uma conquista isolada, já que o clube de Avellaneda não fica entre os melhores da Argentina há anos (inclusive, foi último colocado no Clausura 2002). Pela média dos últimos 3 anos, até há um pequeno risco de o time ser rebaixado no final do semestre. Mesmo assim, a diretoria resolveu reforçar (um pouco) o elenco. Trouxe o veteraníssimo e instável goleiro Navarro Montoya, que ainda é bastante admirado pelos torcedores argentinos. Além dele, os diablos contam com Hernán Franco na defesa, Gimenez e Zurita no meio campo e Castillo no ataque. Dificilmente bastará para o 8º título continental do Independiente.
O Nacional de Montevidéu ficou negativamente marcado no Brasil pela excessiva catimba empregada nos jogos contra o Santos pelas oitavas-de-final da Libertadores passada. Realmente, os tricolores já não mostram a força do clube que conquistou três vezes a América do Sul e o mundo. Mesmo assim, ainda têm time suficiente para passar de fase. O sucesso dependerá de Fabián O’Neill, com passagem pela Juventus de Turim e condutor do meio-campo bolso. O problema é que ainda há a possibilidade de o meia não permanecer no Parque Central em 2004. Sua saída seria tão sentida quanto a do atacante Sebastián “El Loco” Abreu, atualmente na UAG Tecos, do México. Além de O’Neill, o Nacional contam com o meia Coelho (bisneto de brasileiros) e os atacantes Peralta e Rubén Sosa (aquele mesmo).
Time acostumado à Libertadores, o El Nacional do Equador não deve ir longe nessa edição. Contando apenas com a altitude de Quito, o clube do exército equatoriano não se reforçou muito para a disputa. No máximo, vai lutar para não ficar em último no grupo.
O terceiro representante do Peru ainda não foi definido. Como o Torneo Clausura de 2003 não foi encerrado pela greve dos futebolistas, não foi possível definir qual clube ocuparia essa vaga, reservada para a equipe com melhor índice técnico além das que conquistaram o título no ano. Por isso, a federação peruana organizou um triangular. O Alianza Atlético venceu o Coronel Bolognesi e perdeu para o Cienciano. Sempre com 1x0 no placar. Agora, resta ao clube de Cuzco empatar com o Bolognesi para ficar com a vaga. Se os imperiais confirmarem a classificação, partem como terceira força do grupo, à frente do El Nacional.
Grupo 6
O primeiro colocado desse grupo parece definido. Afinal, poucos clubes na América do Sul contam com um elenco tão bom quanto o River Plate. No gol, o jovem Costanzo não é dos mais confiáveis, mas ele tem diante de si uma defesa com Vivas, Ayala e Ameli (que parece só jogar bem na Argentina). O meio-campo tem Coudet, que acabou com o Corinthians no Morumbi na Libertadores 2003, Gallardo e Claudio Husain e a dupla de ataque é a melor do continente, com Cavenaghi e Marcelo Salas. No entanto, com esse time os millonarios fizeram uma campanha patética no Apertura 2003, ficando entre os últimos colocados. Por isso, trocaram de técnico. Saiu o chileno Manuel Pellegrini e entrou o ex-jogador do time Leonardo Astrada. Não é novidade o River buscar comandantes entre seus ex-atletas. O mesmo já ocorreu com Passarella, Ramón Díaz e Américo Gallego. Nem todos foram bem-sucedidos.
Como principal adversário, o River Plate vai enfrentar uma equipe já bastante conhecida: o Libertad. Em 2003, as duas equipes se enfrentaram pela Libertadores (foto) e pela Copa Sul-Americana. Nas duas vezes os argentinos foram melhores. Agora, os paraguaios parecem vir com mais força. Bicampeão guarani (fato raro para um clube fora do eixo Olímpia-Cerro Porteño), o Libertad se reforçou com nomes conhecidos no futebol brasileiro, como o lateral-direito Arce (ex-Grêmio e Palmeiras) e o centroavante argentino (Gigena (ex-Ponte Preta). O clube ainda tenta tirar o meia Alvarenga do Cerro Porteño. Pode surpreender.
Mas os paraguaios devem se cuidar. O Deportes Tolima é o atual campeão colombiano e pode perfeitamente tirar a vaga do clube de Assunção. Uma boa campanha continental do Tolima seria tão surpreendente quanto o título nacional, mas não se pode descartar as possibilidades (pelo menos para vôos curtos) do campeão colombiano em uma Libertadores. Os principais destaques são os atacantes Zambrano, autor do gol do título sobre o Deportivo Cali, e Pereira.
Os venezuelanos do Deportivo Táchira podem, na melhor das hipóteses, tentar superar o Deportivo Cali nos confrontos diretos, o que tem um valor simbólico na rivalidade Venezuela-Colômbia. Para isso, os aurinegros contam com a dupla de ataque Brondo e Rondón.
Grupo 7
Se mostrar o mesmo futebol de 2003, o Santos passa com tranqüilidade pela primeira fase. Apesar da perda de Fábio Costa, o peixe está mais forte com a contratação de um artilheiro (Róbson) e de um lateral-direito (Paulo César) de qualidade. Só deve tomar cuidado para, como ocorreu na Libertadores passada, não se envolver com a catimba de alguns adversários.
Clube equatoriano mais bem-sucedido no exterior, com dois vice-campeonatos da Libertadores, o Barcelona de Guaiaquil não entra nessa edição com tanta força. A preparação da equipe foi considerada insuficiente pela imprensa local. Mas, no papel, o grupo canário é bom, com Chatruc, Kaviedes e Trotta, todos com experiência internacional.
Se sobra experiência ao Barcelona, pode faltar ao Guaraní de Assunção. O clube mais antigo do Paraguai é talentoso, mas muitos de seus jogadores são jovens ainda. Mesmo assim, passaram por duas situações difíceis recentemente, na repescagem contra o poderoso Cerro Porteño pela derradeira vaga na Libertadores (foto) e no Pré-Olímpico (o Guaraní foi base da seleção paraguaia que tirou o Brasil das Olimpíadas de Atenas).
Com adversários contornáveis, é até possível o Jorge Wilsterman conseguir o segundo lugar do grupo para, ao menos, ter uma chance na repescagem. Os aviadores contam com a altitude de Cochabamba, o que pode ser suficiente para passar por Guaraní e Barcelona de Guaiaquil. Em campo, o time é fraco e na conta nem com jogadores de destaque pela seleção boliviana.
Grupo 8
Com 3 títulos sul-americanos e dois mundiais os últimos 4 anos, é difícil não considerar o Boca Juniors como o principal favorito à conquista da Libertadores. Os xeneizes mantiveram o treinador Carlos Bianchi e praticamente todo o elenco. A defesa continua com o seguro Schiavi, o ousado lateral-esquerdo Clemente Rodríguez (integrante da seleção pré-olímpica da Argentina), os meias Cascini e Battaglia no combate e Cagna e Iarley na armação e a rapidez de Guillermo Schelotto a frente. Mas a estrela boquense é outra, o meia Carlos Tévez, considerado por alguns argentinos o melhor jogador do país na atualidade. Vai ser difícil parar o Boca. Mais uma vez.
A maior sombra ao campeão argentino deve vir da Colômbia. O Deportivo Cali já fez uma boa campanha em 2003, ficando à frente do River Plate na primeira fase. Os verdiblancos só não foram mais longe porque perderam uma partida relativamente tranqüila para o Pumas Unam, do México, nas oitavas-de-final. O clube, que é considerado um modelo de gestão no futebol colombiano, tem um jogo habilidoso e rápido, com o centroavante Carlos Castillo trabalhando como única referência na frente.
Por fora corre o Colo Colo. Os chilenos não estão mais fortes como no início dos anos 90, mas tiveram um final de ano até razoável em 2003, mesmo perdendo em casa a final do Torneo Clausura para o Cobreloa. Os principais jogadores a disposição do técnico Pizarro (meia da seleção da estrela solitária nos anos 80) são os meias Villarroel e o atacante Neira.
Depois de liderar o quadrangular final do Torneio Clausura de 2003 e perder o título de forma melancólica, o Bolívar decidiu investir. Montou um time com nomes conhecidos como Sandy, Carabali, Galindo e o atacante José Castillo, um dos maiores artilheiro do mundo segundo as estatísticas. Foi o suficiente para a imprensa local apelidar a Academia de “os galáticos”, em referência à quantidade de estrelas no grupo. Mesmo para os padrões bolivianos, é um exagero. O time ainda tem dificuldades em encaixar seu jogo e não deve ter muito sucesso no forte grupo em que está. Talvez consiga alguma coisa por causa da altitude. Mas é só.
Grupo 9
No grupo mais equilibrado (o que não quer dizer que seja o melhor) dessa primeira fase, o favoritismo fica com o Olímpia simplesmente pela maior tradição. Falando em tradição, os paraguaios estão novamente sob o comando do uruguaio Luís Cubilla, técnico do clube nos títulos continentais de 79 e 90. O time-base é razoável e experiente, com jogadores como os meias Orteman (um dos responsáveis pelo título de 2002), Esteche, Camps e Enciso, o defensor Cáceres e o goleiro Aceval.
O Olímpia fica como favorito apenas pela tradição. Até porque Rosário Central e Coritiba são incógnitas nessa Libertadores. Os argentinos levam pequena vantagem por já possuírem experiência recente em competições sul-americanas, com uma semifinal (2001) e uma oitavas-de-final (2000) de Libertadores. O começo de década foi ruim para os centralinos, mas o time se recuperou no último ano, com duas boas campanhas (que, inclusive, evitaram o rebaixamento do clube). A principal contratação do clube foi o zagueiro Raldes, capitão boliviano no Pré-Olímpico. Ao lado do experiente Carbonari, pode formar uma defesa segura.
Entre os brasileiros, o Coritiba é o que deve ter mais problemas para se classificar. Além de haver dúvidas a respeito do comportamento dos paranaenses na competição continental, chegaram poucos reforços ao Alto da Glória. O setor mais forte é o ataque, com Aristizábal e Luís Mário. O resto do time é do mesmo nível do ano passado, quando o mérito era o conjunto montado por Bonamigo. Mas o técnico é outro em 2004, o que pode ser uma má notícia para o coxa.
O Sporting Cristal é outra incógnita vinda do Peru. Pior, o único parâmetro que se tem dos cervejeiros é que estão mais fracos que o rival Alianza. Podem surpreender porque o grupo não é dos mais fortes, mas os torcedores não devem contar com isso.
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Só para entender o regulamento. Todas as equipes jogam em dois turnos dentro de seus grupos. O primeiro colocado e os 5 melhores segundos se vão direto para as oitavas-de-final. os 4 piores segundos colocados fazem duas chaves de repescagem, para definir os outros dois classificados.
Ubiratan Leal
Imagens: El Colombiano, Montevideo, El Rincón de Santos Laguna, El Mercurio, Olé, Yo Soy Tucumán, Terere, Deportivo Cali e Soccer Age