Ainda não se pode falar em nada definitivo. Afinal, o Palmeiras encontrou apenas um adversário forte: o Santos. O Guarani está claramente sem um norte nessa temporada e os demais – Paulista, Marília e Ituano – não servem de parâmetro por serem integrantes da Série B nacional, a mesma que foi vencida com folga pelos verdes. A Tuna Luso, então, milita na esquecida e abandonada Série C. Então, o clássico de 1º de fevereiro foi o único jogo em que se pôde efetivamente medir o poderio palestrino. E uma partida isolada – independente de qual seja – pode induzir a erros de avaliação.
O que também não quer dizer que o Palmeiras ainda tem de provar que pode encarar os adversários da Série A. Os resultados até agora não são conclusivos, mas é um erro infantil descartá-los sumariamente. Talvez a equipe do bairro de Sumaré seja, até a metade de fevereiro, a mais equilibrada e consistente do Brasil. Em um país em que o planejamento está longe de ser lugar-comum no futebol, a base montada dá uma vantagem respeitável aos alviverdes.
Tudo porque a estrutura do time do ano passado ficou intacta. Marcos é o melhor goleiro em atividade no Brasil. A defesa não é das melhores, mas poucos clubes brasileiros podem se orgulhar de seus zagueiros. Os laterais Baiano e Lúcio são bons, sobretudo nas funções ofensivas. O volante Marcinho é muito eficiente no desarme e Magrão faz o papel de líder em campo. Na frente, Diego Souza não compromete na armação e Vágner mostrou potencial para ser um grande atacante. Tudo muito bem ajeitado por Jair Picerni durante a campanha na Série B.
Nada mal. Mas poderia ser melhor. O time é muito jovem e afoito. Assim, é dominador quando tem o contra-ataque à disposição, pois os laterais, Diego Souza e os dois atacantes são extremamente velozes. No entanto, quando é necessário tocar a bola, cadenciar, perfurar uma defesa fechada, segurar o resultado ou adotar qualquer outra mudança na estratégia de jogo, o Palmeiras se perde. Se recuperar a forma, Pedrinho pode ser útil no toque de bola do meio-campo. Um atacante mais plantado (já que o reserva imediato de Vágner é Muñoz, outro corredor) e fisicamente forte também poderia dar mais variação ao jogo alviverde. Por fim, um zagueiro central mais confiável para fazer companhia a Daniel daria mais tranqüilidade a Marcos.
Como, além dessas posições estratégicas, o Palmeiras também carece de um banco de reserva mais abastecido (principalmente para os meias e atacantes), não dá para projetar um sucesso estrondoso em um torneio longo como um Brasileirão de 46 rodadas. No máximo, é possível torcer por boas campanhas no Paulista e na Copa do Brasil. Afinal, boa parte dos times da Primeira Divisão de 2003 conseguiu se desarrumar mais ainda na pré-temporada, o que deixou o Palmeiras no mesmo nível de quase todos eles.
Talvez só Cruzeiro, Santos e, em menor escala, São Paulo estejam melhores que os palestrinos hoje. Em alguns meses, outros também podem ficar à frente dos alviverdes, como São Caetano, Internacional e Atlético-MG. No mais, o Palmeiras tem condições de fazer uma boa temporada na Série A, brigando por posições no segundo pelotão e enfrentando sem medo os líderes. Se ganhar alguns reforços pontuais, pode lutar pelas últimas vagas para a Libertadores. Título ainda é exagero.
Ubiratan Leal
Imagens: Marcelo Ferrelli/Gazeta Esportiva e Santos