A revista Placar acabou de lançar a segunda edição de seu anuário do futebol mundial. Um fato mais que bem-vindo. Afinal, é o melhor projeto de anuário/almanaque elaborado nos últimos anos no mercado editorial brasileiro, em geral, pobre de idéias. Como melhor entenda-se não apenas o que resulte em um produto de mais qualidade, mas um que possui reais condições de sobreviver por anos, como uma referência de pesquisa para os amantes de história do futebol.
A estrutura básica do Anuário Placar 2003 foi mantida. O projeto gráfico é o mesmo, permitindo fácil consulta e visualização dos dados. A gama de campeonatos abordados também não foi alterada, com todos os nacionais (séries A, B e C e Copa do Brasil), regionais (no caso, só o Nordestão), estaduais (todos, de São Paulo a Roraima) e internacionais de seleções (Copa do Mundo, Olimpíadas, Copa das Confederações e copas continentais) e de clubes (copas continentais e liga nacionais de 7 países).
Há os resultados e artilheiros de todas as partidas e uma ficha técnica dos principais clubes de cada uma dessas competições, além de um apanhado histórico, com todos os campeões (no caso da Copa do Mundo e do Brasileirão, há ficha técnica da final e foto do time campeão). Para não ficar na estatística pura, pequenos textos contextualizam cada torneio.
Ainda assim, há diferenças dessa edição para a do ano passado. Provavelmente para economizar dinheiro (há anos a Placar não é sucesso comercial que a editora Abril gostaria), o número de páginas caiu de 796 para 532. Lógico, sumiu uma parte do conteúdo da versão de 2003. A maior parte era até dispensável, outra foi natural (não há mais regionais e a Copa dos Campeões). Porém, a ausência das fichas técnicas completas dos jogos da Série A e da Copa do Brasil é sentida.
Outros dois pontos em que se nota o barateamento da produção é na queda da qualidade do papel e da impressão e na largura do anuário (1,2 cm menor que em 2003). Esses dois aspectos até podem passar despercebidos por um olho menos acostumado, mas fazem diferença quando colocadas as duas publicações lado a lado.
Vale dizer que são até aceitáveis as tentativas de compatibilizar os custos do Anuário Placar. Afinal, é preferível cortar na produção industrial que no conteúdo, pois é desse último que o torcedor brasileiro mais sente falta.
Ainda assim, ficam alguns probleminhas editoriais. O primeiro é operacional. Para atender aos apertados prazos de fechamento, os capítulos que tratam do Campeonato Brasileiro têm erros de revisão. Nada grave, mas deve haver mais cuidado para a próxima edição. Além disso, as páginas históricas de todos os campeonatos estão quase iguais ao Anuário de 2003, tanto no texto quanto na foto. Textos novos, com outras abordagens históricas para cada torneio pode ajudar a fidelizar o leitor.
No mais, é a melhor obra periódica de referência que temos no Brasil. Outras – como o Almanaque do Futebol Paulista e o Almanaque de Futebol Brasileiro – até tinham seus méritos, mas pecavam por não mudarem quase nada de uma edição para outra. Não havia motivo para comprar as novas versões. O Anuário Placar 2004 é quase todo novo. Por isso, quem quer ter dados sobre o ano futebolístico de 2003 deve comprar.
Mais informações
O Anuário Placar 2004 está à venda nas bancas de jornal por R$ 29,90 (preço impresso na contracapa). Não há um autor da publicação, mas a equipe editorial foi liderada pelos jornalistas Celso Unzelte, o mesmo do Livro de Ouro do Futebol e do Almanaque do Timão, Arnaldo Ribeiro, Silvana Ribeiro e Sérgio Xavier Filho.
Ubiratan Leal
Imagem: Placar