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« Copa Libertadores da América | Página inicial | Imprensa raramente vê meio-termo »

3/02/04

Brazil

A Copa do Brasil não tem mais identidade


A Copa do Brasil – cuja edição 2004 começa hoje – é um dos torneios mais interessantes do nosso futebol. Não apenas por suprir a carência de mata-matas resultante do campeonato nacional de pontos corridos, mas também pelo fato de juntar grandes, médios, pequenos e minúsculos. O pior é que, mesmo com esses atrativos, a Copa do Brasil está desfigurada, não se sabe mais que ela é.

O torneio foi criado pelo recém-eleito Ricardo Teixeira como compensação às federações de Estados menos representativos pelo enxugamento do Campeonato Brasileiro. Foi uma medida política, mas com um resultado bom. Eram apenas 32 participantes, compostos pelos campeões estaduais e os 10 vices de Estados mais importantes (naquela época não existiam os Estaduais de Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins e Acre).

Manter os 32 times realmente seria exagerado. Com a criação de 5 novos Estaduais, seria um torneio para o campeão de cada Estado e apenas 5 vices. Nisso, os 64 clubes atuais até podem fazer algum sentido. O problema é a dúvida filosófica que ronda em torno da competição. A CBF tem de definir se a Copa do Brasil continuará tendo como base para sua classificação os Estaduais ou se vai abrir mais.

Hoje, há um meio-termo bastante esquisito. Um ranking da CBF define uma parte dos participantes a as federações (pelos campeonatos Estaduais ou por seletivas) apontam outros. Muito estranho e pouco convincente. No fundo, fica a sensação de que são desculpas técnicas para convidar quem os dirigentes acham interessantes.

Pelo Estatuto do Torcedor, é obrigatório haver um critério técnico para a escolha dos participantes de uma competição no país. Por tradição (que nos remeteria à antiga Taça Brasil), ter a definição pelos Estaduais seria a melhor alternativa. É um método claro para o torcedor e, além de tudo, valorizaria um pouco os semi-abandonados (quando não completamente abandonados) Estaduais.

Se for assim, o ideal seria fazer como os europeus com a Copa da Uefa. Dá um peso para cada federação de acordo com o desempenho dos clubes nos últimos anos e define as vagas pelo Estadual. Por exemplo, São Paulo teria 6 vagas, seguido por Rio de Janeiro (5), Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná (4), Bahia, Santa Catarina, Pernambuco, Pará, Ceará e Goiás (3), Distrito Federal, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Amazonas (2), e os demais (1). Essa relação poderia mudar a cada ano de acordo com o desempenho dos times.

Outra opção é adotar o modelo europeu. A Copa nacional tem a função de unificar o futebol do país, levá-lo aos locais mais improváveis. Assim, torneios com mais de 100 ou 200 clubes são comuns. É uma idéia interessante e que teria sucesso no Brasil se adotada com cuidado.

O regulamento deve impedir que isso se torne uma bagunça generalizada. Os clubes minúsculos entrariam em fases preliminares para evitar jogos inúteis entre os grandes e clubes que estariam na quarta divisão se essa existisse. Para dar mais emoção, países como França e Espanha adotam o mata-mata em jogos de ida até as quartas-de-final. O mando de campo é sempre do clube de divisão mais baixa (no caso de jogos entre times da mesma categoria, o mando é definido por sorteio). Assim, a chance de o São Paulo ser desclassificado pelo Botafogo-PB seria muito maior, já que não haveria partida no Morumbi.

Mas enquanto não se descobre se a Copa do Brasil tem como base os Estaduais ou se engloba times de todos os rincões do país, a saída é acompanhar o que temos para esse ano. Novamente, em um equívoco cretino de quem organiza o calendário brasileiro, os clubes classificados para a Libertadores estão de fora. E a ausência de Cruzeiro, Santos, São Paulo, São Caetano e Coritiba serão sentidas.

A Copa do Brasil 2004 se caracteriza por apresentar vários clubes incomuns para competições nacionais. Com o Coritiba de fora e as más campanhas de Atlético e Paraná no Estadual de 2003, o Paraná é representado por Paranavaí (foto), Londrina e Prudentópolis. São Paulo terá Corinthians, Palmeiras, Portuguesa Santista, Santo André, Guarani e União Barbarense. Nada de Ponte Preta e Portuguesa. Minas Gerais, além do eterno Atlético e do América, terá o Uberlândia e o Tupi de Juiz de Fora. O Bahia também ficou de fora, dando espaço para Vitória (claro) e Catuense.

É difícil fazer um prognóstico ou qualquer coisa mais analítica com tantos clubes desconhecidos. Seria leviano ou preconceituoso julgar equipes sem ao menos, conhecer um pouco o trabalho feito por lá. Pelo que se sabe, dá para destacar confrontos como Caxias-SC x Fluminense-RJ, CRB-AL x Flamengo-RJ e Botafogo-PB x Corinthians por existir uma pequena possibilidade de surpresas.

Os demais grandes como Botafogo-RJ (pega o Maranhão), Palmeiras (Tuna Luso-PA), Vasco (Flamengo-PI), Grêmio (Chapadão), Atlético-MG (Catuense) e Internacional (Confiança), devem passar nessa primeira fase. Outros jogos que, em teoria, parecem interessantes pelo equilíbrio e por colocar à prova alguns clubes. Como Londrina-PR x América-RJ e ASA-AL x Brasiliense-DF (as duas surpresas da Copa do Brasil de 2002).

Mas é justamente essa função da Copa do Brasil, confundir (no bom sentido) o torcedor, trazendo novas caras e derrubando favoritos. Pena que esse tipo de confusão tenha contaminado a forma de definição dos participantes. Esse aspecto deveria ser bastante previsível.

O Juventude silencia o Maracanã e comemora a conquista da Copa do Brasil de 1999. Talvez tenha sido a maior surpresa da história da competição

*

Outra medida que melhoraria a Copa do Brasil é realizar todos o sjogos de uma fase na mesma semana. Por exemplo, nesse meio de semana poderiam ser todos os jogos de ida da primeira fase. Em duas semanas poderiam ser todas as partidas de volta. Mas não. De acordo com a tabela da CBF, a primeira fase ocupará 3 datas. Em 4 de fevereiro serão realizadas 20 partidas (todas de ida). Em 17/18 outras 32 (sendo 20 de volta e 12 de ida). E em 3/4 de março ocorrerão as outras 12 partidas de volta. Uma data foi desperdiçada e o calendário apertado do nosso futebol não pode se dar a esse luxo.

*

Vejam os confrontos da Copa do Brasil. Abaixo vai de forma que você possa montar sua tabela. O vencedor do primeiro jogo pega o vencedor do segundo. Quem passar pega o ganhador do confronto entre os classificados do terceiro e do quarto jogo. E assim por diante.

Tuna Luso-PA x Palmeiras-SP
São Gabriel-RS x Figueirense-SC

Cuiabá-MT x Goiás-GO
ASA-AL x Brasiliense-DF

Catuense-BA x Atlético-MG
Novo Horizonte-GO x Santo André-SP

Serra-ES x América-MG
União Cacoalense-RO x Guarani-SP

Maranhão-MA x Botafogo-RJ
Paranavaí-PR x Gama-DF

Palmas-TO x Remo-PA
Parnahyba-PI x Nacional-AM

Flamengo-PI x Vasco-RJ
15 de Campo Bom-RS x Portuguesa Santista-SP

Sergipe-SE x Americano-RJ
Atlético-RR x Sport-PE

Corinthians-SP x Botafogo-PB
Ferroviário-CE x América-RN

Atlético de Cajazeiras-PB x Fortaleza-CE
Rio Branco-AC x Rio Negro-AM

Confiança-SE x Internacional-RS
São Gonçalo-RN x Prudentópolis-PR

Colatina-ES x Vitória-BA
Ypiranga-AP x Sampaio Corrêa-MA

Chapadão-MS x Grêmio-RS
América-RJ x Londrina-PR

Uberlândia-MG x Juventude-RS
Caxias-SC x Fluminense-RJ

CRB-AL x Flamengo-RJ
Tupi-MG x Bangu-RJ

Santa Cruz-PE x Barra-MT
Cene-MS x União Barbarense-SP

Ubiratan Leal

Imagens: A Notícia, NotíciasNet, O Diário, Butuca Ligada e Paranavaí site não -oficial

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