No começo de 1997, o vitorioso técnico Telê Santana se recuperou do tratamento de saúde por que passou e pôde retornar ao futebol. Com contrato já assinado, o treinador chegou ao Parque Antártica com a missão de levar o Palmeiras à sua (do clube) primeira Taça Libertadores da América.
O maravilhoso time de Wanderley Luxemburgo (ainda com W e Y) havia ganhado o Campeonato Brasileiro de 1996 – desbancando os botinudos do Grêmio e a esforçada e surpreendente Portuguesa – e estava pronto para conquistar a América. Porém, Luxemburgo foi tentar a sorte na Espanha como técnico do Valencia e a Parmalat trouxe Telê. Todos sabiam que, com o dinheiro da multinacional e o talento do técnico, o Palmeiras se manteria entre os times mais fortes do mundo. Além disso, seria a consolidação do domínio alviverde na última década do século XX.
Até as quartas de final, o Verdão foi um time impecável. Só vitórias e futebol bonito, apesar de Galeano ser considerado o novo Pintado e Junior Touché, o novo Ronaldão. Com Telê no banco nem a turma do amendoim tinha coragem de reclamar. Nas quartas-de-final, o Grêmio, que havia perdido o título do Brasileirão para o Palmeiras, veio mordido e Felipão armou um time surpreendentemente ofensivo para o segundo jogo, no Olímpico.
Semanas depois ainda discutiam o placar daquele jogo: 7 a 7, com três gols de Oséias para o Palmeiras e três de Jardel para o Grêmio. Os outros quatro ninguém conseguia lembrar, pois as jogadas que os originaram foram coletivas e tão bem trabalhadas que o crédito do feito deveria ser dividido entre os 11 de cada time. Com o espetacular empate, o Palmeiras se classificou e não parou de golear até levantar a taça contra o Atlético Nacional de Medellín, na Colômbia. O Mundial nunca esteve tão próximo da Academia de Futebol.
Mas, para variar, um time vencedor gera interesses, que geram verdadeiros desmanches. O Palestra segurou quase todos os jogadores, exceto Oséias, que foi para o La Coruña. Porém, o desfalque mais sentido foi no banco: Depois de uma semana do título continental, Telê era anunciado como novo técnico da seleção.
O Palmeiras perdeu seu rumo e seu futebol. Chegou a Tóquio descaracterizado tática e espiritualmente e armou uma retranca para não perder para o Ajax. O título dos holandeses só veio nos pênaltis após 120 minutos sem gols.
Quanto a Tele... Bem, na Copa de 98, as expectativas eram gigantescas: será que o time de 82 será reeditado? O futebol de Telê ainda é moderno o suficiente para trazer o Penta? A resposta era: Taffarel; Junior Baiano, Junior Touche e Antonio Carlos (como libero); Dunga (como capitão), Roberto Carlos e Denílson (pela esquerda) e Juninho e Edmundo (pela direita).
O esquema do time fugia a compreensão simples do 3-5-2 ou do 4-4-2. Alas e atacantes mudavam de posição e o vigor da defesa garantia o espetáculo do ataque. A resposta das perguntas foi “sim”. Telê conseguiu ser moderno, mas não deixou de ser mágico. Chamá-lo de mestre era pouco.
Continua...
Juliano Barreto
Imagem: Lancenet e Verdão
Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência