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« Sociologia do Futebol | Página inicial | Der Deutsche Demokratische Republik »

14/01/04

E se...

E se Kaká fosse um fiasco na Europa?

Futebol é um esporte de chutes. Principalmente fora de campo, onde dirigentes, torcedores e jornalistas praticam o exercício da adivinhação a cada rodada. O texto a seguir é o primeiro de uma série chamada "E se...". Nele, vamos esquecer que Kaká foi capa da Newsweek especial “Quem será capa em 2004”, que seus primeiros seis meses de Itália foram de pleno sucesso e vamos imaginar o que aconteceria se tudo tivesse dado errado.

Voltemos um pouco no tempo. No início de 2003, todos davam como certa a transferência de Kaká para o Milan. Não fosse a fraca campanha da Internazionale em 2002, isso seria verdade. Ex-jogador do Milan e do São Paulo, Leonardo já havia convencido o jogador e seu empresário, lançando mão de argumentos como as inúmeras vantagens de jogar no calcio, de viver em Milão e da boa quantia de dinheiro que isso lhes renderia. Porém a rivalidade milanesa falou mais alto.

Os dirigentes da Inter faturaram alto com a venda de Crespo para o Chelsea e queriam um atacante leve, técnico e jovem para fazer dupla com Vieri. Não deu outra. A Inter dobrou a proposta do rival e Kaká foi, como esperado, a Milão, mas para jogar de azul. Ao chegar na Bota, o atacante leu nas páginas cor-de-rosa da Gazzeta dello Sport mais uma frase polêmica de seu futuro técnico, o argentino Hector Cúper: “Nunca mais gostaria de treinar um brasileiro'”. O pior: a torcida nerazurra, ainda ressentida com a saída de Ronaldo, também recebeu o brasileiro de maneira hostil. Alguns tifosi ergueram faixas dizendo: “ACABOU O CARNAVAL”. A metade rubro-negra de Milão teve outra decepção quando seu capitão de tantos anos, Paolo Maldini, sofreu estúpido acidente de carro que tirou sua vida.

Com a bola rolando no calcio, as equipes surpreenderam e mudaram de papel.
A dupla Vieri-Kaká não se entrosou e a Inter ficou apenas como sétima melhor equipe do primeiro turno. Já o Milan tornou-se uma força imbatível. Empenhados em conquistar o título em homenagem a Maldini, o esquadrão rossonero batia recordes de público e de vitórias na Copa da Itália, no Campeonato Italiano e também na Liga dos Campeões. Durante todo aquela temporada, os jogadores do Milan entrariam em campo com uma faixa de luto.

Enquanto isso, o relacionamento de Kaká com Cúper se deteriorava a cada jogo. A imprensa dizia que Kaká só vestia camisa interista por causa da pressão dos dirigentes. Na 10ª rodada, Cuper respondeu aos comentários deixando Kaká fora da relação de jogadores que participariam do jogo contra o Chievo. Partida que a Inter perdeu em casa, o que provocou a demissão do argentino.


Kaká teria finalmente a oportunidade de jogar em um esquema mais ofensivo e mostrar seu futebol, já esquecido por Parreira e até por Ricardo Gomes, que entendiam que o atleta passava por um difícil período de adaptação. A própria imprensa brasileira já deixava de lado seu xodó. Agora, o destaque era Jorge Wágner (foto), sensação da Liga dos Campeões pelo Lokomotiv Moscou e pretendido por clubes ingleses, italianos, espanhóis e alemães.

A primeira oportunidade veio contra logo contra a Juventus, vice-líder na liga e único time que conseguiu perder de menos de 3 gols do Milan. Kaká fez um bom primeiro tempo, porém, uma dividida desastrada com o francês Thuram transformou os ligamentos cruzados de seu joelho direito em migalhas.

A complicada contusão rendeu boatos de que Kaká apenas inventou uma desculpa para rescindir com a Inter e voltar chorando para o Brasil. Nada mais injusto. Mesmo jovem e sem um histórico de contusões, o antigo craque do Morumbi sofreu três cirurgias. Mas nem a fisioterapia não dava resultados depois de oito meses de trabalhos com os melhores profissionais. A Internazionale emprestou Kaká para o Bologna na temporada seguinte. Em um clube fraco e sem motivação, seu desempenho foi decepcionante e, para tentar uma vaga entre os titulares, o atacante brasileiro aceitou jogar até de lateral-direito improvisado. Após seis meses, o grande mercado europeu fechava as portas a ele.

Em uma jogada de sorte, Kaká conseguiu uma transferência para o futebol grego. Giovanni, craque que levou o Santos ao vice-campeonato brasileiro em 1995, anunciou que deixaria o Olimpiakos. Os dirigentes logo foram atrás de Kaká.

O novo craque brasileiro, foi bem no Campeonato Grego e teve atuações medíocres na Liga dos Campeões e na Copa da UEFA, o que lhe garantiu o emprego e uma bela vista para o mar mediterrâneo durante muitos anos.

Em 2006, Milton Neves apresenta o quadro “Por onde anda?” na rádio Jovem Pan falando sobre Kaká. Um ouvinte declarou por telefone: “Ele era tão bom. Por que será que não deu certo?”


E então, Kaká? O ouvinte quer saber

Juliano Barreto

Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.

Imagens: Kaká site não-oficial, Lokomotiv Moscou e Energia 97 FM

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