http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Pouca gente acertou nas contratações | Página inicial | Primeiro turno na Europa (parte 2) »

20/01/04

Cultura & Mídia

Cuidado com verdades prontas

Comentários de futebol muitas vezes parecem um livro de auto-ajuda de baixa qualidade, de tantos conceitos prontos e imutáveis colados um após o outro. O torcedor, sempre ávido por frases fáceis e definitivas para simplificar o entendimento de tudo, acredita e repete aqueles quase-ditados populares. E a reflexão individual de cada espectador é deixada de lado.

O pior é que 2004 é ano de Pré-Olímpico, Olimpíadas (talvez), Eliminatórias para Copa, Libertadores e Copa Sul-Americana, e jogos envolvendo o Brasil e uma equipe estrangeira são o habitat natural dessas frases feitas. É óbvio que nem todo jornalista/radialista/apresentador ou coisa que o valha segue essa linha, típica dos comentaristas do óbvio. Mas muitos usam esse expediente, principalmente nos momentos de maior tensão de uma partida. Ou seja, o narrador/comentarista se transforma em um torcedor. E o torcedor, se transforma em quê?

Veja abaixo 10 das principais verdades mentirosas ditas insistentemente na nossa imprensa:

1) “Futebol é bola na rede”
Em geral, usa-se essa frase quando se quer valorizar uma equipe que venceu sem ter o domínio da partida ou para desvalorizar o domínio de um time derrotado. Levando ao pé da letra, é afirmar que dominar uma partida não é importante, pois o futebol se resume a fazer gols. Até aí, é uma opinião válida. O problema é que é empregada sempre de forma oportunista, vendo mais os agentes envolvidos na partida do que o conceito da frase em si. Se futebol se resume a fazer gol, jogar bonito não interessa, porque o importante é fazer gol, mesmo que feio. Não vejo um comentarista fora do Rio Grande do Sul defender essa idéia. Além disso, quando uma equipe brasileira domina a partida mas perde, o discurso é exatamente o oposto, com frases como “foi injusto, o adversário só foi uma vez à frente e fez o seu”. Mas futebol não era bola na rede? E ainda há comentarista que reclama da falta de critério dos árbitros de futebol...

2) “Treinador tem de ficar na beira do gramado gritando”
Essa é a que mais causa contradição. Quando Carlos Bianchi monta seu Boca Juniors de forma que anule o adversário taticamente, elogia-se a postura plácida do argentino no banco, já que ele tem o controle total de tudo o que ocorre no gramado e nem precisa se dar ao trabalho de amassar o paletó. Mas basta um time perder com o técnico passivo que logo se responsabiliza essa falta de energia pela má atuação da equipe. Como se gritar resolvesse alguma coisa. O pior é que se reduz o trabalho do treinador à gritaria dele à beira do gramado. Novamente, falta critério ideológico. Ou gritar é importante e o Carlos Bianchi é um relapso, ou simplesmente não é importante.

3) “Seleção é momento”
Isso se fala quando o técnico da seleção convoca algum jogador em má fase. É verdade que não se pode colocar eternamente um atleta pelo seu passado com a camisa brasileira, mas é radical resumir tudo a um “a seleção é momento”. Se seleção fosse momento, a cada partida teria uma escalação completamente diferente, baseada nas atuações do fim-de-semana anterior à convocação. Como entrosar um grupo assim? Como formar uma base? Seleção não é momento, mas o resultado do trabalho de muitos meses. Quem está bem há meses, merece uma chance. Quem está mal há meses, merece sair.

4) “Não pode perder para... (aqui você coloca o nome de qualquer seleção que não tenha sido campeã mundial)”
Por que não? A regra proíbe? Quando a seleção brasileira de qualquer outro esporte ganha de uma potência, ficamos ofendidos se o adversário disser que é o fim do mundo perder para o Brasil. Então, por que temos o mesmo comportamento desrespeitoso no futebol? Essa frase até seria aceita para derrotas diante de Mongólia, Samoa Americana ou São Vicente e Granadinas, mas é usada para seleções medianas que merecem crédito, como Chile, Camarões, México ou Irlanda.

5) “Ninguém tem a técnica do jogador brasileiro”
Será mesmo? Levando-se em conta que técnica não é sinônimo de habilidade, mas a soma de habilidade com passe, chute, visão de jogo, posicionamento em campo e um monte de outros fundamentos, o brasileiro pode, na média, estar à frente dos outros. Mas não é essa vantagem assombrosa. Ou alguém vai dizer que Nesta, Nedved ou Zidane não entravam fácil na formação titular da seleção brasileira?

6) “Treinador não ganha jogo”
Quem marcou gols e quem defendeu foram os atletas, mas as vitórias do River Plate sobre o Corinthians e do Boca Juniors sobre o Santos, ambas no Morumbi pela Libertadores de 2003 foram demonstrações claras que técnico ganha jogo. É verdade que, se os jogadores não colaborarem, não adianta todo o esforço do treinador. Mas a diferença entre duas equipes pode ser justamente aquele homem no banco de reservas.

7) “Se o futebol brasileiro fosse organizado, seria como a NBA”
Não seria porque o futebol, pela sua mecânica, por permitir que uma equipe seja dominada e vença e por ser largamente praticado em quase todo o mundo, não dá espaço para que um país tenha um domínio tão grande a ponto de se considerar invencível. Se três jogadores brasileiros não estão bem, já é suficiente para que outra boa equipe vença. Se o juiz não está muito amigável, o Brasil também pode perder. Não dá para aplicar a lógica do basquete no futebol.

8) “Eu nunca vi ... (aqui você põe o nome de qualquer estrela estrangeira, como Beckham, Figo, Raúl, Van Nistelrooy, Henry e Shevchenko) jogar bem”
O comentarista que diz isso provavelmente nunca viu o futebolista em questão jogar partida alguma, bem ou mal. Se alguém quer “desmascarar” uma estrela internacional, tem de apresentar argumentos, exemplificando, mostrando situações em que aquele jogador realmente não foi bem. Soltar essa frase do nada sem se basear em informação alguma é jornalisticamente leviano.

9) “Qualquer um faz sucesso na Europa”
É difícil argumentar contra essa frase no momento em que você se lembra que Catanha até atuou pela seleção espanhola, que Ratinho foi estrela no Kaiserslautern e que Taddei é uma das revelações do Campeonato Italiano. Mas jogadores como Alex (do Cruzeiro), Marcelinho Carioca e Luís Fabiano não foram exatamente um sucesso quando passaram pela margem leste do Atlântico Norte. O sucesso depende mais da adaptação pessoal do que da qualidade técnica.

10) “Tem jogador aí que parece ter quase 30 anos”
Não duvide se alguém disser ou escrever isso em uma eventual partida do Brasil contra uma seleção africana nas Olimpíadas. Realmente, há jogadores em seleções do continente negro que aparentam ser mais velhos que a ficha de inscrição do atleta indica. Mas nenhum brasileiro tem moral para falar disso após tantas denúncias de jogadores com idades adulteradas em diversos campeonatos de jogadores com limitação de idade.

Ubiratan Leal

Imagem: Eu Odeio o Galvão Bueno

Deixe sua opinião (1)

Nedstat Basic - Free web site statistics