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28/01/04

Brazil

Ainda não é hora de acabar com os Estaduais

Vasco x Portuguesa-RJ 2004.jpg

Excetuando o Rio Grande do Sul, todos os demais campeonatos estaduais importantes do Brasil já começaram. E volta a discussão sobre a permanência ou não desse tipo de torneio, se os regionais deveriam substitui-los ou se o Brasileirão mesmo deveria ser mais espaçoso. Quando o nível do debate é bom, sobram argumentos válidos para todos os lados e a conclusão se torna pessoal. Mas o Balípodo acha que os Estaduais ainda são necessários.

Um dos problemas não abordado nessas discussões é o papel secundário dos Estaduais. O importante nos estaduais de hoje é permitir que um clube pequeno tenha a possibilidade de crescer. Afinal, contar com a confusa Série C para ascender é ridículo. Para os pequenos (incluindo seus torcedores), é importante não perder a referência do grande, jogar partidas oficiais contra esses clubes e mostrar serviço.

Além disso, os Estaduais permitem que um futebol pretensamente profissional chegue diversos cantos do país. Claro, partindo do princípio que lugar de time grande é em seu estádio. Alugar o mando de campo para outras cidades vai contra qualquer suspiro de administração séria que se pode implementar em um clube. Os locais longe dos principais centros teriam de contar com suas equipes para ver futebol de perto. Pode parecer picuinha, mas pergunte a um torcedor de time pequeno como ele se sentiria se soubesse que seu clube provavelmente nunca mais jogará com um grande. Essa pessoas não podem ficar de fora dos debates simplesmente por escolherem uma equipe com pouco destaque.

É claro que boa parte dos pequenos é mantida por empresários com pouco compromisso esportivo. Esses, no fundo, já estão condenados em médio prazo. Ainda assim, o futebol brasileiro tem de contar com algum mecanismo que possibilite que os poucos que fazem trabalhos sérios possam ascender. O Estadual não é a melhor opção, mas ajuda um pouco.

Por isso, antes de extinguir com os Estaduais, deve-se criar uma estrutura mais sólida para os pequenos, com Série C e D divididas regionalmente e com jogos em todo o ano. Terminar os Estaduais antes disso pode causar um genocídio de clubes pequenos. Isso já está acontecendo, pois os Estaduais estão apequenados, os regionais foram extintos antes que pudessem dar resultados mais duradouros e as competições nacionais ignoram os clubes menores.

Algo precisa ser feito. Talvez nem seja a continuidade dos Estaduais. Mas o que não se pode perder de vista é que a extinção desses campeonatos está ligada a um projeto de calendário do futebol brasileiro. E de se definir o que fazer com os times pequenos desse país.

*

Alguns podem pensar que, nos Estados Unidos, as ligas profissionais são restritas a algumas cidades, sinal de um modelo que privilegia apenas os grandes e deixa de lado as pequens cidades. Mas não é verdade. Apesar de não haver rebaixamento e promoção, cada esporte norte-americano conta com várias ligas profissionais, cada uma com um nível de qualidade. Assim, o torcedor de centros menores pode contar com equipes profissionais, sim. Isso sem falar nas populares ligas universitárias. Há esporte para todos nos Estados Unidos, mesmo adotando um modelo completamente inexeqüível o Brasil.

Ubiratan Leal

Imagens: Vasco

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