http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Festa em Cuzco e em todo Peru: é o Cienciano | Página inicial | Aos 18 minutos, o time da casa... »

15/12/03

O mundo não é uma bola...

O sucesso do Boca Juniors não é surpreendente


Pirlo bate mal o pênalti e Abbondanzieri defende. Em seguida, Schiavi cobra bem e Dida nada pode fazer. Nova chance para o Milan e Rui Costa iguala o placar. Logo depois, Bataglia facilita o trabalho de Dida e desperdiça a cobrança. Daí para frente, tudo foi fácil para o Boca. Seedorf e Costacurta desperdiçam suas cobranças, enquanto Donnet e Cascini faziam do Boca Juniors o novo campeão mundial de clubes. Um título merecido e, ao contrário do que boa parte da imprensa disse, relativamente esperado.

Por causa da infra-estrutura e do elenco milionário, os italianos do Milan eram considerados favoritos com folgas a conquista de sua 4ª Copa Intercontinental. Para dar mais argumentos aos rossoneri, a equipe milanista é bem definida taticamente e ponteava o campeonato italiano, considerado o mais difícil (não significa necessariamente o melhor) torneio nacional do mundo.

Esqueceram de analisar o adversário, no caso, o Boca Juniors. Nada de inesperado nisso. Se a imprensa daqui raramente analisa um argentino quando enfrenta um brasileiro na Libertadores, não é antes da decisão do Mundial diante de um time italiano que o fará. Assim, não viram as possibilidades de um clube que lutava pelo terceiro campeonato mundial, marca só atingida por Real Madrid, Peñarol, Nacional e pelo próprio Milan.

O interessante é que essa força boquense é resultado de um processo que começou há 5 anos, com a chegada do técnico Carlos Bianchi ao clube do bairro portuário de Buenos Aires. O “Virrey” foi contratado para realizar um projeto de médio prazo, após uma temporada sem sucesso na Itália, dirigindo a Roma.

Mesmo com os maus resultados na capital da Bota, Bianchi merecia tamanha confiança. Ele se destacara ao guiar o Vález Sarsfield ao título da Libertadores em 1994, surpreendendo cerca de 100 mil são-paulinos que lotaram o Morumbi para ver o tricampeonato do time de Telê Santana. E a vitória do modesto clube do subúrbio de Buenos Aires, não foi apenas um acaso. Os fortineros se classificaram em primeiro no grupo da morte na primeira fase, superando o próprio Boca Juniors, o Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo, Edmundo, Evair, Roberto Carlos e César Sampaio e o Cruzeiro do jovem artilheiro Ronaldo. Depois de conquistada a América do Sul, foi a vez do resto do mundo. O que aconteceu com uma vitória de 2x0 sobre o favoritíssimo Milan em Tóquio.

Foi com essas credenciais que ele ingressou no clube portuário. O Virrey tratou de implantar um trabalho de base consistente, revelando ou buscando fora talentos que pudessem vingar no time principal. Era uma forma de tentar rivalizar com o River Plate, tradicionalmente o maior celeiro de craques na Argentina (só nos últimos anos, saíram de Nuñez Crespo, D'Alessandro, Gallardo, Ortega, Almeyda, Ayala, Placente, Sorin e Saviola).

Dessa forma surgiram jovens como o meia Juan Román Riquelme, o que juntou a mística da torcida fanática e a garra com a mais fina técnica do futebol argentino. Para completar o elenco, Bianchi buscou a experiência de jogadores como Mauricio Serna, capaz de dar segurança ao meio-campo e liberar os homens de criação. Um claro exemplo disso foi a partida Palmeiras x Boca, nas semifinais da Libertadores de 2001, em que Riquelme levou praticamente sozinho a partida aos pênaltis.

Foi com essa política que o Boca conquistou a Libertadores em 2000 e 2001. No primeiro ano, chegou ao Japão desacreditado côo nesse fim-de-semana. Afinal, o Real Madrid contava com Roberto Carlos, Raul e Figo. Em 5 minutos, Palermo já havia feito os dois gols que deram o segundo mundial aos xeneizes. No ano seguinte, o Boca não era mais um azarão. E justificou a fama, fazendo uma partida equilibrada contra o Bayern de Munique e só perdendo com um gol na prorrogação.

Em 2002, a diretoria resolveu reformular, sacando inclusive Bianchi. Com o uruguaio Óscar Tabárez no comando, os boquenses não passaram das quartas-de-final da Libertadores, derrotados pelo Olímpia paraguaio. A hinchada protestou, expondo bandeiras pretas nas arquibancadas. Era o sinal de que Bianchi e sua filosofia deveriam voltar.
E assim foi feito. Bianchi montou uma nova equipe para 2003, seguindo a política de apostar em talentos que se escorariam em uma base experiente e de confiança. Esse novo Boca tinha uma nova estrela, o meia Carlos Tévez.

No meio-campo, Cagna e Battaglia davam o combate, enquanto Schiavi comandava a defesa. No gol, o pouco confiável Abbondanzieri, reserva do colombiano Córdoba na primeira passagem de Bianchi pelo clube.
Por aqui, ninguém via as qualidades dessa equipe, cuja aplicação tática chega a enervar de tão precisa. A derrota para o Paysandu em La Bombonera pelas oitavas-de-final da Libertadores era um sinal de que o Boca não era o mesmo de dois anos antes. Eis que o inesperado (para os brasileiros) acontece, Guillermo Schelotto leva os argentinos à vitória no calor equatorial de Belém, 4x2. A partir daí, os auri-azuis mostraram jogo após jogo que tinham a mesma força de antes, vencendo todas as partidas restantes do torneio.

Assim, era lógico que os argentinos chegariam a Yokohama com as mesmas possibilidades de quando enfrentaram Real Madrid e Bayern de Munique. Se, naquelas oportunidades, o Boca mostrou ser tão forte e competente quanto os maiores da Europa, em 2003 não seria diferente.

E assim começou a partida. Tévez, se recuperando de contusão, começou no banco, assim como Filippo Inzaghi, atacante italiano cujo salário supera a folha de pagamento de todo o elenco xeneize. O Milan é tecnicamente superior e domina o início da partida, muito concentrada no meio-campo. E justamente em uma erro de passe nesse setor surgiu o gol italiano. Em um erro de passe argentino, Pirlo rouba a bola e lança Tomasson que arremata sob as pernas de Abbondanzieri.

Mas o Boca se recolocou na partida 4 minutos depois. Iarley foi lançado livre e passou para Donnet na saída de Dida. Sem goleiro, o meia não teve dificuldades em empatar. Logo depois, Kaká ainda leva a bola à trave de Abbondanzieri, mas pouca coisa ainda estava para acontecer. No segundo tempo, Inzaghi e Tévez entram. O segundo é mais efetivo que o primeiro, mas os times arrastam a partida até os pênaltis, passando antes pela prorrogação. No final, nem o bom retrospecto de Dida deu o título aos milanistas.

Com mais um Mundial conquistado, o Boca Juniors já se coloca, nesse momento, entre os grandes do futebol mundial, mesmo com um orçamento absurdamente inferior ao dos clubes europeus. Tudo resultado de um trabalho que pode ser mantido. É verdade que não é fácil manter um nível tão alto de competividade e o planejamento em um clube apaixonante como o Boca. Ainda mais se os boatos de que Virrey sairá se confirmarem.

Jogadores do Boca comemoram o gol de empate em Yokohama. Maior virtude da equipe é o esquema que dá suporte ao talento de jogadores como Tévez e Iarley

*

Carlos Bianchi é apelidado de “Virrey” em referência aos vice-reis (virrey em espanhol) que a Espanha designava para governar as colônias latino-americanas. Dos últimos 10 Mundiais de Clubes, os sul-americanos só ganharam 3 vezes. Todas com Bianchi no comando. Nenhum técnico foi tantas vezes campeão do mundo.

Gilberto Meazza

Imagens: La Gazzetta dello Sport, Vélez Sársfield e Olé

Deixe sua opinião (1)

Nedstat Basic - Free web site statistics