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11/12/03

Histórias

Glórias nos porões do futebol francês

Nos anos 50, um clube dominava o futebol francês, conquistando diversos títulos nacionais e fazendo o país crer que poderia fazer frente aos poderosos vizinhos europeus. No embalo dessas vitórias, Gabriel Hanot, editor do jornal esportivo L’Équipe, teve a idéia de criar um campeonato interclubes no continente como forma de medir as principais forças da época. A Copa dos Campeões nascia e, para satisfação de Hanot, o tal clube francês chegou à final.

Hoje, quem olhar no histórico do principal torneio de clubes do mundo verá registrado um Real Madrid x Stade de Reims como a primeira final do torneio. Os merengues estavam formando a que seria a melhor equipe de sua história (e uma das maiores do futebol mundial), com Di Stéfano e Gento. O Reims havia vencido a Copa Latina em 1953 (batendo Valencia e Milan) e era comandado pelo meia Kopa.

A partida realizada no estádio Parc des Princes, em Paris, foi histórica. Os rouge et blancs começaram bem e fizeram 2x0 em apenas 10 minutos, gols de Leblond e Templin. Pouco depois, o terceiro gol só não saiu porque um defensor madridista salvou em cima da linha um arremate de Kopa. Em seguida, os merengues diminuíram com Di Stéfano e empataram com Rial. Fim do primeiro tempo.


Na volta do intervalo, os franceses param a reação espanhola e voltam a se colocar na frente com um gol do capitão Hidalgo (que se tornaria técnico da seleção francesa na Copa de 82). O Real nem deu tempo para os franceses sentirem muito a sensação de conquistar o primeiro título europeu, já que Marquitos empatou 5 minutos depois e, aos 34, Rial virou. Pressão do Reims, que até acertou uma bola na trave aos 43, mas não conseguiu empatar. O título era espanhol.

Hoje, todos se lembram daquele Real Madrid, até porque a equipe foi reforçada nas temporadas seguintes por craques como Puskas, Didi e Canário. Em 1958, o próprio Kopa incorporou-se ao elenco madridista. Mas pouco se fala do Reims. E olha que os rouge et blancs fizeram ainda mais história.

Em 1958, a França foi a terceira colocada no Mundial da Suécia com um futebol extremamente ofensivo que só parou no Brasil de Pelé. Pois, daquela seleção gaulesa, 5 jogadores – Penverne, Jonquet, Piantoni, Vincent e o artilheiro Fontaine – eram do Stade de Reims. Na verdade, eram 6 rémois entre os bleus, já que o técnico Albert Batteux dividia funções no Reims e na seleção nacional. E só não eram 7 porque Kopa acabara de se transferir para o Real Madrid.


Com essa base o Reims voltou à final da Copa dos Campeões, em 1959. nova derrota para o Real Madrid, dessa vez por 2x0 em Stuttgart, Alemanha. Depois dessa partida, Kopa voltou ao clube da região de Champanhe, mas o futebol francês entrou em crise, afetando diretamente os rouge et blancs. Para muitos, esse foi o último contato com o Reims, o que faz parecer que o clube fechou as portas.

Chegou perto disso, mas os rémois resistem, vagando nos porões do futebol francês em busca de seu passado de glórias. O último título nacional foi conquistado em 1962. Duas temporadas depois, o clube foi rebaixado. A segunda metade da década de 60 foi marcada com promoções e rebaixamentos,a te que os rémois conseguiram uma certa estabilidade na elite entre 1971 e 1979. Nesse ano, foi rebaixado da Primeira Divisão para nunca mais voltar.

O Stade de Reims ficou 12 anos na Segundona francesa, mas a crise do clube se acentuou nos anos 90, quando, aí sim, o clube quase faliu. Em busca de um respiro financeiro, a diretoria decidiu leiloar os troféus. Não adiantou em, em 1994, o clube estava na Sexta Divisão gaulesa. É verdade que o clube subiu logo em seguida, mas havia poucas indicações de que haveria uma melhora sensível.


Até que, em 1996, o publicitário Christophe Chenut assumiu a presidência do clube. Ele convenceu uma série de empresários a apoiar o Reims e recomprou boa parte dos troféus vendidos. E deu resultados. A pequena torcida voltou ao estádio na esperança de rever um Reims vencedor. Na temporada 2002-03, o clube já estava na Ligue 2, a Segunda Divisão francesa. Parecia o renascimento dos rouge et blancs. Mas a equipe não correspondeu às expectativas e ficou em 20º (último) lugar logo na primeira temporada no segundo nível, sendo novamente rebaixada para a National (a Terceira Divisão).

Mas não pense que o Reims não tem solução. Aparentemente, o insucesso da temporada passada não abalou a confiança do clube, que se preparou bem para voltar à Ligue 2. Terminado o primeiro turno da Terceira Divisão, o Reims lidera com 38 pontos, dois a mais que o Gazelec Ajaccio e 4 à frente de Cannes e Brest.


O atual elenco do Stade de Reims, responsável pela boa campanha do clube na Terceira Divisão francesa

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O Reims já conquistou 7 campeonatos franceses (42, 49, 53, 55, 60 e 62), duas Copas da França (50 e 58), uma Copa da Liga (91), uma Copa Latina (53) e um campeonato francês da Segunda Divisão (66)

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Veja o time-base do Reims dos anos 50: Colonna; Zimny, Jonquet e Giraudo; Leblond, Penverne, Hidalgo e Kopa (depois Lamartine); Bliard, Fontaine e Piantoni. E veja agora o Reims atual: Balijon; Arnaud, Barbier, Leroy e Comminges; Dambury, Laquait, Boutal e Moukila; Diane e Petitjean.

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Fugindo um pouco da tendência européia de encher os elencos com estrangeiros, o Reims têm apenas 4 atletas não-franceses, os congoleses Ongoly e Moukila, o togolês Dossevi e o marfinense Diane.

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Nem tudo foi desgraça para o Reims após os anos 60. O recorde de público do acanhado estádio Velodrome Auguste Delaune foi registrado em 1987, no jogo Stade de Reims 1x5 Olympique Marseille, pela semifinais da Copa da França. Naquele jogo, 27.774 pessoas foram ao estádio, que hoje só comporta 7 mil. O treinador rouge et blanc naquele dia era um personagem importante da história recente do Reims. O atacante argentino Carlos Bianchi foi contratado nos anos 70. Estava lá nos anos de decadência rémois. Depois, passou pelo Paris Saint-Germain, Racing Strasbourg e Vélez Sarsfield, antes de voltar a Champanhe em 1985, onde encerrou a carreira de jogador para se tornar o técnico do próprio Reims. Voltou ao seu Vélez Sarsfield para ser campeão da Libertadores e Mundial em 1994. Hoje, está no Boca Juniors, onde já conquistou outras 3 Libertadores e mais um Mundial. No próximo dia 14 enfrentará o Milan em busca de seu terceiro Mundial.

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Esse fim-de-semana marca o 10º aniversário do segundo título mundial do São Paulo. O Balípodo resolveu não falar desse feito histórico porque, como já avisamos vocês, falaremos de assuntos ignorados por ouros veículos. Por fim, há gente o suficiente fazendo especiais em comemoração ao feito são-paulino.

Ubiratan Leal

Imagens: Le legende du football européen, Real Madrid site não-oficial, Votre-Rezo e Reims vu des tribunes

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