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13/11/03

Variedades

Ter simpatia por vários clubes é legítimo


Domingo à noite. O sujeito, fanático por futebol, verifica na internet ou nas mesas redondas os resultados de campeonatos de vários cantos do mundo. O time dele empatou no Brasileirão, mas ele ainda quer saber o que mais aconteceu no fim-de-semana esportivo. Logo após ver os placares, ele contabiliza o balanço do dia: “uma vitória, três empates e duas derrotas. Dia negativo”. Diante de muitos, um torcedor como esse se passa por idiota ou “vira-casaca”, mas ele apenas exerce o direito de ter simpatia por vários clubes. É errado? Não, desde que, claro, haja uma coerência mínima.

É fácil saber como começa isso. Um verdadeiro fanático por futebol não se limita a acompanhar apenas um ou dois campeonatos. Ele acompanha vários, do mundo todo. Daí, é natural – mesmo que não obrigatório – que desperte um carinho maior por um clube italiano, um português, um espanhol e até alguns de outros Estados brasileiros. Os motivos são os mais variados, passando por cores, jogadores que lá atuam ou simples empatia.

Até aí, tudo bem. Ele torce para que o Porto seja campeão português, torce para a Roma bater a Internazionale, não suporta um título do Real Madrid e preferia que o Inter caísse para a Série B, não o Grêmio. Mas fica sempre claro qual o clube de verdade desse torcedor. Enquanto ficar nesse nível, não dá para dizer que ele quer fugir de discussão ou que não é fiel. Afinal, ele não esconde que uma derrota de seu time preferido (digamos, o Vasco) é suficiente para estragar seu domingo futebolístico, por mais que os demais clubes vençam.

O problema começa se esse torcedor começa a embaralhar suas preferências. Simpatizar por times diversos é normal, mas começar a agir como um fanático por várias equipes soa artificial. Na melhor das hipóteses é uma tentativa de fuga, de sempre buscar o contentamento em algum campeonato perdido no mundo. Torcer de verdade, a ponto de sofrer, por dois ou até três clubes é normal. Mais que isso só pode ser no âmbito da simpatia.

Um caso à parte nessa questão é o de torcedores de clubes pequenos. Nesses casos, é normal ter alguma simpatia por um grande da capital ou de um estado com mais tradição. Por quê? Porque o brasileiro não suporta torcer no futebol sem nunca ter a perspectiva do título. Se o clube da cidade não pode dar isso, ele se apega a alguém que o faça. É válido? Claro, já que é resultado de uma cultura futebolística. Aliás é também por essa cultura que alguém começa a simpatizar por um clube estrangeiro. Afinal, qual a graça de assistir àqueles jogos europeus na TV se não for para desejar a vitória ou derrota de alguém?

Ubiratan Leal

Imagens: Toffs e Revista Exclusiva Up

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