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3/11/03

Quem é vivo...

Serhii Rebrov

O ucraniano Serhii Rebrov, 29 anos, defende atualmente o opaco Fenerbahçe da Turquia, mas já foi cobiçado pelos maiores times da Europa e chegou a ter seu passe estipulado em mais £ 15 milhões. Suas glórias não foram esquecidas, mas certamente o 11 a Ucrânia merecia melhor sorte no mundo da bola.

Apesar de Rebrov já jogar como titular na seleção de seu país desde os 20 anos (estreou em um amistoso contra os Estados Unidos em 1992, quando ainda defendia o Shakhtar Donetsk), seu melhor momento foi no Dynamo Kyiv. Na temporada 1998-99, o esquadrão do gelo comandado pelo legendário técnico Valery Lobanovsky contava também com um jovem desconhecido chamado Andriy Shevchenko, os bons Oleg Luzhny e Kaladze, além de outros jogadores voluntariosos.

Com esse elenco, o Dynamo teve calma e técnica para derrubar vários dos favoritos ao título da Champions League daquela temporada. O Arsenal ficou na primeira fase e o Real Madrid nas quartas-de-final. O clube de Kiev só parou nas semifinais contra o Bayern de Munique. Quase desnecessário dizer que também venceram com folga o campeonato nacional. Contudo, esta história merece ser contata com mais carinho em uma próxima oportunidade. Vale lembrar que naquele torneio, Rebrov marcou 11 gols.

Por enquanto vamos ficar com o calvário de Rebrov, que começa justamente com a derrota do Dynamo frente ao Bayern de Munique. Isso não foi ruim para o time, que teve seus jogadores valorizados no mercado europeu e ganhou moral para disputar bem as competições internacionais dos anos seguintes.

Porém, como é comum no Brasil, a operação desmanche veio e arrastou bons jogadores para lugares obscuros. A sorte de Rebrov parecia não ter acabado, boatos diziam que o Milan queria um novo artilheiro para o posto do lento Oliver Bierhoff e o ucraniano era um dos cotados. Acontece que, às vezes, a noite vira dia e um clube inglês decide investir todas suas economias em um “salvador da pátria”. Como aconteceu com Juninho e o Midlesbrough.

A bola da vez era Rebrov e o dinheiro na jogada era do Tottenham Hotspur. Para quem não conhece, é um clube cheio de glórias e tradições de décadas, mas há muito tempo tem um desempenho fraco. Com todo o respeito, é como um Botafogo inglês. O time tem até joga bem alguns jogos, ganha pontos nos clássicos, só que nunca decide um título ou chega entre os 3 primeiros de qualquer campeonato nacional.

Mesmo assim, os Spurs gastaram 11 milhões de libras com artilheiro que foi uma das estrelas mais badaladas da Premier League 2000-2001. Rebrov não decepcionou. Marcou gols importantes e ajudou seu novo clube a vencer clássicos. Ele fez o possível jogando um campeonato com times irresistíveis como o Manchester de Beckham e o Arsenal de Henry.

Foi na sua segunda temporada em Londres que as coisas se complicaram. Chegou o técnico Glenn Hoddle e a (falta de) movimentação de Rebrov não agradou seu novo chefe que não pensou antes de deixar o 11 ucraniano durante toda a temporada esquentando o banco de reservas. Naquele ano, os spurs terminariam apenas como 12º colocados do Inglês, atrás de times como Ipswich Town, Southampton e Charlton.

Com time e jogador arrependidos pelo péssimo negócio, houve uma tentativa frustrada de venda do atacante para o Bolton, equivalente a um Criciúma (por descer e subir de divisão com constância). Foi assim que o 11 do Dynamo foi parar na Turquia, enquanto Luzhny foi levantar taças no Arsenal, e Kaladze e Shevchenko no Milan.

Com quase trinta anos será difícil Rebrov encontrar espaço em um time de ponta que não seja o próprio Dynamo, ou quem sabe no Corinthians. Será que o Fenerbahçe aceitaria o Jamelli em troca? O Fábio Luciano já está lá.

Juliano Barreto

Imagens: Fenerbahçe e CNNSI

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