Antes de prosseguir, que fique claro que esse é um exercício de imaginação, já que há muita confusão. Por isso, é importante ler as considerações no final do texto antes de tirar conclusões precipitadas. Ah, e uniformizamos o nome das divisões em Séries A, B e C para reduzir os problemas de interpretação. Isso só não foi feito na Copa João Havelange porque foi um torneio atípico.
1993
Série A: com um torneio inchado, caíram Ceará, Fortaleza, Santa Cruz, Goiás, América-MG, Coritiba, Atlético-PR e Desportiva-ES.
Obs.: não houve outras divisões.
1994
Série A: os últimos foram Remo e Náutico. Ambos caíram.
Série B: Juventude e Goiás ficam com as duas vagas. Fortaleza e Tiradentes-DF vão para a Terceira Divisão
Série C: a final é paulista, entre Novorizontino e Ferroviária.
1995
Série A: Paysandu e União São João ficam na rabeira.
Série B: Atlético-PR e Coritiba garantem a festa no Paraná. Ponte Preta e Democrata de Governador Valadares fazem as piores campanhas.
Série C: XV de Piracicaba e Volta Redonda vão para a Segundona.
Obs.: Na Segundona, o Barra do Garça-MT é desclassificado por dívidas e a vaga fica para a Ponte Preta. América-SP, Ferroviária, Novorizontino e Bangu desistem da disputa, alçando Gama, Atlético-GO, ABC-RN e Joinville (3º, 4º, 5º e 6º da Série C) para o ano seguinte.
1996
Série A: Fluminense e Bragantino ficam com as duas últimas posições, mas não caem
Série B: União São João e América-RN sobem. Central-PE e Sergipe ficam nas últimas posições.
Série C: Vila Nova-GO e Botafogo-SP garantem vaga na Série B em 1997.
Obs.: Não houve rebaixamento da Segunda para a Terceira Divisão.
1997
Série A: com o inchaço provocado pela permanência de Fluminense e Bragantino, 4 caem. E o tricolor carioca fica novamente abaixo da linha d’água. Bahia, União São João e Criciúma acompanham.
Série B: América-MG e Ponte Preta sobem. Central (novamente), Goiatuba, Sergipe, Moto Clube e Mogi Mirim ficam na rabeira e caem.
Série C: Sampaio Corrêa e Juventus-SP ficam com dois lugares na Série B.
1998
Série A: América-RN, América-MG, Bragantino e Goiás são rebaixados.
Série B: Gama e Botafogo-SP vão para o Brasileirão. Para reduzir o torneio, um grupo grande de clubes cai: Atlético-GO, Náutico, Volta Redonda, Americano, Fluminense e Juventus-SP.
Série C: Avaí e São Caetano são promovidos.
1999
Série A: Botafogo-SP, Paraná e Juventude caem. Botafogo-RJ e Gama brigam na Justiça, o que provoca a criação da Copa João Havelange em 2000.
Série B: Goiás e Santa Cruz sobem. União São João, Criciúma, Paysandu, Tuna Luso, América-RN e Desportiva-ES vão para a Terceirona.
Série C: Fluminense e São Raimundo sobem.
2000
Confusão total com a criação da Copa João Havelange. No fundo, se algum torcedor quiser alegar que seu rival “virou a mesa”, é provável que encontre algo aqui.
Módulo Azul: considerando que era o equivalente à Série A, Fluminense, Bahia, América-MG, Gama ou Botafogo-RJ e Juventude não deveriam estar nela. Da mesma forma, os 4 últimos foram Gama, Coritiba, Corinthians e Santa Cruz, mas ninguém caiu.
Módulo Amarelo: considerando que seria a Segunda Divisão, Figueirense, Criciúma, Caxias, Bangu, América-RJ, Americano, União São João, Marcílio Dias-SC, Brasil de Pelotas-RS, Villa Nova-MG, Fortaleza, Náutico, Paysandu, Anapolina, Serra-ES, Ríver-PI, América-RN, CSA, Nacional-AM, Desportiva-ES e Bandeirante-DF deveriam estar na Série C. Nesse módulo, a “final” foi entre Paraná e São Caetano que, em tese poderiam se considerar campeão e vice de alguma Segunda Divisão.
Módulo Branco: o Malutrom foi campeão.
2001
Série A: todos os clubes que estiveram no Módulo Azul da Copa João Havelange continuaram. A esses se somaram Paraná, São Caetano e o resgatado Botafogo-SP. Caíram Santa Cruz, América-MG, Botafogo-SP e Sport.
Série B: Paysandu é campeão. Figueirense e Caxias brigam na Justiça pela segunda vaga, mas catarinenses levam vantagem. São rebaixados ABC, Desportiva-ES, Nacional-AM, Serra-ES, Tuna Luso e Sergipe.
Série C: sobem Etti Jundiaí (atual Paulista) e Mogi Mirim. O Guarany-CE também vai para a Segundona com a desistência do Malutrom em 2002.
2002
Série A: caíram Portuguesa, Palmeiras, Gama e Botafogo.
Série B: Criciúma e Fortaleza garantem lugar na elite. Vão para a Série C Americano, Botafogo-SP, Sampaio Corrêa, Guarany-CE, XV de Piracicaba e Bragantino.
Série C: Brasiliense e Marília conseguem ascender para a Segundona.
Bem, sendo minucioso, pode-se considerar “penetras” em sua divisão os clubes que não subiram de uma divisão inferior. Os casos em que clubes que quase subiram foram posteriormente promovidos por desistência ou desclassificação de outros são considerados corretos. Clubes que “viraram a mesa”, mas depois caíram, não estão em débito.
Assim sendo, Corinthians, Coritiba, Figueirense, Fortaleza, Criciúma, Bahia, Fluminense, Juventude e Paysandu teriam alguma “mancha” no fato de estarem na Série A. Da mesma forma, não deveriam estar na Série B Caxias, Náutico, Anapolina e América-RN.
Mas ainda há mais ressalvas a se fazer. Em 2000 (ano da Copa João Havelange), o rebaixamento estava previsto para pegar os 4 clubes com pior média de pontos nos últimos 3 torneios, o que poderia livrar Corinthians e Coritiba e condenar Juventude e América-MG.
Tudo isso ocorreu porque pegamos os últimos 10 anos. Se voltarmos mais um pouco, encontraremos o Grêmio e a leva de outros 11 clubes que subiram para a Série A em 1993: Santa Cruz, Fortaleza, Ceará, Remo, Desportiva-ES, Criciúma, Coritiba, União São João, América-MG, Vitória e Paraná. Desses, apenas os dois últimos teriam direito a subir em condições normais.
A escolha de levar todos esses dados a sério é de cada torcedor. Deixando a conveniência que esses dados podem ter em uma discussão com um amigo torcedor da equipe rival de lado, é difícil julgar. Ao mesmo tempo em que alguns clubes foram beneficiados pela bagunça organizativa do futebol brasileiro, é impossível saber se essas equipes não teriam subido no campo se passassem por essa experiência.
Além disso, levar esses conceitos às últimas conseqüências pode manchar a históra de todos s clubes brasileiros. E até de alguns grandes internacionais. No fundo, isso só mostra como é importante o que Botafogo e Palmeiras acabam de fazer. Quem sabe se, em 2013 o futebol brasileiro completará 10 anos sem um problema sequer no fluxo ascendente e descendente dos clubes?
Ubiratan Leal