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27/11/03

O mundo não é uma bola...

O Europeu de seleções sub-21


Semana passada, diversas seleções se enfrentaram, entre amistosos e jogos eliminatórios. Falou-se muito dos empates brasileiros contra Peru e Uruguai e da definição dos 16 participantes da Eurocopa 2004. Mas outros jogos bastante interessantes ocorreram e ninguém deu muita importância. Foram as oitavas-de-final do Europeu sub-21.

Teoricamente, o Europeu sub-21 define 3 dos representantes do continente nas próximas Olimpíadas (o quarto é a Grécia, dona da casa). Mas é muito mais que isso. Na Europa, o futebol júnior é muito mais organizado que no Brasil. Aliás, é tão óbvio que é quase que desnecessário lembrar. Apenas acaba refletindo nas escalações. Uma seleção sub-21 européia tem uma grande quantidade de jogadores que farão parte da seleção principal. O que não quer dizer que, lá, os jovens sejam melhores que os daqui, apenas que é possível acompanhar um jogo de juniores na Europa e fazer projeções futuras com mais segurança.


Comecemos por um dos países que mais deve estar olhando desesperadamente para as categorias inferiores a procura de bons jogadores: a Alemanha. Enquanto a equipe principal mostrava suas deficiências ao ser derrotada pela França em Gelsenkirchen por 3x0, a seleção sub-21 vencia a Turquia em casa. Um difícil 1x0, gol marcado pelo ótimo meia do Balitsch, do Bayer Leverkusen. No jogo de volta, a Alemanha conseguiu um empate heróico, no último minuto, com Auer (foto no alto do texto). O momento triste do jogo ficou para o final, quando policiais turcos bateram em dois jogadores germânicos.

A grande diferença dessa seleção alemã de jovens em relação às últimas é que a maioria desses jogadores participa das partidas de seus times principais na Bundesliga. Em alguns casos, inclusive, são fundamentais em seus clubes. Lahm, Tiffert, Hinkel e Kuranyi são titulares do Stuttgart, hoje a melhor equipe do país. O jovem Lauth é o artilheiro do München 1860 na liga, com 4 gols. O Bayern de Munique também contribui com o lateral esquerdo Rau, apontado por Brehme como o melhor jogador alemão dos últimos anos nessa posição. Detalhe: Brehme era o lateral-esquerdo da Alemanha Ocidental campeã mundial na Copa de 90. Outra revelação do Bayern de Munique é o habilidoso e encrenqueiro meia Schweinsteiger, substituto natural de Deisler ou Zé Roberto.

Com esses jogadores, a Alemanha pode até formar uma equipe competitiva para o Mundial que sediará, em 2006. Um sinal disso é que a revista Kicker só perdoou um jogador no vexame contra a França: o ala Hinkel.

Quem também conta com uma geração promissora é Portugal. É bem verdade que os lusitanos já têm tradição nas categorias menores, mas é importante para o país ter jovens de talento, pois a geração bi-campeã mundial de juniores (89 e 91) está envelhecendo e a seleção principal precisa de reposição.

No selecionado comandado por José Pratas Romão, há jogadores que já atuam em grandes clubes europeus. É o caso dos meias Quaresma (Barcelona) e Cristiano Ronaldo (Manchester United). Hélder Postiga, do Tottenham, é considerado uma das maiores revelações do futebol português nos últimos anos. Hugo Viana é outro que atua na Inglaterra, no Newcastle. Atrás, Moreira mostra porque é o goleiro titular do Benfica.

Um sinal da força lusa foi o fato de eliminar a favoritíssima França. Os gauleses, vice-campeões continentais em 2002 (perdendo dos tchecos nos pênaltis), contam com jogadores como Djibril Cissé, atacante do Auxerre que fez parte dos 23 convocados por Roger Lemèrre para a Copa de 2002, Mexés (outro auxerrois) e Cheyrou (Liverpool). O curioso é que a eliminatória parecia perdida para os portugueses. Na partida de ida, em Guimarães, os franceses venceram por 2x1 de virada. Mas os rubro-verdes mostraram força e devolveram o marcador em Clermont-Ferrand. Nos pênaltis, Moreira garantiu a passagem portuguesa com 3 defesas.

Outro confronto equilibrado foi o protagonizado por italianos e dinamarqueses. Os italianos continuam com um bom trabalho nas categorias inferiores, tanto que não faltam bons jogadores na equipe principal. Até por isso, é difícil entender o porquê de tanto sofrimento. Na partida de ida, a Itália, com 10 homens nos últimos 20 minutos, se deu por satisfeita com o empate em 1x1. No entanto, as contusões de Zaccardo e Dalla Bona foram sentidas e os azzurri tiveram de segurar um delicado 0x0 em Rieti.

Uma das surpresas dessa fase foi a eliminação da Espanha para a Suécia. Os ibéricos pecaram pela primeira partida. Em Halmstad, os espanhóis dominaram boa parte do jogo, mas se descontrolaram ao sofrer o primeiro gol no início do segundo tempo. Os escandinavos passaram a comandar e conseguiram o segundo gol no último minuto. Em Almendralejo, só restava à Espanha atacar. E foi o que fizeram. Até conseguiram um gol, mas a forte defesa sueca impedia um empate no placar somado. Com o tempo, os jogadores espanhóis cansaram. A Suécia aproveitou um contra-ataque e empatou a partida, garantindo a classificação.

As outras quatro partidas serviram para confirmar as tendências já demonstradas pelas seleções principais. A decadente Polônia até conseguiu empatar em Minsk (1x1) com Belarus do talentosíssimo meia Hleb, do Stuttgart. No entanto, caiu pateticamente em casa, 4x0. A Escócia, como sempre, dificultou a vida do adversário (dessa vez, a Croácia). Mas caiu (0x2 fora e 1x0 em casa). É um sinal de que os escoceses têm muito o que se preocupar com a nova geração. Parte dela já está presente na seleção principal na derrota por 6x0 diante da Holanda nas Eliminatórias da Eurocopa.

Os rivais regionais da Croácia também passaram com alguns sustos. Sérvia e Montenegro venceram a Noruega por 5x1 em Belgrado, com grande atuação de Delibašic, atacante do Partizan. Em Drammem, os noruegueses partiram para o ataque e quase desfizeram a vantagem servo-montenegrina. A dois minutos do segundo tempo, os nórdicos já venciam por 3x0. Foram mais de 45 minutos de pressão muito forte pelo gol que garantiria a classificação norueguesa. Mas a retranca dos eslavos foi eficiente.

Por fim, um encontro interessante entre Suíça e República Tcheca. Os tchecos são os atuais campeões continentais na categoria e entraram como favoritos. Por isso não foi surpreendente a vitória dos eslavos na Basiléia (2x1). No entanto, os suíços mostraram muita raça ao devolver o resultado em território adversário. Mas, nos pênaltis (como na final do Europeu sub-21 de 2002), os tchecos conseguiram sua classificação. Destaque para Koubsky. O atacante tcheco fez o gol da vitória na Basiléia e o único de seu time em Ostrava. Mas teve tempo de fazer, contra, o gol da vitória suíça, a 5 minutos do final da partida de volta.

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Aí vai a lista de campeões do Europeu Sub-21 para quem quiser conferir:
1978 – Iugoslávia; 1980 – União Soviética; 1982 – Inglaterra; 1984 – Inglaterra; 1986 – Espanha; 1988 – França; 1990 – União Soviética; 1992 – Itália; 1994 – Itália; 1996 – Itália; 1998 – Espanha; 2000 – Itália; 2002 – República Tcheca.

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Ah, antes que comentem que a categoria júnior é sub-20, vai um aviso. O termo "sub" indica que algo que está abaixo. Uma categoria "sub-20" teria jogadores com, no máximo, 19 anos. Como os juniores vão até 20 primaveras, a categoria é sub-21. Da mesma forma que a seleção olímpica é sub-24.

Maurício Aires e Ubiratan Leal

Imagens: Uefa

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