A primeira razão para a calma é que o treinador nacional já deu sinais de que vai mudar bastante o time até 2006, mas gradualmente. Assim, os que não gostam do futebol de Émerson, Zé Roberto, Lúcio, Roque Júnior e Rivaldo não precisam se desesperar tão cedo. Se Parreira achar melhor tirá-los do grupo, o fará. Porém, não será nenhum tratamento de choque.
Outro tipo de opinião descartável é aquela que diz que um time como o Brasil não pode empatar com o Peru. Por quê não pode? O Santos perdeu do Grêmio nesse Brasileirão, o Cruzeiro perdeu do Paysandu e o São Paulo perdeu da Ponte Preta. Zebras são comuns no futebol, ainda mais se o time teoricamente mais fraco atua em casa. Novamente, calma!
Como já dito (esse texto bate na mesma tecla de um anterior, mas já era previsível que isso ocorreria), o Brasil não vai passar as 18 rodadas sem perder vários pontos. É normal. Além disso, achar que todo time sul-americano além da Argentina é uma “baba” (termo muito usado por aí) é preconceito e falta de análise.
É claro que algumas críticas são mais do que necessárias. Por mais que empatar em Lima seja um resultado relativamente aceitável (considerando que serão disputados 18 jogos nesse torneio), a vitória era um resultado alcançável se a seleção não incorresse em alguns erros.
Os problemas da defesa são antigos. Lúcio e Roque Júnior falham desde antes da Copa de 2002, mas o título parece ter apagado isso da mente de alguns. Nas mudanças graduais de Parreira, esse é o setor que merece uma atenção mais urgente. Com uma defesa melhor organizada, seria possível confiar mais em Dida. O goleiro milanista falhou demais em Lima, mas ficou claro que parte dessa queda de rendimento foi conseqüência de uma falta de segurança dele em sua defesa.
No meio-campo, trocar os volantes poderia dar mais criatividade à equipe, mas não é uma alteração tão simples. Juninho Pernambucano, por exemplo, joga mais recuado no Lyon do que no Vasco, mas não chega a ser um volante típico. O 4-4-2 usado no clube francês é um pouco diferente do preferido por Parreira, já que a definição de dois meias para marcação e dois para armação (formando quase um 4-2-2-2) não é tão clara, até porque os 4 defensores do esquema lionês – incluindo aí os laterais – praticamente não apóiam, dispensando o segundo volante puramente de marcação. Tirar Émerson pode trazer bons resultados, mas é outra medida a ser tomada com calma para não desfigurar a seleção.
Por fim, falta saber o que fazer com Rivaldo. Por enquanto, ele teve atuações satisfatórias, mas seu período involuntariamente sabático no Milan não pode continuar por muito tempo. Parece evidente que o meia-atacante mudará de clube em janeiro, o que será importante para a permanência dele (ou não) na seleção.
No entanto, não é apenas o desempenho de Rivaldo na seleção que o deixa em alta com Parreira. Pelo histórico recente, o treinador mostra confiar no futebol do pernambucano. O que ainda não ocorre totalmente com Kaká, Alex e Diego. Mas lembrem-se, faltam 3 anos para esse time ser definido e há tempo para muitos jogadores mostrarem-se dignos de confiança.
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Alguns criticam a falta de espetáculo dessa seleção. Entre esses se incluem esse site. Mas é uma coisa que é difícil de cobrar de Parreira. Simplesmente porque não é – e nunca foi – o estilo dele. Mas é justo comentar sobre os perigos de jogar de forma menos agressiva com uma defesa instável como a atual.
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Não é só a reação da imprensa que continua a mesma de uma Eliminatória para outra. Os critérios de escolha de sedes da CBF também segue duvidoso. Muitas pessoas, principalmente quem não mora em Curitiba, ficam curiosas para saber qual a reação do paranaense com o jogo da seleção contra o Uruguai. Por isso, já é bom avisar que não será surpresa se muitos curitibanos decidirem ficar em casa para ver o jogo com a narração de Galvão Bueno (ou no rádio mesmo). Os motivos são vários, mas não passam por uma eventual falta de euforia e interesse com a Seleção.
Começa com o estádio do Pinheirão. Ao que tudo indica, o local foi eleito unicamente por ser de propriedade da Federação Paranaense de Futebol. Não há outros motivos lógicos para essa escolha. É impossível acompanhar o jogo confortavelmente de suas arquibancadas, já que o torcedor fica distante do campo e a visibilidade é muito prejudicada. E esse problema é de projeto, como o que atrapalha a torcida visitante na Arena da Baixada (onde um muro obstrui parte da visão do campo). Para piorar, o estádio da Federação é menos central que o Couto Pereira ou a Arena da Baixada.
Mas não é apenas a falta de conforto do Pinheirão que pode afastar o torcedor. O preço cobrado pelos ingressos também estão fora da realidade brasileira (mas são ideais para cobrir parte dos gastos da Federação Paranaense com a recente reforma do local). Um jogo da Seleção Brasileira é um evento de apelo popular, e portanto deveria ter um custo que possibilite ao brasileiro “médio” ir ao estádio e, se possível, levar sua família. Não é desta forma que os organizadores pensam, pois, ao cobrar R$ 60 pelo ingresso mais “barato” (quase um terço do salário mínimo), estão elitizando o evento e impossibilitando a presença popular no estádio. Esse deveria ser um caso para o Estatuto do Torcedor.
Portanto, não será surpresa se o estádio não estiver lotado para o jogo desse meio de semana.
O Pinheirão antes e depois da reforma. As instalações melhoraram, mas ainda trarão incômodos aos torcedores curitibanos que se dispuserem a pagar R$ 60 para ver Brasil x Uruguai
Ubiratan Leal e Rodrigo Leye
Imagens: Fútbol Peruano, Paraná Online e Paranautas