Eram as oitavas-de-final da Copa dos Campeões de 1960-61. O sorteio colocou o Real diante de seu maior rival, o Barcelona. Para os castelhanos, seria a estréia na competição, o que não ocorria com os catalães, que vinham de duas vitórias sobre os belgas do Lierse na fase preliminar.
A rivalidade clubística e regional deixava bem claro que aquela eliminatória merecia uma atenção especial. Vale lembrar que era o auge do governo do ditador Franco e o Barcelona era uma das poucas vias de escape para o nacionalismo catalão. Tanto era ssim que, em sua biografia, o craque húngaro Puskas admite que, mesmo nos melhores momentos do Real Madrid, o Barcelona sempre foi respeitado como o único rival à altura.
O “Major Galopante” tinha seus motivos. Até hoje se fala muito do estelar Real de Di Stéfano, Puskas, Gento, Canário, Kopa, Didi e Santamaría, mas poucos mencionam o Barça daqueles tempos. O húngaro Kubala só não esteve na legendária Hungria dos anos 50 porque fugira para a Tchecoslováquia, o também magiar Kocsis fora o artilheiro da Copa de 54, o driblador Czibor era outro húngaro vice-campeão mundial em 54, o espanhol Luisito Suárez viria a ser um dos principais atacantes da história da Internazionale e o brasileiro Evaristo (de Macedo) já era – como ainda é – o jogador que fez mais gols em uma partida pela seleção brasileira.
A primeira partida foi no estádio Santiago Bernabéu em 9 de novembro. Mateos colocou os madridistas na frente logo no segundo minuto. O atacante Luisito Suárez igualou para os blaugranas, mas Gento deixou o Real novamente à frente aos 32. A partida seguiu assim até os 42 do segundo tempo, quando Suárez voltou a empatar a partida.
O 2x2 do jogo de Madri aumentou a expectativa de que, finalmente, alguém derrubaria o Super-Real. E é nesse clima que ocorreu a partida de volta, no Camp Nou (o nome do estádio se justificava na época, pois fora inaugurado 3 anos antes).
O Barcelona começou melhor. Tanto que saiu na frente com um gol de Vergès, aos 34 minutos. Os madridistas não estavam em uma noite feliz, com apagadas atuações de Puskas, Di Stéfano, Del Sol e Canário. Um sinal da opacidade merengue é que o pouco cotado volante Vidal foi considerado o melhor em campo entre os de branco.
Porém, é importante lembrar que uma equipe como essa do Real Madrid é extremamente perigosa sempre, mesmo nos dias infelizes. Assim, a pressão sobre a meta catalã foi grande, o que obrigou Ramallets a fazer 3 grandes defesas. A partida ficou dramática até que o Barcelona, ainda melhor organizado em campo, conseguiu ampliar o marcador, em uma cabeçada que se tornou histórica de Evaristo (foto). Já era o 37º minuto do segundo tempo e parecia que o Real Madrid perderia sua hegemonia no continente. Aos 42, Canário colocou os merengues novamente na partida, mas não houve tempo para o empate heróico. O Barcelona venceu por 2x1, eliminando o Real Madrid da Copa dos Campeões de 1960-61.
FICHA TÉCNICA
Barcelona 2x1 Real Madrid
Oitavas-de-final da Copa dos Campeões da Europa 1960-61
Local: Estádio Camp Nou (Barcelona-ESP)
Público: 120 mil
Árbitro: M. Leafe (Inglaterra)
Barcelona: Ramallets; Olivella, Garay e Gracia; Vergès e Segarra; Kubala, Evaristo, Kocsis, Suárez e Villaverde. Técnico: Ljubisa Brocic.
Real Madrid: Vicente; Marquitos, Santamaría e Cassado; Vidal e Pachín; Canário, Del Sol, Di Stéfano, Puskas e Gento. Técnico: Miguel Muñoz.
Gols: Vergès (34/1º), Evaristo (37/2º) e Canário (42/2º)
O Super Real Madrid dos anos 50 só caiu diante do rival Barcelona. Os nacionalistas catalães gostaram bastante
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Como esclarecimento, o Real não perdia sua invencibilidade em jogos. Em 56, perdera para Partizan (IUG) e Milan (ITA). Em 57, foi a vez de o Rapid (AUT) superar os merengues. No ano seguinte, a honra coube ao Vasas (HUN). Em 59, o rival local Atlético Madrid ganhou um dos clássicos e em 60, o Nice (FRA) não deixou o Real invicto. Mas, em todos esses casos, os madridistas recuperaram o placar quando atuaram em casa e seguiram na competição.
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Nas quartas-de-final, o Barcelona eliminou o Hradec Craiova, da Polônia (4x0 e 1x1). Nas semifinais, nova dureza. O Hamburg de Uwe Seeler só caiu no número de gols fora de casa (1x0 e 1x2). Na final, disputada no estádio Wankdorf, em Berna, o Barça chegou como grande favorito diante do emergente Benfica, de Portugal. Mas, enquanto o goleiro encarnado Costa Pereira estava em uma jornada inspirada, Ramallets falhou em lances decisivos. No final, Benfica campeão europeu: 3x2.
Ubiratan Leal
Imagens: Barna, Barcelona, Grazer AK e Benfica