O freqüentador mais atento das prateleiras esportivas de bancas de jornais já deve ter visto ao menos um exemplar de uma tal “World Soccer”. O preço geralmente salgado da publicação (varia de acordo com o dólar, mas fica acima dos R$ 20) acaba inibindo a compra em muitos e compreensíveis casos. O que é uma pena, já que a revista inglesa é muito boa.
A primeira consideração é que a publicação da editora IPC é honesta com a proposta expressa no nome: falar do futebol de todo o mundo. Com isso, já surgem três motivos interessantes para conferir a revista. O primeiro é que, salvo momentos de, digamos, fraqueza da equipe de jornalistas, não há uma predominância do futebol britânico. É óbvio que, como um todo, a revista reflete o modo inglês de ver o futebol internacional, até porque boa parte dos leitores é formada por súditos da rainha Elizabeth II. Ainda assim, esse fenômeno não provoca desconforto ao leitor brasileiro.
Outra razão para ler a World Soccer é ver como o europeu vê o nosso futebol e suas particularidades (é verdade, há pelo menos uma matéria sobre o Brasil por edição). Pode parecer bobagem, mas se aprende muito de nosso país sabendo como os estrangeiros o vêem.
No entanto, o motivo mais importante é que não há publicações com essa linha editorial no Brasil. Os veículos nacionais são muito pobres em informações sobre o que ocorre além de nossas fronteiras e, quando dão destaque maior, é apenas para falar da atuação dos jogadores brasileiros. Com isso, os amantes de futebol que realmente se interessam pelos campeonatos alemão, italiano, espanhol e inglês, por exemplo, ficam órfãos e acabam apelando para sites internacionais.
Abrindo o plástico
Como a revista muitas vezes está dentro de um plástico, aquele brasileiro do primeiro parágrafo, que deparou com a World Soccer na banca e se intimidou com o preço, sequer pôde dar uma folheada. Assim, vai um resumo do que costuma vir nas páginas da revista inglesa.
A parte que mais chama a atenção é a cobertura mundial. Há pelo menos um texto (uma reportagem ou uma nota, varia de acordo com a importância do país) resumindo o que ocorreu nas últimas 4 semanas em cada uma das nações européias, além de Brasil e Argentina e resumos sul-americano, africano, asiático e da Oceania. Tudo isso mantido por uma grande rede de colaboradores locais. Para os amantes de informações enciclopédicas de pouco uso efetivo, essa seção é fundamental para saber quais os favoritos para o campeonato indiano, por exemplo.
No restante da revista sobram reportagens, com menos apego ao dia-a-dia, priorizando uma abordagem mais ampla. Essa escolha é acertada porque uma publicação quase mensal (explicações no final desse texto) não tem condições de concorrer com jornais ou semanários. Além disso, a revista aposta em matérias especiais, o que a imprensa européia chama de dossiê (termo que também se usa no Brasil, mas é menos comum). Para complementar, há bastante espaço para colunistas.
Para isso, o projeto gráfico (que não é dos mais limpos) ajuda, pois não há fotos grandes nem brancos em excesso, permitindo que as páginas da revista abriguem uma quantidade considerável de texto.
A revista também investe bastante em perfis de jogadores, sobretudo os menos conhecidos, e clubes que estão se destacando na temporada. O tabelão da revista também é bastante completo, mas o brasileiro mais patriota pode ficar descontente com o fato de o Campeonato Argentino ter mais destaque que o Brasileiro (o que é normal em revistas européias).
Mas World Soccer tem seus aspectos negativos, claro. O primeiro, já citado na abertura dessa resenha, é o preço salgado para o brasileiro. Nesse caso, vale ir ao confuso site da revista e ver o que há na última edição para, se for o caso, comprar depois. Outro problema é o atraso com que a revista chega ao Brasil. Muitas vezes, a edição da banca já está com informações defasadas. Quem não conhece bem o inglês pode ter alguma dificuldade. Por fim, há um enfoque muito grande no futebol europeu. Por exemplo, a Copa Libertadores recebe sempre um espaço mínimo. Aí vai do interesse de cada leitor.
Mais informações
World Soccer não é uma revista mensal. Ela é publicada a cada 4 semanas. Pode parecer um detalhe mínimo, mas essa pequena diferença representa um exemplar a mais por ano. Quem quiser conferir o site – que não é muito bom – clique aqui.
Ubiratan Leal
Imagem: World Soccer