As vantagens de diminuir o número de clubes são claras. Com 20 participantes, o nível técnico do campeonato tende a melhorar. Além disso, é reduzido o número de datas, dando mais tempo para preparar as equipes entre um jogo e outro. Um terceiro motivo é a diminuição de diferenças de pontos. Com 20 clubes, em tese, há mais equilíbrio, o que reduz o risco de um clube disparar demais na frente ou de outro ficar muito para trás. Além disso, o menor número de rodadas dá menos chance para um time abrir frente. É como comparar uma corrida de 800 m rasos com uma maratona.
Fazer essas projeções parece simples, mas não é. Como definir quais os 4 clubes excluídos? Para não ser injusto, resolvi considerar 3 hipóteses. A primeira é a exclusão dos dois clubes que vieram da Série B (Criciúma e Fortaleza) e os dois piores times da Série A de 2002 que não caíram (Paraná e Internacional). A segunda situação elimina as 4 piores equipes da Série A de 2002 que não caíram (Paraná, Internacional, Paysandu e Bahia), preservando campeão e vice da Série B do ano passado. Essas duas poderiam, em tese, terem sido implementadas nesse campeonato.
A terceira é puramente um exercício de imaginação. Os 4 descartados seriam os últimos do Campeonato Brasileiro nesse momento (Grêmio, Bahia, Fortaleza e Fluminense). Essa última teria a vantagem de excluir os clubes que, teoricamente, têm nível técnico mais baixo nesse momento.
Uma observação importante a ser feita é que tais projeções fazem com que alguns times tenham jogos a mais que outros. O motivo é que quem ainda não jogou com os supostamente excluídos no returno atuaram mais com equipes não-excluídas.
Antes que alguém leve à sério demais os números abaixo ou resolva me chamar de idiota por não entender nada de matemática, quero deixar claro que essas são situações completamente hipotéticas. Se o campeonato tivesse realmente 20 clubes, os participantes iriam se programar e reagir de forma diferente a cada rodada, o que poderia modificar bastante a classificação. Afinal, futebol é uma atividade humana, não é exata. Por exemplo, se o Cruzeiro tivesse a liderança ameaçada talvez se concentrasse mais para alguns jogos. O mesmo vale para times que estão no pelotão intermediário e que estariam, nessas simulações, na zona de rebaixamento.
Projeção 1
1) Cruzeiro – 64; 2) Atlético-MG – 59; 3) Santos – 56; 4) Coritiba – 55; 5) São Paulo – 54; 6) Flamengo – 52; 7) Goiás – 50; 8) São Caetano – 48; 9) Figueirense, Guarani e Vitória – 41; 12) Corinthians – 39; 13) Vasco – 38; 14) Ponte Preta – 37; 15) Juventude – 36; 16) Fluminense – 33; 17) Bahia e Paysandu – 32; 19) Atlético-PR – 31; e 20) Grêmio – 29.
Nessa hipótese, o Flamengo teria mais jogos que todos, o que justifica o salto que ele daria. Atlético-MG, Coritiba, Cruzeiro, Figueirense e Grêmio teriam um jogo a menos que os rubro-negros. Bahia, Corinthians, Juventude, Ponte Preta, São Caetano, São Paulo, Vasco e Vitória estariam com 2 jogos a menos que o Flamengo. Atlético-PR, Fluminense, Goiás, Guarani, Paysandu e Santos teriam 3 jogos a menos.
Teríamos um grande equilíbrio se tirássemos Criciúma, Fortaleza, Paraná e Internacional, pois até o Atlético-MG estaria na briga pelo título. Mas as emoções seriam ainda maiores, pois o Santos teria 2 jogos a menos que a dupla de mineiros, podendo ir a 62 pontos (2 a menos do líder Cruzeiro). O Grêmio estaria ameaçadíssimo, em último e com mais jogos que os times mais próximos.
Projeção 2
1) Cruzeiro – 70; 2) São Paulo – 58; 3) Santos – 57; 4) São Caetano – 51; 5) Atlético-MG – 50; 6) Coritiba e Criciúma – 49; 8) Guarani – 47; 9) Goiás – 45; 10) Vasco – 44; 11) Figueirense e Flamengo – 42; 13) Corinthians – 41; 14) Vitória – 39; 15) Fortaleza – 37; 16) Ponte Preta – 34; 17) Atlético-PR – 33; 18) Juventude e Grêmio – 31; e 20) Fluminense – 27.
Na projeção 2 (sem Paraná, Internacional, Paysandu e Bahia), Cruzeiro e Figueirense teriam mais jogos que os demais. Com uma partida a menos apareceriam Atlético-MG, Atlético-PR, Criciúma, Grêmio, Guarani, São Caetano e Vasco. A seguir, Corinthians, Flamengo, Fortaleza, Juventude, Ponte Preta, São Paulo e Vitória. Os clubes com menos jogos seriam Coritiba, Fluminense, Goiás e Santos.
O Cruzeiro pareceria bastante tranqüilo na frente. No entanto, teria dois jogos a mais que o São Paulo e três a mais que o Santos. Se os dois vencessem essas partidas a menos, pulariam para 64 e 66 respectivamente, a duas vitórias dos azuis mineiros.
Projeção 3
1) Cruzeiro – 69; 2) Santos – 60; 3) Internacional e Coritiba – 54; 5) São Caetano – 52; 6) São Paulo – 49; 7) Atlético-MG – 46; 8) Guarani – 45; 9) Criciúma – 44; 10) Goiás – 43; 11) Paraná – 41; 12) Flamengo e Vitória – 40; 14) Corinthians e Figueirense – 39; 16) Paysandu – 34; 17) Atlético-PR, Juventude e Vasco – 33; 20) Ponte Preta – 31.
O clube com jogos a mais seria o Cruzeiro, é o único que ainda tem de enfrentar os 4 últimos do campeonato atual (Grêmio, Bahia, Fortaleza e Fluminense). Só a Ponte Preta teria uma partida a menos. Criciúma, Corinthians, Coritiba, Santos e São Caetano viriam a seguir. Atlético-MG, Atlético-PR, Flamengo, Guarani, Internacional, Juventude, Paraná, Paysandu e São Paulo teriam de disputar 9 pontos a mais que os cruzeirenses. Por fim, Figueirense, Goiás, Vasco e Vitória estariam com 4 partidas disputadas a menos
Veja como o campeonato fica equilibrado se tiramos os 4 clubes com menos pontos. Imaginando que os 6 primeiros vencessem seus jogos a menos, a classificação teria Cruzeiro (69), Santos (66), Internacional (63), Coritiba (60), São Caetano e São Paulo (ambos 58). Quem estaria com sérios problemas seria a Ponte Preta.
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Para não confundir a cabeça de ninguém que fique claro que a classificação que realmente vale alguma coisa é a seguinte: 1) Cruzeiro – 79; 2) Santos – 73; 3) Coritiba e São Paulo – 65; 5) Atlético-MG e São Caetano – 62; 7) Internacional – 61; 8) Criciúma – 56; 9) Flamengo e Goiás – 55; 11) Guarani e Paraná – 54; 13) Corinthians e Vitória – 52; 15) Figueirense – 49; 16) Atlético-PR – 47; 17) Vasco – 46; 18) Paysandu – 45; 9) Ponte Preta – 44; 20) Juventude – 43; 21) Fluminense – 42; 22) Fortaleza – 41; 23) Bahia – 40; e 24) Grêmio – 37.
Ubiratan Leal
Imagens: Solar Tours, Grêmio, Rubens Chiri / São Paulo e Marcelo Ferrelli / Gazeta Esportiva