Salvo “amistosos” que envolvem rivalidades fortes, como aquele Portugal 2x1 Brasil com o gol do Deco ou qualquer Brasil x Argentina, os demais são confusos, com equipes desmotivadas e privadas de formatação coletiva. E isso não é algo de hoje. Como as excursões e tempo de treinamento escasseiam, os técnicos são obrigados a concentrar todas as suas experiências durante o jogo.
O que ocorre: no primeiro tempo ainda há jogo, com as formações supostamente titulares lutando pela vitória, mesmo que com uma certa preguiça. No entanto, o pouco de futebol que se vê na primeira metade esvai-se na segunda. Para colocar em prática as tais experiências, cada treinador muda, pouco a pouco, uns 7 jogadores. Os esquemas táticos são completamente desfigurados e a única coisa interessante para se ver são os estreantes tentando mostrar serviço. De resto...
O jogo do Brasil foi um belo exemplo. Claramente superiores, os brasileiros saíram na frente logo aos 15 minutos. Depois, levaram o jogo da forma mais cômoda possível. Até porque os reggae boyz não ameaçavam o goleiro Dida, tampouco apertavam a marcação a ponto de atrapalhar as investidas sul-americanas. O Brasil só ficou no 1x0 porque não quis se esforçar. Quem teve de se esforçar foi o torcedor, pois o jogo (ainda mais realizado em um domingo de manhã com decisão da Fórmula 1 na madrugada anterior) deu sono. No caso do Brasil, mais do que a troca de jogadores (“apenas” 4 entraram no segundo tempo) a falta de objetivo naquela partida foi patente. Já os jamaicanos adotaram a estratégia de muitas substituições, foram 6 no total.
Mas o dia anterior também não fora melhor. Apesar do marcador extravagante, assistir a Portugal 5x3 Albânia foi outro teste de fanatismo. Bem, para se ter uma idéia, os balcânicos venceram o primeiro tempo por 1x2, tamanha era a falta de vontade dos lusitanos. Na volta do intervalo, o goleiro albanês Strakosha resolveu ajudar um pouco os anfitriões e tomou 3 gols (defensáveis) em 15 minutos. Pronto, Portugal fizera o marcador rapidamente, o que iniciou o processo de alterações infindáveis.
O saldo final foi de 9 (isso mesmo, nove!) substituições em Portugal e 5 na Albânia (incluindo o goleiro). A última meia hora de jogo foi triste, pois um time já estava contente por evitar uma goleada e o outro sabia que não adianta fazer amistoso contra adversários fracos. Nem para entrosar servia, já que quase todo o time fora mexido.
Dificilmente algo será feito para tornar os amistosos mais atraentes. Até porque a tendência – no que depender dos clubes europeus – é extinguir esse tipo de partida. Pena, porque, agora, há dúvidas se os resultados dos amistosos podem ser levados à sério. E comparações entre seleções de primeiro nível ficam restritas à Eurocopa ou à Copa do Mundo (até porque a Copa América não recebe a devida dedicação).
Ubiratan Leal
Imagens: Sang Tan / Associated Press e Infordesporto