Por causa da forma improvisada como a equipe alvinegra foi “montada”, é impossível se fazer uma análise baseada em um jogo. Simplesmente porque um time cheio de garotos, desfalques e adaptações não tem uma cara definida. Assim, as atuações são extremamente irregulares, variando do patético ao surpreendente. E, por isso mesmo, á para afirmar sem muito risco que o Corinthians não consegue uma vaga na Libertadores, mas não vai nem sentir o cheiro da Série B. No máximo, dá para se colocar entre os que brigarão por um lugar na próxima Copa Sul-Americana.
Um espectador menos afoito deve, quando pensar no futuro do Corinthians, ter em vista 2004. Esse ano já está perdido e os dois meses e meio que ainda faltam servirão apenas para ajudar em alguns aspectos do planejamento para o próximo ano. Um exemplo claro é como implantar uma política real de renovação do elenco com base nos garotos. O que se faz nesse Brasileirão é improviso e não deve ser levado à sério.
Mas o que seria essa tal política? Simples, saber qual a condição técnica e psicológica dos jovens para, aí sim, saber quais as posições que necessitarão de reforços e como montar um esquema tático que aproveite melhor o potencial desses atletas iniciantes. Indo um pouco mais além, é possível pensar em emprestar alguns desses jogadores nos meses de Campeonato Estadual para ganhar experiência.
Para que isso dê certo, é importante que se comece a agir o mais rápido possível. O Cruzeiro quase campeão foi idealizado com o Brasileiro de 2002 ainda em andamento. É claro que o Corinthians não tem o equilíbrio financeiro do Cruzeiro, mas um bom time no futebol brasileiro não se faz apenas com dinheiro, mas também com planejamento.
As contratações de Júnior e Rivellino já devem fazer parte dessa organização para o próximo ano. Se a diretoria corintiana quisesse apenas terminar a temporada de forma burocrática, provavelmente contrataria um treinador tampão (não faltam desempregados por aí) até o fim do ano. Isso não elimina a possibilidade de, caso a experiência da dupla de ex-craques não funcionar, a comissão técnica ser outra já na virada do ano.
Até por isso, o trabalho de Júnior e Rivellino não pode ser julgado por essas rodadas restantes do Brasileirão. Com uma equipe desfigurada, o ex-lateral do Flamengo terá muita dificuldade em dar um padrão de jogo ao Corinthians. Talvez só o faça nas últimas rodadas, mas se tiver de esperar a pré-temporada de janeiro (isso se meio time do Corinthians não se integrar ao grupo que disputa a Copa São Paulo de Juniores) não seria surpreendente.
De qualquer forma, inovar na comissão técnica não basta. Precipitações como a dedicação exagerada e equivocada à Libertadores não devem se repetir. Contratar jogadores para períodos curtos também não ajuda em nada. E seguir no vício de jogar com todas as forças o Campeonato Paulista não é a melhor alternativa. Os primeiros meses do ano servirão apenas para maturar esse novo Corinthians que deve (se os dirigentes estão efetivamente querendo fazer algo sério) surgir.
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Se a diretoria do Corinthians realmente busca organizar o time para 2004, as contratações de Robert e Jamelli soam como paliativas e temporárias. O mesmo poderia ser dito de André Luiz, mas o meia tem história no clube e é plausível imaginar que ele continue no elenco corintiano.
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Nesse fim-de-semana, o Corinthians pega o São Paulo. Uma vitória tricolor é até provável, mas não deve ter a mínima influência no trabalho de Júnior. Pensar apenas em ganhar o próximo clássico é um erro muito comum na história corintiana.
Ubiratan Leal
Imagens: Nélson Almeida / Lance e Daniel Augusto Jr. / Corinthians