Muitos saudaram a contratação de Júnior e Rivellino como o início de uma nova era no Corinthians, a tentativa de mudar, de buscar algo novo e sair da mesmice do futebol brasileiro. Realmente, o Corinthians inovou. Mas não foi com os motivos técnicos como todos estão pensando, mas sim, como uma busca por novos negócios.
Para explicar como isso ocorreu, devemos voltar ao primeiro semestre. Após duas partidas desastradas, o Corinthians perdeu do River Plate na Libertadores da América. Sem as rendas das partidas finais do torneio continental, o Corinthians iniciou o desmanche. Era a forma de resolver os problemas financeiros que enfrentava.
Desvalorizados pela derrocada sul-americana, não havia tanto espaço para os corintianos na Europa. Exceto na Rússia, onde até o atacante Róbson (ex-Corinthians e Mogi Mirim) consegue ser ídolo. Seria a salvação financeira do time, já que os russos pareciam ávidos a comprar qualquer coisa por um bom dinheiro. Assim, saíram Jorge Wagner e Leandro. O problema é que o primeiro sequer era do Corinthians e o segundo não estava longe de ser dos maiores salários do elenco. Ou seja, o sufoco continuou, mas descobriu-se uma segunda vantagem de apostar nos russos: reformular sem ter de demitir.
Quando a temporada de compra dos russos arrefeceu, ainda tinha muito o que fazer com o elenco corintiano. Então a diretoria resolveu atacar. Se os russos não vão ao Corinthians, o Corinthians foi aos russos. Esse foi o real motivo daquele amistoso com o Saturn: ver se convencia alguém a levar mais um ou outro jogador do time.
Deu para ver que o Corinthians voltou de Moscou sem vender ninguém. Talvez as atuações de Leandro e Jorge Wagner tenham desencorajado os dirigentes locais. Assim, o plantel corintiano continuou com vários candidatos ao “emergente” futebol da antiga União Soviética. Os principais nomes eram os de Fumagalli (na foto, dividindo no alto no jogo realizado em Ramenskoye) e Roger.
O primeiro começou muito mal pois ficou um bom tempo (quase um ano entre 2002 e 2003) sem jogar devido a uma briga judicial que envolvia Santos, Guarani e Corinthians. Havia a famosa desculpa da “falta de ritmo”. Mas esse ritmo nunca veio. Em todas as chances de jogar aqueles quinze minutos finais que consagram os atacantes, Fumagalli decepcionou conseguindo tomar cartões desnecessários e rendendo menos que os fracos concorrentes a vaga. Por sua vez, o jovem lateral esquerdo Roger corre o sério risco de ficar marcado pela expulsa contra o River. Tanto que, mesmo com o empréstimo de Kléber, o jogador não assumiu a posição de titular. Com tudo isso, até hoje há conselheiros corintianos que lamentam a pouca quantidade de vodca ingerida pelos cartolas do Saturn antes do jogo amistoso.
E onde Rivellino e Júnior entram nessa história? Simples, o Corinthians percebeu que desenvolver seus próprios jogadores e vendê-los dá dinheiro, mas depende muito da temporada de inscrições e há o risco de o desempenho da equipe cair muito. Assim, a nova aposta é a de criar treinadores. Como não há mais passe, o vínculo de um jogador e o de um treinador são os mesmos: um contrato. E é com base nisso que a diretoria corintiana inova, criando seus próprios técnicos para exportá-los.
Juliano Barreto e Ubiratan Leal
Imagens: Pelé.net e Saturn-Ren TV
Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.