Antes de tudo, é bom lembrarmos que a diferença de pontos entre Cruzeiro e Santos é de 9 pontos, ou 3 rodadas combinando derrota dos mineiros com vitória dos paulistas. A primeira dessas pode ocorrer já nesse meio de semana, quando os azuis vão a Porto Alegre pegar o titubeante – mas perigoso – Internacional e o Santos enfrenta o Bahia em Salvador.
O problema é que não seria difícil que a diferença se mantivesse nessa rodada, aparentemente favorável aos santistas. Até agora, o Cruzeiro tem se mostrado sólido justamente diante dos adversários mais fortes (como o colorado). Foi assim contra o próprio Santos (2 vitórias), além de Coritiba, Atlético-MG e São Paulo (uma vitória e um empate). Dos primeiros colocados, apenas o São Caetano complicou os cruzeirenses (um empate e uma derrota).
Isso não quer dizer que a derrota do Cruzeiro contra o Juventude só tenha servido para afastar os gaúchos do rebaixamento. Como já dito, esse resultado deu um ânimo psicológico ao campeonato. Na melhor – tendo como ponto de vista o equilíbrio e a emoção da competição – das hipóteses, o Cruzeiro se abala psicologicamente com a derrota e coleciona alguns mal resultados nas próximas rodadas até se reequilibrar. Isso abriria espaço para uma aproximação dos santistas, os mesmos que ficaram para trás por perder o ritmo exatamente após uma derrota para os azuis de Minas Gerais.
No entanto, a trajetória da equipe mineira nesse Brasileirão não tem se pautado pela instabilidade emocional. Até porque em poucos momentos os mineiros puderam ser acusados de soberba ou de menosprezo ao adversário. Assim, é mais provável que essa derrota apenas crie a expectativa de que o Cruzeiro pode perder pontos em qualquer jogo, mesmo contra adversários supostamente fracos. Até ontem, as partidas contra Figueirense (casa), Fortaleza (fora), Grêmio (casa), Vasco (fora), Paraná (fora), Paysandu (casa), Fluminense (casa) e Bahia (fora) eram consideradas, no mínimo, controláveis. Por pior que o time mineiro jogasse, um ponto era mais do que normal.
Agora, um santista ou um coxa-branca pode esperar por derrotas cruzeirenses nessas partidas. Esse sentimento é mais baseado no psicológico do que no racional. E, mesmo que o Cruzeiro volte a jogar bem, essa esperança ficará por um tempo. É como se o Juventude mostrasse para Santos e Coritiba que há uma possibilidade remota de sonhar. No final das contas, o Cruzeiro continua folgado, mas esse resultado foi o suficiente para dar uma sobrevida, mesmo que psicológica, à disputa pela primeira posição.
Ubiratan Leal
Imagem: César Trópia / Cruzeiro