Vamos começar pela seleção dos homens. Com 15 pontos, os alemães lideram o grupo 5 das Eliminatórias da Eurocopa 2004. Nesse sábado, recebem a vice-líder Islândia (13 pontos) no estádio AOL (antigo Volkspark) em Hamburgo. Um empate garante o time da casa no torneio a ser organizado em Portugal. Uma vitória islandesa seria histórica, classificando pela primeira vez os conterrâneos da Björk à fase final e mandando a Alemanha para a respescagem. A outra seleção com alguma pretensão é a da Escócia que, com 11 pontos, pode ainda passar os nórdicos e ir para o mata-mata decisivo.
Em tese, a Alemanha passa. Ainda assim, continua não convencendo (e dificilmente uma partida isolada mudará isso). Em setembro, os germânicos praticamente decidiram sua classificação ao segurar a duras penas um 0x0 com a Islândia em Reykjavik e vencer (merecidamente) a Escócia por magros 2x1. Os resultados em si foram bons, mas o técnico Rudi Völler foi atacado por todos os lados. Parece que imprensa e torcida não têm mais tanta paciência com o time comandado pelo ex-atacante da Roma. Para piorar, o técnico também mostrou que também não está contente e perdeu a cabeça, dizendo que quem o criticava pouco entendia de futebol.
Nesses jogos, é importante considerar que a Islândia melhorou muito nos últimos anos, que a Escócia se defendeu o tempo todo para segurar o empate e que a Alemanha estava desfalcada de vários titulares por contusão. Ainda assim, é sintomática a falta de padrão de jogo da equipe desde o final da Copa de 2002. Um exemplo claro foi o quase empate em Hanover (vitória por suadíssimos 2x1) contra as Ilhas Faroe em outubro do ano passado.
Por enquanto, todos culpam os jogadores. Na verdade, não responsabilizam ninguém em específico, mas a geração toda, desde já considerada pouco talentosa em comparação com as das últimas décadas. Mas, esperem aí! Serão esses jogadores tão ruins e inexperientes a ponto de temerem perder em casa para a Islândia? Não é só isso, há outros problemas a serem considerados.
Rudi Völler tem uma parcela de responsabilidade pelos problemas da seleção alemã atual. Basicamente, a Alemanha perdeu o que tinha de mais forte, a disciplina tática, o que os comentaristas brasileiros do óbvio gostam de chamar preconceituosamente de “chatice”. A seleção germânica de hoje é previsível, sem nenhuma criatividade ofensiva e uma defesa que se segura muitas vezes no goleiro Kahn.
Para o Brasil, a falta de tática pode soar como desculpa esfarrapada. Mas em um país que não conta com tantos jogadores individualistas e tecnicamente dotados, a disciplina foi sempre uma garantia de que, por mais desfalcada ou sem talento que estivesse a equipe, o estilo, volume e ritmo de jogo eram mantidos. Como os jogadores de hoje estão muito abaixo de Matthäus, Beckenbauer, Seeler e Overath e a estrutura coletiva não é nenhuma maravilha, a Alemanha tornou-se um time comum. Esse é o principal motivo das seguidas vaias dirigidas constantemente aos germânicos.
O interessante é que um exemplo que poderia ser seguido não está na América do Sul, tampouco na vizinhas Holanda ou França. A resposta pode estar em casa. Quem ficou acordado domingo à noite e colocou na ESPN Brasil pôde ver um belíssimo jogo de futebol feminino. Era a semifinal da Copa do Mundo dos Estados Unidos e a equipe da casa (favoritíssima) perdeu por contundentes 3x0 para a Alemanha.
Foi gratificante ver aquelas garotas com o uniforme alvinegro. A bem da verdade, desde a Copa de 90 poucas vezes a tradicional camisa alemã foi tão bem usada. Não apenas pela qualidade do futebol, mas pela forma como a equipe feminina representou dignamente a escola alemã. Era evidente a solidez coletiva do time, com dribles rápidos e objetivos, lançamentos precisos, toque de bola eficiente e marcação organizada. Méritos para as jogadoras (principalmente a goleira Rottenberg e as atacantes Prinz e Garefrekes) e a dupla de treinadoras formada por Tina Theune-Meyer e Silvia Neid
Nesse domingo, as alemãs enfrentam as suecas na final. Com a queda das norte-americanas, as germânicas ficaram com o favoritismo. É bom considerar que, em mundiais, a Suécia venceu os dois confrontos com a Alemanha (0x4 em 91 e 2x3 em 95). Ainda assim, o título europeu em 2001 (sobre a mesma Suécia) e, claro, a goleada sobre os Estados Unidos credenciam as alvinegras.
Por tudo isso, quem se interessa pelo futebol alemão tem duas oportunidades ótimas nesse fim-de-semana. Se tudo ocorrer como esperado, no sábado, dá para ver como os homens ainda se confundem na preparação para a Copa de 2006. Um dia depois, será possível assistir às mulheres mostrando como a Alemanha se tornou uma das principais potências futebolísticas mundiais.
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A Copa do Mundo feminina tem apresentado grandes jogos. É um grande exemplo da viabilidade do futebol de mulheres, mostrando que já se passou daquela fase amadora. Fase em que o Brasil insiste em permanecer e, por isso mesmo, nunca dá o passo definitivo para ser uma força mundial estabelecida.
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Voltando à seleção masculina alemã, a geração dessa primeira década de século XXI pode não ser das melhores, mas também não é tão fraca como dizem. Uma equipe com Kahn, Metzelder (zagueiro de 21 anos já cogitado por Real Madrid e Manchester United), Wörns, Nowotny, Ballack, Deisler e Hamman merece todo o respeito. Só falta um líder e um ataque.
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Essa nota deveria ficar na seção de histórias e curiosidades, mas os fatos obrigaram a sair aqui. Na última quarta, o ex-fisiculturista e “ator” Arnold Schwarzenegger foi eleito governador da Califórnia. Além de seus eleitores, os habitantes da cidade austríaca de Graz também festejaram. O governador eleito nasceu na vizinha Thal Bei Graz e é um orgulho dos habitantes da região, incluindo aí os esportistas. E como esportistas não nos referimos aos fisiculturistas (até porque é tremendamente discutível o valor esportivo dessa modalidade), mas aos futebolistas. Tanto que o estádio municipal de Graz, inaugurado em 1997, foi batizado oficialmente de Arnold Schwarzenegger Stadion. É um estádio simpático, que já abrigou diversas partidas do Sturm Graz pelas Ligas dos Campeões de 2000 e 2001. Além do Sturm, o Grazer AK, segundo clube da cidade, também manda os jogos no Arnold Schwarzenegger. No total, a prefeitura de Graz gastou mais de € 20 milhões na construção do estádio, que tem capacidade para 15,4 mil torcedores sentados.
Maurício Aires e Ubiratan Leal
Imagens: DFB, Uefa, Fifa e The Stadium Guide