http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Gritar não adianta nada | Página inicial | E o Coventry, não vai cair nunca? »

4/09/03

Histórias

Os papões da África


Esse fim-de-semana é que tem se chamado de "data Fifa". Assim, campeonatos do mundo vão parar para ver jogos entre seleções nacionais. Mas isso não ocorrerá na África. O continente ficará atento a outros torneios internacionais. Nessa sexta começa mais uma rodada das copas africanas de clubes. Isso mesmo, clubes africanos. E como se ignora os clubes do continente negro vamos falar dos principais, aqueles que contam com as maiores conquistas o continente negro. É bom ficar atento, pois, do jeito que a coisa anda por aqui, é capaz de um desses clubes começar a contratar revelações brasileiras.

Bem, como a atenção que se dá à África é ínfima, vamos começar definindo o que é África no futebol. O futebol é regido pela CAF (Confédération Africaine de Football), fundada em 1957 por Egito, Etiópia, África do Sul e Sudão. Hoje, conta com 52 membros, o mesmo número da Europa (levando em conta que o Cazaquistão entrou para a Uefa há dois anos). Vale lembrar que não há países africanos em outras confederações (como Israel que, por motivos políticos, não está na confederação asiática), nem o contrário. De resto, é importante considerar que o continente é dividido (histórica, política, social e, nesse caso, futebolisticamente) em duas partes, a saariana e a sub-saariana.

Por causa da habilidade e do vigor físico, fala-se muito do futebol da parte sub-saariana, a “África negra”, representada por Camarões, Nigéria, Senegal e Gana, por exemplo. A África árabe é vista com algum desdém. Porém, no cenário clubístico continental, há uma clara vantagem dos árabes, principalmente a partir de meados dos anos 90. Além disso, conseguem ter uma estabilidade maior (o que não ocorre com clubes de outros países, que tiveram períodos vencedores e, depois, sumiram).

Para indicar os grandes do continente, serão consideradas as equipes que venceram ou chegaram em finais de torneios continentais, mas que também se mantiveram competitivas por períodos de tempos relativamente longos, ao invés de times de brilho temporário. Para facilitar a compreensão, os campeonatos interclubes da África são semelhantes aos europeus de 10 anos atrás. A Liga dos Campeões conta com os vencedores dos campeonatos nacionais. A Recopa reúne os campeões das copas. E a Copa da CAF junta vices e terceiros colocados dos países.

Egito
Disparado, o país com mais títulos interclubes no continente. São 18, contra 9 da Tunísia. No Egito, se destacam dois clubes, ambos do Cairo. O Zamalek pode ser considerado uma espécie de River Plate ou Real Madrid africano, pois conta com grande infra-estrutura e poder econômico para os padrões locais. Possui um estádio (Hassan Helmi) com capacidade para 40 mil espectadores e até teve o brasileiro Carlos Alberto Torres como treinador no começo do ano. Tem 5 títulos da Copa dos Campeões africanos, incluindo o do ano passado. No entanto, já está fora da disputa em 2003.

O grande rival do Zamalek é o Al Ahly. Na realidade, são os dois clubes mais vitoriosos da África. O Al Ahly do Egito (não confundir com outros Al Ahly, pois há homônimos no Catar, na Arábia Saudita e dois na Líbia) conseguiu um inédito tricampeonato da Recopa africana. Orgulha-se ainda de ser o mais antigo dos grandes clubes egípcios (foi fundado em 1907) e de conseguir uma série de 9 campeonatos nacionais consecutivos.

Tunísia
Foi o primeiro país africano a vencer uma partida de Copa do Mundo, ao fazer 3x1 no México em 1978. No entanto, os clubes locais demoraram para se destacar. O primeiro título veio em 1988, com o Bizerte. Com os investimentos crescentes, a Tunísia é a maior rival do Egito nas competições interclubes nos últimos anos.

O Espérance, da capital Túnis, é um dos únicos clubes africanos a conquistar as 3 principais copas interclubes do continente. Um pouco atrás vem o Etoile Sahel, de Sousse. Fundado em 1925, o clube não chega a ser uma grande força nos campeonatos nacionais, conquistando títulos esporádicos. Na Tunísia, o maior adversário do Espérance é o Club Africain. Porém, no continente, o Etoile já tem duas Copas da CAF e uma Recopa enquanto que o segundo clube de Túnis tem apenas uma Liga dos Campeões. Aliás, se os alvirrubros de Sousse conquistarem uma Liga, igualarão o feito do rival Espérance e terão um título de cada uma das competições africanas.

Camarões
Camarões tem 8 títulos continentais, mas não vê um clube da terra levantar uma taça africana desde a Recopa de 1981, vencida pelo Union Douala. Além disso, não houve um clube de destaque tão grande. Pode-se dizer que o maior é o Canon Yaoundé, com 3 Ligas dos Campeões na década de 70. No entanto, o clube com maiores possibilidades hoje é o Tonnerre Yaoundé, vice da última Copa da CAF. Mesmo assim, os clubes locais caíram muito com a ida de camaroneses ainda adolescentes para o futebol europeu.

Marrocos
O clube marroquino de maior destaque na África é conhecido dos brasileiros. O Raja Casablanca foi o representante do continente no Mundial de Clubes da Fifa em 2000. A participação dos verdes foi marcada por uma derrota de 2x0 para o Corinthians (com um gol inexistente de Fábio Luciano) e outra de 3x2 para o Real Madrid (foto). Nessa última partida, inclusive, os marroquinos ganhavam por 2x1 até os minutos finais, quando os espanhóis viraram. Como o Etoile Sahel, o Raja tem, proporcionalmente, mais destaque no continente que em seu próprio país. Esse é o papel do Wydad Athletic Casablanca, o WAC. No entanto, os rubros de Casablanca têm apenas dois títulos continentais, contra 3 do Raja.

Argélia
Apenas um clube tem mais de um título, o Kabylie. O clube auriverde é, junto com o tunisiano Espérance, o único a ter títulos nas três copas continentais. E devemos levar em conta que o clube de Tizi-Ouzou é relativamente novo, pois conquistou seu primeiro campeonato nacional apenas em 1973.

Outros países
Nos demais países, apenas um ou outro clube pode ser considerado um grande africano. A Nigéria padece pela falta de uma equipe com glórias em diversas épocas. Quem mais se aproxima disso é o IICC Shooting Stars, ligado à Industrial Investment Credit Corporation. Os azuis de Ibadan foram os primeiros campeões da Copa da CAF, mas têm também uma Recopa e dois vices da Liga dos Campeões. No entanto, a equipe em que surgiu o atacante Yekini perde espaço para Enyimba e Iwuanyanwu.

Gana tem apenas 3 títulos interclubes na África, mas dá para afirmar que há dois grandes africanos no país. O Hearts of Oak (corações de carvalho, de Acra) é o clube mais antigo do país e, inclusive, disputaria o Mundial de Clubes da Espanha em 2001 caso esse não fosse cancelado. O Asante Kotoko, de Kumasi, tem duas Liga dos Campeões, mas parece ter se especializado em vices, com três da Liga e um da Recopa.

Por questões político-raciais, a África do Sul foi alijada do futebol internacional por décadas. Assim, os clubes tiveram poucas oportunidades para se destacar no continente. Mas há uma perspectiva boa de crescimento dos dois maiores clubes do país, o Orlando Pirates e o Kaizer Chiefs. Pela Costa do Marfim, não se surpreenda se o ASEC Mimosas ou o Africa Sports chegar a alguma final continental.

O clássico egípcio Al Ahly (de vermelho) e Zamalek. Os dois clubes do Cairo são os maiores vencedores da África. Se alguém disser que o jogo equivale a um Real Madrid x Barcelona ou Milan x Juventus, não estará desprovido de alguma razão

*

Veja a lista de campeões das copas interclubes africanas:
Liga dos Campeões Africanos/ ex-Copa dos Campeões
1964 – Oryx Douala (Camarões); 1966 – Stade Abidjan (Costa do Marfim); 1967 – TP Englebert (atual Toute Puissant Mazembe, RD Congo); 1968 – TP Englebert (RD Congo); 1969 – Ismailia (Egito); 1970 – Asante Kotoko (Gana); 1971 – Canon Yaoundé (Camarões); 1972 – Hafia (Guiné); 1973 – Vita (RD Congo); 1974 – CARA (Congo); 1975 – Hafia (Guiné); 1976 – Mouloudia Chalia d’Algiers (Argélia); 1977 – Hafia (Guiné); 1978 – Canon Yaoundé (Camarões); 1979 – Union Douala (Camarões); 1980 – Canon Yaoundé (Camarões); 1981 – Tizi-Ouzou (atual Kabylie, Argélia); 1982 – Al Ahly (Egito); 1983 – Asante Kotoko (Gana); 1984 – Zamalek (Egito); 1985 – FAR Rabat (Marrocos); 1986 – Zamalek (Egito); 1987 – Al Ahly (Egito); 1988 – Entente Setif (Argélia); 1989 – Raja Casablanca (Marrocos); 1990 – Kabylie (Argélia); 1991 – Club Africain (Tunísia); 1992 – WAC (Marrocos); 1993 – Zamalek (Egito); 1994 – Espérance (Tunísia); 1995 – Orlando Pirates (África do Sul); 1996 – Zamalek (Egito); 1997 – Raja Casablanca (Marrocos); 1998 – ASEC Mimosas (Costa do Marfim); 1999 – Raja Casablanca (Marrocos); 2000 – Hearts of Oak (Gana); 2001 – Al Ahly (Egito); 2002 – Zamalek (Egito)

Recopa Africana
1975 – Tonnerre Yaoundé (Camarões); 1976 – IICC Shooting Stars (Nigéria); 1977 – Ehugu Rangers (Nigéria); 1978 – Horoya (Guiné); 1979 – Canon Yaoundé (Camarões); 1980 – Toute Puissant Mazembe (RD Congo); 1981 – Union Douala (Camarões); 1982 – Arab Contractors (atual Al Mokaouloon, Egito); 1983 – Al Mokaouloon (Egito); 1984 – Al Ahly (Egito); 1985 – Al Ahly (Egito); 1986 – Al Ahly (Egito); 1987 – Gor Mahia (Quênia); 1988 – Bizerte (Tunísia); 1989 – El Merreikh (Sudão); 1990 – Lions (Nigéria); 1991 – Power Dynamos (Zâmbia); 1992 – Africa Sports (Costa do Marfim); 1993 – Al Ahly (Egito); 1994 – Daring Club Motema Pembe (RD Congo); 1995 – Kabylie (Argélia); 1996 – Al Mokaouloon (Egito); 1997 – Etoile Sahel (Tunísia); 1998 – Esperánce (Tunísia); 1999 – África Sports (Costa do Marfim); 2000 – Zamalek (Egito); 2001 – Kaizer Chiefs (África do Sul); 2002 – WAC (Marrocos)

Copa da CAF
1992 – IICC Shooting Stars (Nigéria); 1993 – Stella Abidjan (Costa do Marfim); 1994 – Bendel Insurance (Nigéria); 1995 – Etoile Sahel (Tunísia); 1996 – KAC Marrakesh (Marrocos); 1997 – Espérance (Tunísia); 1998 – Sfaxien (Tunísia); 1999 – Etoile Sahel (Tunísia); 2000 – Ismaily (Egito); 2001 – Kabylie (Argélia); 2002 – Kabylie (Argélia)

*

Por países, o Egito tem 18 títulos, contra 9 da Tunísia, 8 de Camarões e 7 de Argélia e Marrocos. A seguir vem Costa do Marfim, RD Congo e Nigéria (5 cada), Guiné (4), Gana (3), África do Sul (2) e Congo, Quênia, Sudão e Zâmbia (1 cada)

*

Como essa lista prioriza clubes com conquistas em várias épocas, o Hafia da Guiné e o Toute Puissant Mazembe, da República Democrática do Congo (ex-Zaire e aqui chamada de RD Congo para diferenciar do Congo) não ficam entre os grandes. Os guineenses conquistaram 3 títulos e 2 vices da Copa dos Campeões nos anos 70 (quando levaram 9 campeonatos nacionais consecutivos). No entanto, não são sequer campeões da Guiné desde 85. Os congoleses foram tetrafinalistas da Copa dos Campeões (2 títulos). Mas se aproveitaram de um surto de investimentos no esporte promovido pelo presidente Mobutu Sese Seko, na época que o país ainda se chamava Zaire. Nessa mesma onda, a seleção nacional conseguiu disputar a Copa de 74 e a disputa pelo título mundial de pesos pesados entre Muhammad Ali e George Foreman foi disputada na capital Kinshasa.

*

Aliás, o goleiro do Zaire na Copa de 74, Kazadi, era do Toute Puissant Mazembe. Na partida contra o Brasil, o Zaire perdia por 2x0 quando Kazadi falhou incrivelmente em um chute despretensioso de Valdomiro. Aquele gol garantiu a classificação do Brasil para a fase seguinte.

*

A África é bem mais democrática que a América do Sul em relação à distribuição de títulos por países. Além dos 15 países que já levaram ao menos uma taça, Togo, Angola, Uganda, Zimbábue, Burundi, Tanzânia e Senegal já chegaram a finais.

*

Depois de tanto falar do passado, vamos ao presente. Nesse fim de semana começam as quartas-de-final de dois desses torneios. A Recopa terá Africa Sports (Costa do Marfim) x Etoile Sahel (Tunísia), Power Dynamos (Zâmbia) x WAC (Marrocos), Asante Kotoko (Gana) x APR (Ruanda) e Baladeyet el Mahala (Egito) x Julius Berger (Nigéria). Por fim, a Copa da CAF verá Black Rhinos (Zimbábue) x Raja Casablanca (Marrocos), Rangers (Nigéria) x Al Ahly (Egito), Kabilye (Argélia) x Coton Sport (Camarões) e Club Africain (Tunísia) x Green Buffaloes (Zâmbia).

*

A Liga dos Campeões está na fase de grupos e terá sua terceira rodada nesse fim-de-semana. A chave 1 tem ASEC Mimosas (Costa do Marfim), Enyimba (Nigéria), Ismaily (Egito) e Simba (Tanzânia). Os egípcios lideram até agora, com 4 pontos, mas os tanzanianos são a surpresa, pois desclassificaram o atual campeão Zamalek na fase anterior. No grupo 2, Alger (Argélia), Atlético Aviação (Angola), Canon Yaoundé (Camarões) e Espérance (Tunísia) brigam pelas duas vagas na semifinais. Os tunisianos já abrem vantagem, com duas vitórias.

*

A foto lá no alto do texto não tem nenhum efeito ou produção. Na realidade, é o zagueiro egípcio Ibrahim Hassan e seu irmão gêmeo, o atacante Hossan Hassan, erguendo a Liga dos Campeões de 2002, após a final contra o Raja Casablanca.

Ubiratan Leal

Imagens:BBC Sports, Real Madrid site não-oficial, XS4All e High Quality Football Logos.

Deixe sua opinião (1)

Nedstat Basic - Free web site statistics