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16/09/03

O mundo não é uma bola...

Liga dos Campeões


A Liga dos Campeões começa nessa semana com uma pequena mudança no regulamento. Agora, os 16 clubes que passarem da primeira fase não serão divididos em 4 grupos e sim, já partirão para enfrentamentos em oitavas-de-final. No final das contas, não vai mudar o fato de o título europeu estar se limitando a alemães, espanhóis, ingleses e italianos. Ainda assim, há diversas interrogações cercando o principal campeonato interclubes do mundo. E só uma delas já seria motivo para acompanhar de perto o torneio.

Para facilitar a leitura, vamos separar a análise por cada um dos grupos dessa primeira fase. É importante considerar que, como estamos no início da temporada da maior parte dos países europeus (exceção dos escandinavos, Rússia e Ucrânia), muitos jogadores perderão sua condição de titular na medida que os treinadores encontrarem as formações ideais de cada time.

Grupo A
O Bayern de Munique tem uma grande chance de se redimir da péssima campanha da Liga dos Campeões passada. O grupo não passa de mediano e os alemães têm mais tradição, experiência e elenco que os adversários. Além disso, o clube de Munique aposta muito nessa eventual redenção continental, já que o vexame da temporada passada feriu o orgulho bávaro. Time-base: Kahn; Sagnol, Demichelis, Linke e Lizarazu; Hargreaves, Ballack, Salihamidzic e Deisler; Pizarro e Makaay. Técnico: Ottmar Hitzfeld.

Ainda assim, o Bayern não pode relaxar demais. Celtic e Lyon têm bons jogadores e não devem ser descartados. Tecnicamente, o Lyon é melhor, ainda mais depois de garantir Élber (foto) para o lugar de Sonny Anderson (vendido ao Villarreal). No entanto, os bicampeões franceses já começam a acumular um histórico razoável de insucessos em competições continentais. Com isso, a pressão da torcida pode pesar contra, ainda mais se o time não estiver bem no torneio doméstico. Time-base: Coupet; Deflandre, Edmílson, Cláudio Caçapa e Réveillère; Essien, Dhorasoo, Juninho Pernambucano e Carrière; Govou e Élber. Técnico: Paul Le Guen.

Esse é um problema que o Celtic não deve encontrar. Afinal, manter-se na briga pelo Campeonato Escocês não é difícil. O clube dos católicos de Glasgow não é muito bom tecnicamente, mas compensa com o conjunto bem montado pelo técnico Martin O’Neill, uma torcida fanática, uma camisa com um certo peso (maior que a do Lyon) e o oportunismo da dupla Sutton e Henrik Larsson. A experiência em decisões continentais acumulada no vice-campeonato da última Copa da Uefa pode ajudar. Time-base: Douglas; McNamara, Mjallby, Balde e Laursen; Thompson, Lennon, Lambert e Petrov; Sutton (Hartson) e Larsson. Técnico: Martin O’Neill.

O Anderlecht não deve assustar. A não ser que algo fuja do normal, os belgas devem, no máximo, definir se a segunda vaga do grupo fica com Celtic ou Lyon (considerando que o Bayern fica com uma). A esperança do clube de Bruxelas é repetir a campanha de três temporadas atrás, quando ficaram em primeiro lugar em seu grupo na primeira fase, à frente do Manchester United. Mas parece improvável. Time-base: Zitka; Doll, De Boek, Tihinen e Zewlakow; Hasi, Zetterberg, Baseggio e Vanderhaeghe; Seol Ki-Hyeon e Jestrovic. Técnico: Hugo Broos.

Grupo B
Talvez o grupo mais previsível dessa fase. A Internazionale continua com um esquema de jogo irritante, mas tem técnica suficiente para superar ao menos dois dos adversários. Como destaque fica a chegada da revelação holandesa Van der Meyde. Time base: Toldo; Javier Zanetti, Córdoba, Materazzi e Coco; Van der Meyde, Cristiano Zanetti, Luciano e Kily González; Recoba e Vieri. Técnico: Héctor Cúper.

A outra potência da chave é o Arsenal. O clube é uma espécie de Corinthians britânico, pois já ganhou tudo em seu país, mas tem uma dificuldade enorme em competições internacionais. Mas a superioridade técnica é tão grande que dificilmente algum trauma ou o medo de avião do craque Bergkamp tira uma das vagas dos londrinos. Time base: Lehmann; Lauren, Campbell, Keown e Cole; Ljungberg, Vieira, Gilberto Silva e Pires; Bergkamp (Wiltord) e Henry. Técnico: Arséne Wenger.

Há quatro anos, o Dynamo Kyiv chegou às semifinais da Liga dos Campeões e só não eliminou o Bayern de Munique porque cedeu um empate em Kiev após fazer 3x1. Mas aquela equipe contava com um ataque perigosíssimo, com Rebrov e Shevchenko. Agora, a esperança dos ucranianos é tentar reviver um pouco aquele tempo. É a única chance de tirar a vaga de italianos e ingleses. É melhor o time do lateral-direito Alessandro e do atacante Diogo Rincón (e quase de Liédson) se preocupar em conseguir a vaga na Copa da Uefa. Time base: Shovkovski; Alessandro, Fedorov, Gavrancic e Nesmachnyi; Bialkevich, Husin, Khatskevich e Leko; Shatskikh e Diogo Rincón; Técnico: Olexiy Mikhailichenko.

O menos cotado é o Lokomotiv Moscou, clube que conquistou seu primeiro Campeoanto Russo na temporada passada, acabando com o quase monopólio do Spartak. Além da motivação histórica, a única coisa que pode ajudar os moscovitas nessa etapa é o fato de o clube estar no meio da temporada (os russos jogam de março a novembro, como no Brasil, para fugir do inverno rigoroso), ao contrário de Internazionale e Arsenal, que ainda iniciam seus campeonatos. Aliás, essa “vantagem” de estar em outro período também pode ajudar o Dynamo. Parece pouco. Time base: Nigmatullin; Lekcetho, Ignashevich, Pachinin e Nizhegorodov; Izmailov, Loskov, Khokhlov e Jorge Wágner; Buznikin e Ashvetia. Técnico: Yuri Semin.

Grupo C
O Deportivo La Coruña é favorito, mas não é possível dar como certa sua passagem de fase. A perda de Makaay para o Bayern será sentida, mas Tristán é um bom substituto. De resto, é evitar surpresas em casa e conseguir alguns pontos fora, já que os adversários não são tão fracos. Time base: Molina; Manuel Pablo, Jorge Andrade, Naybet e Romero; Sérgio, Mauro Silva, Valerón e Fran; Pandiani e Tristán. Técnico: Javier Irureta.

A segunda força da chave é o PSV Endhoven. O clube manteve boa parte da equipe que foi campeã holandesa na temporada passada, o que é motivo de otimismo por parte da torcida. Os destaques são os meias Rommedahl e Van Bommel, além do zagueiro Hoflund e do artilheiro Kezman (foto). Time base: Waterreus; Bøgelund. Ooijer, Hofland e Lee Young-Pyo; Van Bommel, Vogel, Rommedahl, Vannegor of Hesselink e Robben; Kezman. Técnico: Guus Hiddink.

O maior problema do Monaco não está em campo. A enorme dívida do clube provocou uma grave crise institucional, a ponto de provocar a saída do presidente Jean-Louis Campora e a intervenção do príncipe Albert em busca de investidores. Se os problemas administrativos não atrapalharem e a equipe não se ressentir da saída de Márquez, os monegascos podem perfeitamente lutar por uma vaga. Time base: Roma; El-Fakiri, Squillaci, Rodriguez e Evra; Zikos, Bernardi, Giuly e Rothen; Nonda e Morientes. Técnico: Didier Deschamps.

A única equipe que não parece ter reais chances de classificação é o AEK. Ainda assim, os gregos têm tradição em dificultar a vida dos visitantes e contam com os experientes Tsartas e Georgatos, com passagens por Espanha e Itália, respectivamente. Na temporada passada, não se classificaram, mas ficaram invictos na Liga dos Campeões (empataram os 6 jogos) em um grupo com Roma e Real Madrid. Time base: Chiotis; Borbokis, Lakis. Kasapis e Kapsis; Tsartas, Katsouranis, Maladenis e Georgatos; Ivic e Okkas. Técnico: Dusan Bayevic.

Grupo D
A não ser que uma hecatombe ocorra em Turim, a Juventus leva uma das vagas. O clube mais popular da Itália soube se reforçar sem destruir a base vice-campeã européia e bicampeã nacional. A defesa continua sendo o forte, mas o talento dos meias Nedved (um verdadeiro craque pouco reconhecido no Brasil, foto) e Del Piero dão a qualidade na armação para o centroavante Trezeguet. Como detalhes negativos: a dificuldade em conciliar a dura liga italiana com a competição européia e a má fase de Davids. Time base: Buffon; Thuram, Legrottaglie, Tudor e Pessotto; Davids, Tacchinardi, Appiah e Nedved; Del Piero e Trezeguet. Técnico: Marcello Lippi.

Em teoria, a segunda vaga do grupo é da vice-campeã espanhola, a Real Sociedad. A questão é se o clube donostiarra manterá o nível da temporada passada, já que não são poucas a suspeitas de que a quase histórica campanha dos bascos tenha sido um momento encantado e fora da realidade. De qualquer maneira, a Real Sociedad contará com quase todos os jogadores da temporada passada. O que não é exatamente uma boa notícia, já que, dividindo as atenções entre a Espanha e a Europa, o treinador precisará de um elenco mais numeroso, o que a Real Sociedad não tem. Time base: Westerveld; López Rekarte, Schurrer, Kvarme e Aranzábal; De Pedro, Aranburu, Xabi Alonso e Karpin; Nihat e Kovacevic. Técnico: Raynald Denoueix.

Se a Real Sociedad não confirmar as expectativas, os favoritos passam a ser os turcos do Galatasaray. É bem verdade que o clube de Istambul enfrenta problemas financeiros, mas têm experiência internacional e vontade de desfazer a imagem deixada a temporada passada, quando caíram pateticamente na primeira fase. Por isso, contrataram o defensor holandês Frank De Boer e o atacante Hakan Sükür. Time base: Mondragón; Frank De Boer, Tamas e Bülent Korkmaz; César Prates, Akman, Hakan Ünsal, Ergun e Batista; Hakan Sükür e Umit Karan (Hasa Sas). Técnico: Fatih Terim.

Ao contrário dos compatriotas do AEK, o Olympiakos tem chances razoáveis de classificação. Para isso, basta se garantir em casa e contar com derrapadas de Galatasaray e Real Sociedad, o que não chega a ser improvável. Para o público brasileiro, os destaques são o atacante Giovanni (ex-Santos) e o meia francês Karembeu. Zé Elias se transferiu para o Genoa, clube beneficiado pela virada de mesa na Serie B italiana. Time base: Eleftheropoulos; Mavrogenidis, Venetidis, Antzas e Vallas; Karembeu, Djordjevic, Georgidis e Stoltidis; Giovanni e Kuzba. Técnico: Oleg Protasov.

Grupo E
Como no grupo D, há um favorito bem destacado, os ingleses do Manchester United dificilmente terão dificuldades para ficar em primeiro lugar nessa fase. A favor dos ingleses está a tradição na competição, a experiência do elenco nesse tipo de torneio e até o respeito (às vezes exagerado) de seus adversários. Além disso, boa parte da equipe é a mesma há anos, como o goleiro Barthez, o defensor Gary Neville, os meias Roy Keane, Scholes e Giggs, o atacante Solskjær e, principalmente, o treinador Alex Ferguson, em Old Trafford desde 1986. Nas duas últimas temporadas, os red devils ainda saudaram a chegada oportuna do artilheiro holandês Van Nistelrooy, do zagueiro da seleção inglesa Rio Ferdinand e, nesse último verão, da revelação portuguesa Cristiano Ronaldo. Com tudo isso, nem a saída de Beckham tira a condição de favorito ao título dos vermelhos. Time-base: Barthez; Gary Neville, Rio Ferdinand, O’Shea e Silvestre; Roy Keane, Kléberson, Scholes e Giggs; Solskjær e Van Nistelrooy. Técnico: Alex Ferguson.

Com uma vaga quase certa para o Manchester United, deverá haver uma briga dura pela segunda posição. Quem sai na frente são os escoceses do Rangers. O clube dos protestantes de Glasgow pode, por causa da rivalidade britânica, arrancar pontos dos red devils, inclusive em Manchester. Além disso, o campeonato doméstico – que só sai da monotonia quando há Rangers x Celtic – não deve tirar a concentração dos jogadores e, ao contrário do que costuma ocorrer, os azuis não contrataram compulsivamente na pré-temporada, procurando apenas reforçar as posições mais deficitárias. Time-base: Klos; Ricksen, Khizanishvili, Moore e Ball; Arteta, Lovenkrands, Ronald De Boer e Mols; Capucho e Arveladze. Técnico: Alex McLeish.

O outro concorrente a um lugar na segunda fase é o Stuttgart, vice-campeão alemão na temporada passada. Na verdade, o clube em que jogam os brasileiros Bordon e Cacau está na mesma situação da Real Sociedad, teve um desempenho tão surpreendente que ainda pairam dúvidas a respeito de suas reais possibilidades. Talvez o próprio clube tivesse consciência disso, tanto que investiu relativamente bastante – para quem está em péssimo estado financeiro – em contratações. Chegou o brasileiro Cacau, além do argentino Centurion, Vranjes e Szabics. Entre os que ficaram, vale observar o jovem Kevin Kuranyi (brasileiro que atua pela sub-21 alemã) e o belorrusso Hleb. A partida mais sentida é do meia búlgaro Balakov, que se tornou quase que um símbolo da equipe e abandonou a carreira nesse verão. Time-base: Hildebrand; Hinkel, Fernando Meira, Bordon e Gerber; Soldo, Vranjes, Tiffert e Hleb; Kuranyi e Amanatidis. Técnico: Felix Magath.

Por fora corre o Panathinaikos. O clube grego não tem estrelas na equipe, mas pode tentar a sorte nos jogos em casa. Em teoria, a força da equipe está no ataque, com o nigeriano naturalizado polonês Olisadebe e Papadopoulos, artilheiro da seleção sub-21 da Grécia e que estava no Burnley da Inglaterra. Time-base: Nikopolidis; Seitaridis, Fissas, Kyrgiakos e Henriksen; Epallé, Maric, Basinas e Sanmartean; Papadopoulos e Olisadebe. Técnico: Itzhak Schum.

Grupo F
Espera-se um passeio do Real Madrid. Não há muito a dizer sobre o clube mais vezes campeão do continente, apenas que somou às principais estrelas (Raúl, Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos e Figo) o meia e popstar inglês Beckham. Isso não significa que os madridistas golearão todo mundo. Não é pequena a chance de ao menos um desses craques ter de ficar no banco, até porque a defesa não é das melhores, ainda mais depois de perder Makelele. Hierro não deve fazer muita falta, já que não vinha bem há duas temporadas. A classificação dos merengues é praticamente certa, mas pode não ser tão fácil como imaginam. Time-base: Casillas; Michel Salgado, Helguera, Miñambres e Roberto Carlos; Beckham, Cambiaso, Zidane e Figo; Raúl e Ronaldo. Técnico: Carlos Queiroz.

Mas não é só a própria retaguarda que pode complicar os madridistas. Pelo menos dois dos adversários devem dar trabalho. O maior perigo vem dos vizinhos ibéricos. O Porto está na melhor fase desde 1987, quando foi campeão mundial. O treinador José Mourinho montou uma equipe forte e extremamente sólida, a ponto de ganhar a Superliga portuguesa com uma facilidade constrangedora para os rivais lisboetas e levar a Copa da Uefa pela primeira vez a Portugal. Para deixar a torcida dos dragões ainda mais otimista, não houve o êxodo que muitos esperavam. Só saíram Capucho (Rangers) e Hélder Postiga (Tottenham). No sentido inverso, ingressaram ao clube das Antas o atacante sul-africano McCarthy e o meia Ricardo Fernandes (então no rival Sporting). Mas, mais importante que tudo isso foi a manutenção de Deco no meio-campo. Os portistas só devem tomar cuidado com a inconstância: tanto do goleiro Vítor Baía quanto da própria equipe (não seria a primeira vez que um time português decepcionasse). Time-base: Vítor Baía; Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Maniche, Bosingwa, Alenitchev e Deco; McCarthy e Derlei. Técnico: José Mourinho.

Furtivamente, o Olympique Marseille tentará surpreender o Porto. O único clube francês a ser campeão europeu (depois teve o título cassado por tentativa de suborno de jogadores na liga nacional) apostará em seu novo ataque (o marfinense Drogba e o egípcio Mido Hossam) para repetir a façanha, dessa vez sem irregularidades. Outra duas contratações importantes foram as do meia N’Diaye e do pouco confiável defensor Christanval. A permanência do talentoso e jovem russo Sychev pode ser importante. Time-base: Runje; Ecker, Van Buyten, Christanval e Perez; Hemdani, Vachousek, Celestine e Sychev; Mido Hossam e Drogba. Técnico: Alain Perrin.

Com poucas chances está o Partizan Belgrado. O atual campeão de Sérvia e Montenegro estréia na Liga dos Campeões (considerando o atual formato de grupos) e deve ficar por aí. Mas até que há boas figuras no clube. O treinador é o iniciante alemão Lothar Matthäus. Os sérvios ainda contam com a experiência do zagueiro nigeriano Taribo West (ex-Internazionale), do meia Nadj e do goleiro Kralj. Na armação, o clube trouxe o veterano (35 anos) e habilidoso Drulovic, até a temporada passada radicado em Portugal. Time-base: Kralj; Cirkovic, West, Djordjevic e Malbasa; Ilic, Duljaj, Nadj e Drulovic; Delibasic e Iliev. Técnico: Lothar Matthäus.

Grupo G
Grupo que parece decidido desde o sorteio. Algo estaria muito errado no Chelsea, se não fossem favoritos após gastar mais de US$ 100 milhões em contratações. A lista de reforços é tão grande que nem é possível colocá-la na íntegra aqui, mas os principais nomes são os de Mutu, Duff, Verón, Geremi e Makelele. O perigo, como o da maioria das equipes que contratam muito e rapidamente, é a dificuldade de conseguir um conjunto. Os resultados nesse início de temporada indicam que a nova fase do Chelsea começou bem, com vitórias contra Liverpool e Tottenham. Time-base: Cudicini; Gallas, Terry, Desailly e Bridge; Makelele, Verón, Joe Cole e Duff; Hasselbaink e Mutu. Técnico: Claudio Ranieri.

Além dos azuis londrinos, os celestes romanos também não devem ter problemas em passar de fase. A Lazio surpreendeu na temporada passada e parece sobreviver, ao menos em campo, à crise financeira e salários atrasados. Méritos para o treinador Mancini e para os próprios jogadores. De qualquer forma, a falta de dinheiro em caixa impediu um reforço grande no elenco. Só o experiente meia Albertini (ex-Milan e Atlético de Madri) deve fazer alguma diferença. O clube tentou também Pizarro, Alberto e Jorgensen, todos da Udinese. Não conseguiu justamente por falta de garantias bancárias. Time-base: Peruzzi; Oddo, Stam, Mihajlovic e César; Albertini, Sérgio Conceição, Fiore e Stankovic; Claudio López e Simone Inzaghi. Técnico: Roberto Mancini.

Com poucas chances está o Sparta Praha. Os tchecos costumam revelar bons jogadores, mas ainda estão abaixo de italianos e ingleses. Mas os destaques dessa temporada têm mais rodagem, como o goleiro Kouba e os meias Poborsky e Nemec. Time-base: Kouba; Petras, Labant, Johana e Flachbart; Kovac, Rosicky e Nemec e Poborsky; Gluscevic e Kincl. Técnico: Jiri Kotrba.

O quarto integrante do grupo não deve assustar. O Besiktas, apesar de ser o clube turco em melhor situação financeira e ter conquistado o último campeonato nacional, não consegue sair da sombra do rival Galatasaray em competições européias. O elenco também é inferior ao dos aurirrubros, com destaque apenas para o centroavante Ilhan Mansiz, o goleiro colombiano Córdoba e a dupla de zaga brasileira (Antônio Carlos e Ronaldo Guiaro, ex-Atlético-MG e medalha de bronze nas Olimpíadas de 96). Time-base: Córdoba; Antônio Carlos, Ronaldo Guiaro e Yildirim; Koç, Ahmed Hassan, Giunti, Sergen Yalçin e Uzulmez; Ilhan Mansiz e Kaloglu. Técnico: Mircea Lucescu.

Grupo H
O Milan soube se reforçar e está até mais forte que na temporada passada, quando conquistou seu 6º título europeu. Na realidade, os rossoneri; são tão fortes quanto o Real Madrid. Podem perder em marketing e em nomes, mas formam uma equipe mais homogênea (sobretudo na defesa) e o técnico Ancelotti (acertadamente) não força a escalação de jogadores apenas pelo nome, evitando um desbalanceamento entre defesa, meio-campo e ataque. Por isso, Roque Júnior foi para o Leeds da Inglaterra e grandes jogadores como Serginho, Rivaldo, Redondo, Kaká, Ambrosini e Tomasson não têm lugar garantido entre os 11 titulares. No fundo, isso só mostra como os milaneses estão preparados para duas competições duras (Liga dos Campeões e Campeonato Italiano) e não falta reposição. Time-base: Dida; Cafu, Nesta, Maldini e Kaladze; Gattuso, Pirlo, Seedorf e Rui Costa; Shevchenko e Filippo Inzaghi. Técnico: Carlo Ancelotti.

Como na Liga dos Campeões passada, o Ajax pode incomodar o Milan. A nova geração do clube de Amsterdã mostrou que não se assusta com uma competição internacional e, se não se ressentir das saídas de Chivu, Van der Meyde e Ahmed Hossam, pode ir longe. Time-base: Lobont; Trabelsi, Grygera, Escude e De Jong; Sneijder, Van der Vaart, Litmanen e Pienaar; Sonk e Ibrahimovic. Técnico: Ronald Koeman.

Mas os holandeses devem se cuidar para, ao mirar o Milan, não se descuidar do Celta de Vigo. O clube espanhol passou perto nos últimos anos, mas só agora consegue efetivamente disputar a Liga dos Campeões. Isso denota a dificuldade dos galegos nos jogos decisivos, mas mostra também que os celestes têm consistência, não são estão no topo por acidente. Time-base: Cavallero; Velasco, Conteras, Juanfran e Silvinho; José Ignácio, Gustavo López, Edu, Mostovoj e Jesuli; Milosevic. Técnico: Miguel Ángel Lotina.

O Club Brugges surpreendeu ao eliminar o Borussia Dortmund na fase preliminar, mas dificilmente passará dessa fase. Ainda assim, os belgas devem dar alguns sustos e não podem ser completamente ignorados. Time-base: Verlinden; De Cock, Clement, Rosenahl e Van der Heyden; Verheyen, Serebrennikov, Stoica e Ceh; Mendoza e Martens. Técnico: Trond Sollied.

Ubiratan Leal

Imagens: Milan, L’Équipe, La Repubblica, Soccerage Nogometni Magazin, BBC Sports, Capucho site não oficial, Chelsea e Sportosfera

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