Um caso claro disso foi o cerco de repórteres a Romário após o término do jogo Fortaleza 3x1 Fluminense. O atacante tem o péssimo hábito – bem deselegante, por sinal – de caminhar para o vestiário enquanto um batalhão de repórteres de campo o acompanha como abelhas ao mel em busca de algumas palavras. Para piorar, alguém, sem querer, deu uma “microfonada” na cabeça do atacante ao tentar entrar no meio de uma entrevista já iniciada. O fato é que o jogador se irritou, com certa razão, emudecendo e empurrando aqueles que permaneciam com os microfones apontados em sua direção.
Nessas horas, parece correta a postura muito comum na Europa e já adotada em clubes como o São Paulo de organizar entrevistas coletivas, com representante da comissão técnica e alguns jogadores. Esse tipo de medida é muito criticado por radialistas, que gostam de ficar com longas conversas com um jogador, inclusive o colocando para conversar com o apresentador do estúdio.
Qualquer jornalista que quiser alguma declaração exclusiva pode ir para um canto e conversar reservadamente com o jogador. Porém, para as perguntas triviais – e pouco objetivas – como “como o time reagiu após sofrer o gol?”, “você acha que seu colega estava impedido naquele lance?” ou “vocês já pensam no próximo jogo?”, não há porque incentivar a bagunça.
Uma entrevista organizada permite que o jogador ou treinador fale com calma, sem passar apertos ou desconforto. Qualquer um sabe que, nessas condições, o ser humano consegue raciocinar melhor e falar com mais articulação. Devemos lembrar que o mais importante não é a brincadeirinha entre jogador e jornalista, mas o fato de o torcedor receber a informação sobre o que aconteceu em campo.
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Outra forma utilizada para melhorar as condições das entrevistas é delimitar a área, em geral diante de um painel com os patrocinadores do time. Isso vale mais para a televisão (que afinal, é quem mostra a imagem do tal painel) e, em tese, é bom. Mas não se pode distorcer as prioridades. Os brasileiros não concederam entrevistas no vestiário após vencer a Colômbia porque a Aguila (cervejaria local que patrocina a seleção colombiana) não permitiu que se estendessem painéis com o logotipo da Antarctica (que apóia os brasileiros). A restrição da empresa colombiana é ridícula, mas a decisão da CBF de não permitir que os jogadores dessem entrevistas porque não apareceria o nome da empresa parceira está no mesmo nível. O que o torcedor tem a ver com isso? Nada, mas ele não recebeu a informação.
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Outra coisa meio irritante é o fato de os jornalistas insistirem em pegar palavras do treinador durante a partida. De fato, o acesso aos bancos é permitido. Porém, cabe à comissão técnica a decisão de ceder ou não entrevistas. Acho que alguns fazem muito bem em não realizá-las no calor da disputa dum jogo, pois muitos palavrões são ditos e ouvi-los não acrescenta nada a quem acompanha o jogo pela TV.
Gilberto Meazza