Isso não significa que as duas principais atrações dessa Série B perderam seu favoritismo. Mas apenas um desatento se surpreenderá com a eliminação de um desses dois clubes já nessa fase. Afinal, nunca foi (mesmo nos tempos em que Palmeiras e Botafogo lutavam pelo título uma divisão acima) bater clubes como Sport, Santa Cruz, Náutico e Remo.
Esse é o grande desafio de verdes e alvinegros agora. Na primeira fase, eles delinearam a vantagem na tabela contra os menores, como Anapolina, União São João e Mogi Mirim. Contra os clubes de mais tradição, a regra foi o equilíbrio e um perde-ganha acentuado. Tanto que o Palmeiras, líder com 6 pontos de vantagem para o segundo colocado e 9 para o terceiro, não venceu nenhum dos seus próximos adversários (empatou com todos). O retrospecto carioca contra Marília, Náutico e Remo também não é dos melhores: uma vitória, um empate e uma derrota, sendo que esses 3 jogos foram realizados em Caio Martins.
Abaixo segue uma análise rápida de cada um dos grupos da segunda fase:
Grupo B
Em tese, é um grupo ligeiramente mais forte. Claro, o favorito é o Palmeiras. O clube paulista mostrou que assimilou o rebaixamento e soube se arrumar aos poucos, sem perder o passo. O ponto forte é o ataque, com o artilheiro Vágner Love e armadores eficientes como Diego Souza e Pedrinho. A defesa é o setor mais fraco da equipe, principalmente em jogadas aéreas. A sorte palmeirense é que o goleiro Marcos (e Sérgio em alguns casos) dão segurança.
O Sport pode ser considerado o segundo time mais forte desse grupo. O rubro-negro padeceu um pouco por dividir atenções entre Série B, Copa do Brasil e Campeonato Pernambucano. Nesse período, mostrou uma certa instabilidade e constantemente ficava fora dos 8 classificados. Foi só o Campeonato Pernambucano terminar (com o título do leão) que o Sport engrenou alguns bons resultados e se consolidou entre os 8 melhores. O fato de ter perdido apenas 4 jogos e possuir a melhor defesa do campeonato (22 gols sofridos) é um sinal de como é difícil golpear o clube pernambucano. Os problemas, na realidade, foram os 10 empates, muitos evitáveis.
O Brasiliense teve uma campanha discretíssima, mas extremamente sólida. No final, os números (pontos, vitórias, empates, derrotas e saldo de gols) são parecidos com os do Sport, mas o vice-campeão da Copa do Brasil de 2002 oscilou menos. Com uma caminhada muito regular e uma defesa confiável, os verde-amarelos de Taguatinga sempre foram aposta segura entre os 8 primeiros. Como ponto positivo, o fato de o time (que ano passado estava na Série C) não se intimidar com vôos mais altos. Mas o excesso de regularidade pode ser negativo no momento em que o time precisar de algo a mais para passar de fase.
O Santa Cruz esteve quase descartado até meados de agosto, quando tomou de 4x0 no clássico contra o Sport. Mas uma seqüência de 4 vitórias e um empate em 5 jogos foram suficientes para dar ao tricolor de Recife a classificação com uma rodada de antecipação. Como a derrota contra o Londrina nesse sábado deve ser desconsiderada (não valia nada), o Santa vem embalado e, mesmo tendo apenas a 8ª vaga, é uma equipe perigosa.
Grupo C
O Botafogo é favorito, claro. Mas essa condição lhe é dada apenas pela classificação e por, teoricamente, ter mais camisa que os adversários. Porque, no campo, o clube carioca convenceu poucas vezes, tendo apenas uma boa fase no meio da primeira fase como momento destacadamente positivo. Na reta final, a situação piorou. O time venceu apenas um dos últimos 5 jogos. É verdade que já estava classificado e o próprio técnico Levir Culpi disse que procuraria administrar a pontuação. Ainda assim, o alvinegro mostrou não ser muito superior a outras equipes dessa Série B.
Apesar de ser o último clube a garantir um lugar na segunda fase, o Náutico pode ser considerado o adversário mais perigoso para o Botafogo. O alvirrubro pernambucano liderou a primeira parte da etapa anterior, mas sofreu uma série de reveses no meio do torneio (dificuldades na fase final do estadual de Pernambuco e a perda de pontos na justiça), o que abalou o grupo e afetou os resultados. Mas, como os rivais recifenses, o Náutico embalou na reta final (batendo, por exemplo, o Remo em Belém e o Botafogo em Niterói) e conseguiu a classificação. Vale lembrar que o timbu tem o melhor ataque depois da dupla Palmeiras-Botafogo.
O Remo está no mesmo nível do Náutico. Foi mais estável que os pernambucanos em toda a competição, sempre estando como único perseguidor consistente de Palmeiras e Botafogo. O ataque é perigoso (41 gols marcados, como o Náutico), mas a defesa compromete, chegando a tomar 5 gols em duas oportunidades. Se souber aproveitar o calor da torcida belenense, se classifica.
O Marília tem um mérito: foi o único clube que esteve entre os 8 primeiros em TODAS as rodadas da primeira fase. A regularidade é o forte do time, que tem poucos resultados espetaculares, mas perdeu poucos pontos bobos. A maturidade e estabilidade emocional que a equipe tem demonstrado, não se envolvendo em crises internas após alguns maus resultados em série, pode ser importante em um grupo com duas equipes (Botafogo e Náutico) que oscilam muito. No entanto, a falta de torcida e experiência para as decisões devem atrapalhar o sonho dos celestes de estrearem na Série A.
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Cientificamente, isso não tem nenhum valor, mas, se os resultados da primeira etapa se repetissem na segunda fase, se classificariam Brasiliense e Sport no Grupo B e Náutico e Botafogo no C. O Palmeiras ficaria de fora e o Botafogo só eliminaria o Marília no saldo de gols.
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Como já dito nesse site, o Palmeiras não venceu nenhum clube nordestino. Essa é outra curiosidade que não significa nada de prático. Porém, o palmeirense mais supersticioso já se preocupa com os jogos contra Sport e Santa Cruz.
Ubiratan Leal
Imagens: O Globo, Marcelo Ferrelli / A Gazeta Esportiva e Rodrigo Lobo / Pernambuco de A a Z