Poucos o conhecem aqui no Brasil, mas Peter Kenyon foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso administrativo-comercial do Manchester United. Só para se ter uma idéia, o dirigente foi responsável pelas negociações extremamente proveitosas com Nike (cerca de £ 303 milhões, ou R$ 1,4 bilhão, em 10 anos), Vodafone, EuroDisney e New York Yankees além de ter influência decisiva na penetração dos red devils no Extremo Oriente (idéia copiada até pelo poderoso Real Madrid). Mais importante ainda, ele convenceu o treinador Alex Ferguson a ficar mais algumas temporadas em Old Trafford, em um momento que a aposentadoria do escocês parecia definida.
Além disso, Kenyon participava diretamente das negociações com jogadores. Ele acertou a contratação, por exemplo, de Van Nistelrooy, Verón (quando o argentino saiu da Lazio) e Rio Ferdinand. Ele também estava do lado inglês nas conversações entre Real Madrid e Manchester United para a negociação de Beckham.
As cifras que giram em torno do futebol inglês são muito grandes e podem parecer extravagantes demais para um brasileiro. Mas, mesmo com as contratações citadas, Kenyon se notabilizou por adotar uma bem-sucedida política de controle de gastos desde que assumiu a diretoria executiva do clube em agosto de 2000. Realmente, os red devils contrataram bastante, mas não abandonaram o posto de clube mais lucrativo do mundo. Foram £ 155 milhões (R$ 713 milhões) em 10 anos. Coisa que o Real Madrid não chegou nem perto ainda.
Kenyon cresceu em Manchester e até jogou em equipes amadoras, tanto que trabalhava com o esporte ante de ir ao clube vermelho. Era diretor executivo da Umbro, principal fabricante inglesa de materiais esportivos.
Analisando o currículo do dirigente, é possível ver os benefícios dessa contratação para o Chelsea. O primeiro motivo, claro, é atacar o Manchester United, agora o maior rival dos azuis na busca pelo domínio da Premier League. Agora, os red devils perderam um administrador competente e, pior, o Chelsea passa a conhecer, via Kenyon, os bastidores do clube vermelho. Tanto o Manchester sabe disso que foi rápido ao anunciar que já tinha um substituto, o ex-diretor administrativo do próprio clube David Gill.
Além disso, o Chelsea pretende criar um modelo administrativo que gere lucro. Fala-se que Abramovich é aventureiro, mas ele não triunfaria no complicado capitalismo russo se não fosse, ao menos, esperto. O empresário já gastou muito dinheiro e fez muito escarcéu, agora, ele pretende dar um tom mais profissional às suas ações, o que resultará em credibilidade financeira ao clube e, eventualmente, investidores. Por mais que diga que está no futebol por diversão, Abramovich deve ter consciência de que deve, ao menos, almejar o lucro para ter longevidade no esporte.
Pode não ser suficiente para dar retorno a tanto investimento inicial (se levarmos em conta que, além do dinheiro na compra de jogadores, o russo desembolsou US$ 37,5 milhões, ou R$ 110 milhões para comprar o clube). Até porque o Manchester United é o clube mais popular da Inglaterra, enquanto que o Chelsea vai pouco além dos limites do bairro homônimo, o mais sofisticado de Londres. Mas a brincadeira do russo está começando a parecer séria.
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Os valores da contratação de Peter Kenyon não foram revelados, mas o próprio dirigente disse que era uma oferta boa demais para ser recusada. No Manchester United, ele ganhava £ 625 mil ao ano (cerca de R$ 2,87 milhões). Mas um cláusula nesse contrato dizia que o dirigente, caso fosse para outro clube, deveria ficar um tempo parado. Por isso, o Chelsea terá de esperar algum tempo até ter, efetivamente, seu novo diretor-executivo.
Ubiratan Leal
Imagens: BBC Sports, Yahoo UK, Chelsea e The Moscow Times