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14/08/03

Cultura & Mídia

Winning Eleven

Nunca fui um grande fã de vídeo-games. Quando era bem moleque, tive meus períodos de Atari, mas especificamente Enduro e River Raid, mas não duraram muito tempo. Depois veio o Master System, com o fantástico Alex Kidd e um jogo de futebol meia-boca, cuja maior diversão era a cobrança de pênaltis. Depois disso, parei de jogar. Devia ter uns 13 anos nessa época. Só retomei essa prática 10 anos depois, quando descobri o Playstation e a série de jogos de futebol Winning Eleven.

Posso afirmar sem medo de errar que Winning Eleven considero o melhor jogo de futebol para vídeo-game da atualidade. Basta uma partida no controle para se ter essa certeza. O jogo tem pontos fracos? Certamente. Mas a vantagem sobre os concorrentes da série Fifa e Sega Soccer ainda são gigantescas.

Comecemos logo com o maior problema: a falta de licenciamento. Só pra dar um exemplo, a seleção brasileira titular é formada por Merquez, Raime Junior, Smildone, Luciano, Facu, Vilsa, Kris, Naldorinho, R. Larcos, Ravoldi e Radolno. Isso acontece com a grande maioria dos jogadores. Pior ainda é com os clubes: Mato Grosso e Selvas são os nomes de Palmeiras e Vasco da Gama. Em muitos casos é difícil reconhecer os times. Demorei séculos pra descobrir que Marmara é o Dynamo Kyiv.

Isso é ruim? Muito. Mas se você mora no Brasil, os jogos piratas (também chamados pelo eufemístico nome de cópia alternativa) resolvem esse problema. As cópias piratas já chegam alteradas do berçário trazendo os nomes de times e de jogadores corretos, além dos uniformes mais recentes. Como quase todo o mercado de games brasileiro é pirata...


Solucionada a questão dos nomes, vamos à grande qualidade do Winning Eleven: a jogabilidade. É incrível a semelhança com o jogo real. Não falo da parte gráfica, apesar de essa ser muito boa. Mas o que mais chama a atenção é a movimentação dos jogadores pelo campo, os passes, os cruzamentos e os chutes a gol. É tudo muito parecido com futebol de verdade. É preciso entender de futebol pra conseguir jogar Winning Eleven.

Diferente da família Fifa Soccer, em que o conhecimento de alguns truques bastam para marcar vários gols, no WE isso não acontece. Tem de "jogar futebol" mesmo. Não adianta disparar uma bomba. Se você chutar com muita força, a bola pára na arquibancada. Se arrematar com pouca força, a bola vai mansa nas mãos do goleiro. É preciso chutar com a força exata e no lugar certo, porque chute no meio o goleiro defende fácil.

As opções para armar seu time taticamente são diversas. Você pode montar um 4-4-2 bem defensivo e, com um simples comando no controle, avançar seus laterais pelas pontas e armar um contra-ataque perigoso. É muito fácil mudar a orientação tática e o posicionamento dos jogadores durante o jogo, desde que você tenha feito anteriormente as configurações necessárias. É muito mais eficiente que a gritaria dos técnicos na beira do gramado. Assim como no futebol, é comum um time ser pressionado durante o jogo todo, encaixar um bom contra-ataque e sair vitorioso de campo. Nem sempre o melhor é que ganha.

São essas características que fazem do Winning Eleven um jogo apaixonante não só para os fãs de video-game, mas para os aficionados por futebol em geral. Pra você ter uma idéia, meu pai, que sempre odiou games, acompanha atentamente os duelos travados lá em casa. E se alguém estiver jogando com o Corinthians, ele até chega a torcer. Se você ainda não jogou Winning Eleven, corra. E agora chega de papo, que meu irmão tá me esperando pra jogar uminha.

Thiago Andrada

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