Semanas antes de começar o Campeonato Brasileiro de 2003, a revista Placar lançou a tradicional edição especial com um guia da competição. Mas, como ocorre todo ano, os clubes mudam muito seus elencos antes e durante o torneio e a revista fica algo defasada. Por isso, a publicação da Abril decidiu preparar o Guia do Segundo Turno do Brasileirão 2003, com resumo das primeiras 23 rodadas, perspectivas para as próximas 23 e atualização das informações.
A idéia é interessante e aproveita bem o fato de o Brasileirão ser disputado em pontos corridos. Com isso, há um marco temporal e futebolístico (o fim das partidas de ida) bem definido que justifica a publicação da revista. Até porque um guia com tamanha produção editorial deve ficar no cesto de revista ao lado da TV, para o torcedor consultar quando tiver jogo. Por isso, o assunto tratado pelo tal guia supõe-se cronologicamente extenso, como o segundo turno desse campeonato.
Ano passado, por exemplo, Placar fez uma edição especial do mata-mata do Brasileirão. Ficou estranho. Por exemplo, muito atleticano pode ter desistido de comprar a revista assim que seu time tomou de 6x2 do Corinthians no Mineirão, ainda na partida de ida das quartas-de-final. Digamos que, para um guia, aquela publicação tinha prazo de validade muito curto e atingia um público muito restrito.
Para realmente acompanhar o torcedor nas rodadas restantes do campeonato, o guia do returno conta com toda a sorte de estatísticas sobre a campanha de cada clube na primeira metade do campeonato. Cada jogador que entrou em campo no Brasileirão 2003 foi, no mínimo, mencionado com o número de partidas disputadas, cartões recebidos e gols marcados (ou sofridos). Até as médias da Bola de Prata (uma das melhores referências para analisar o desempenho dos atletas no torneio) estão lá.
Também é de se louvar o trabalho de atualização das informações. Um bom exemplo é a presença de Tite como treinador do São Caetano, fato ocorrido apenas na última rodada do primeiro turno. Jogadores recém-contratados (e que nem estrearam) também têm seu espaço. Assim, o torcedor que quiser saber de onde vem aquele atacante contratado pelo seu time pode ter alguma pista.
Agora, se sobram dados, faltam um pouco de análise e comentários. Justamente por fazer uma revista no meio de um campeonato, é possível abordar com profundidade quais os esquemas adotados pelos times (e as variações possíveis), quais os jogadores mais importantes, a situação financeira e administrativa de cada clube, porque tal atleta está mal, quais as posições que se mostraram carentes, se os reforços se encaixarão bem, quais as partidas-chave no returno e outras interrogações que não saem da cabeça do torcedor.
Na realidade, o Guia do Segundo Turno do Brasileirão conta com esse tipo de análise. Mas, salvo exceções, passa com rapidez, com aparente pressa de falar. É um erro. Em guias de prévia do campeonato, a falta de planejamento do futebol brasileiro “mata” o jornalista, que fica perdido no meio da confusão de regulamentos, tabelas e contratos feitos de última hora. Mas uma revista lançada no meio do campeonato – e com as inscrições já encerradas, inclusive – poderia ser mais completa.
Como explicação, deve-se considerar que a equipe de Placar é bem reduzida e imagino que esteja perto do limite de produção, dificultando maiores extravagâncias. De qualquer forma, o trabalho é oportuno e, independente das possíveis melhorias, dá boas informações de referência ao torcedor.
Ubiratan Leal
Imagem: Placar